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Prova ITA 2020 – Português – Resolução Comentada

Data 02/12/2019

Postado por Prof. Celina Gil

Olá, pessoal… Tudo bem? Sou a profª. Celina Gil, do Estratégia Vestibulares e Estratégia Militares. Com a ajuda do professor Fernando Andrade, escrevo este artigo para comentar as questões de Português da prova do ITA.

Nesta página, você vai conferir todas as questões resolvidas e comentadas. Você pode, inclusive, baixar os nossos comentários sobre a prova em um PDF gratuito.

A prova desse ano partiu de trechos das obras de leitura obrigatória para as questões de interpretação e gramática. A maioria das questões misturavam verificação de leitura com interpretação de texto.

Obras ITA 2020

LivrosAutor(es)
O AlienistaMachado de Assis
São Bernardo Graciliano Ramos
A hora e a vez de Augusto MatragaGuimarães Rosa

Prova ITA 2020

Questão 16

Leia atentamente o trecho destacado e assinale a alternativa que apresenta apenas a(s) afirmação(ões) correta(s).

 O assombro de Itaguaí. E agora prepare-se o leitor para o mesmo assombro em que ficou a vila, ao saber um dia que os loucos da Casa Verde iam todos ser postos na rua.

-Todos?
-Todos.
-É impossível; alguns, sim, mas todos…
-Todos. Assim o disse ele no ofício que mandou hoje de manhã à câmara.

[Contos, p. 315].

  • I. O narrador combina diferentes gêneros – crônica histórica, poesia etc. – para registrar a linguagem popular.
  • II. O diálogo com o leitor tem o objetivo de envolvê-lo na narrativa.
  • III. O título e o diálogo com o leitor evidenciam a ironia do narrador.

A. (   ) I e II são corretas.

B. (   ) Apenas II é correta.

C. (   ) II e III são corretas.

D. (   ) Apenas I é correta.

E. (   ) Todas as anteriores são incorretas.

Resolução Comentada

Essa questão pode ser revista por dubiedade quanto à afirmação III

Afirmação I está incorreta. O narrador do conto não tem a intenção de registrar a linguagem popular, o próprio uso da palavra “assombro” para “surpresa”, já indica o uso do padrão culto da linguagem.

Afirmação II está correta.  O trecho “e agora prepare-se o leitor” lança um desafio ao interlocutor que o envolve.

Afirmação III está correta.   O título “o assombro” indica que há algo inesperado para o leitor, ora, o leitor já vinha acompanhando o enredo e,  portanto,  isso não seria assombroso. Lembre-se que ironia significa “dizer algo querendo dizer outra coisa”

Gabarito: C

Questão 17

Leia atentamente e assinale a alternativa correta:

A verdade é que nunca soube quais foram os meus atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que deram lucro. E como sempre tive a intenção de possuir as terras de S. Bernardo, considerei legítimas as ações que me levaram a obtê-las. [S. Bernardo, p. 48].

Com base no trecho destacado, é possível dizer que, para o protagonista:

A. (   ) qualquer fim justifica qualquer meio e não há nem bem em si nem mal em si.

B. (   ) há bem e mal, mas qualquer meio para possuir as terras de S. Bernardo é legítimo.

C. (   ) todos os meios são bons em si, mas não todos os fins.

D. (   ) nenhum meio é ruim tendo em vista um fim legítimo.

E. (   ) nenhuma finalidade é legítima, mas há meios bons e meios ruins

Resolução Comentada

Alternativa A está incorreta. No caso de Paulo Honório não se trata de qualquer fim, a sua obsessão sempre foi a posse de São Bernardo.

Alternativa B está correta. Ele afirma que não sabe o que seria bem ou mal em tudo o que ele fez, ora toda a trajetória do protagonista visava à posse da propriedade, conforme se lê na alternativa “qualquer meio para possuir as terras de São Bernardo”.

Alternativa C está incorreta. O narrador está incerto em relação aos meios, ou seja, ele não defende que todos os meios são bons em si.

Alternativa D está incorreta. Essa questão até poderia ser correta, mas ela é muito abrangente (“nenhum meio é ruim”);  além disso,  trata-se de um fim legítimo para o protagonista e não para qualquer pessoa.

Alternativa E está incorreta.  Para Paulo Honório, a finalidade de possuir São Bernardo é legítima.

Gabarito: B

Questão 18

Leia atentamente e assinale a alternativa correta.

– Escola! Que me importava que os outros soubessem ler ou fossem analfabetos? Esses homens de governo tem um parafuso frouxo. Metam o pessoal letrado na apanha da mamona. Hão de ver a colheita. [São Bernardo, p. 50].

Conforme ficamos sabendo logo adiante no enredo, Paulo Honório decide, apesar do que afirma no trecho destacado, construir uma escola em S. Bernardo porque

A. (    ) teme as retaliações do governo.

B. (    ) tem interesse em conseguir as benevolências do governador.

C. (    ) está preocupado com as ocupações do governador.

D. (    ) está preocupado em dar um emprego a Padilha.

E. (    ) não crê na educação como um direito universal.

Resolução Comentada

A alternativa A está incorreta, pois Paulo Honório busca favores do governo, não teme retaliações.

A alternativa B está correta, pois o sistema do coronelismo se funda no voto de cabresto, em que os coronéis obrigam as pessoas que trabalham para eles a votar no candidato que eles apoiam.

Assim, eles garantiam a benevolência do governo e a permanência de seus privilégios. Paulo Honório constrói a escola para alfabetizar funcionários e aumentar seu curral eleitoral.

A alternativa C está incorreta, pois ele constrói a escola para aumentar o número de votantes em suas terras, não para agradar Madalena. Ele inclusive se incomoda com a preocupação de Madalena com a escola.

A alternativa D está incorreta, pois ele não tem preocupação com a empregabilidade de Padilha, já que tira a fazenda dele. A criação da escola é uma questão política.

A alternativa E está incorreta, pois ele não se aprofunda sobre o pensamento dos significados da educação, apenas está buscando aumentar o número de votantes em suas terras.

Gabarito: B

Questão 19

E ela conhecia e temia os repentes de Nhô Augusto. Duro, doido e sem detença, como um bicho grande do mato. E, em casa, sempre fechado em si. Nem com a menina se importava. Dela, Dionóra, gostava, às vezes; da sua boca, das suas carnes. Só. No mais, sempre com os capangas, com mulheres perdidas, com o que houvesse de pior. […] E sem efeito eram sempre as orações e promessas, com que ela o pretendera trazer, pelo menos, até a meio caminho direito. [Sagarana, p. 297].

Pareceu-me que havia ali um equívoco e que, se Madalena quisesse, tudo se esclareceria. O coração dava-me .coices desesperados, desejei doidamente convencer-me da inocência dela Para quê? murmurou Madalena. Há três anos vivemos uma vida horrível. Quando procuramos entender-nos, já temos a certeza de que acabamos brigando. [S. Bernardo, p. 189].

A. (   ) Dionóra e Madalena são apaixonadas por seus maridos e não ousam .enfrentá-los, como confirmam, respectivamente, os testemunhos de Tião da Thereza e D. Glória.

B. (   ) Dionóra e Madalena inicialmente têm afeto por seus maridos, mas aconselhadas pelos padres em cada narrativa, acabam por se desiludir e resolvem se separar.

C. (   ) Dionóra e Madalena nunca amaram seus maridos, mas mantiveram seus respectivos casamentos por conveniência, como elas mesmas afirmam.

D. (   ) Dionóra e Madalena são mulheres que, em algum momento, amaram seus maridos, mas não conseguiram suportar as condições de seus respectivos casamentos, conforme seus desfechos evidenciam.

E. (   ) Dionóra e Madalena nunca amaram seus maridos e conseguiram se libertar de seus casamentos infelizes, conforme seus desfechos evidenciam.

Resolução Comentada

A alternativa A está incorreta, pois ambas enfrentam seus maridos: Dionóra ao fugir com outro homem e Madalena ao confrontá-lo por suas ideologias.

A alternativa B está incorreta, pois as figuras dos padres não influenciam nas decisões das esposas em relação a seus maridos nas obras.

A alternativa C está incorreta, pois ambas sentem afeto por seus maridos no início dos relacionamentos.

A alternativa D está correta, pois as duas são mulheres que se casam nutrindo afeto por seus maridos, mas devido ao modo como eles se comportam e se relacionam, não conseguem suportar o casamento: Dionóra foge com outro homem e Madalena se suicida.

A alternativa E está incorreta, pois, assim como em C,  sentem afeto por seus maridos no início dos relacionamentos.

Gabarito: D

Leia o trecho destacado para responder às questões 20 e 21.

Mas, apesar de montado, o chefe ainda chamou Nhô Augusto, para dizer:

—Mano velho. o senhor gosta de briga, e entende. Está-se vendo que não viveu sempre aqui nesta grota, capinando roça e cortando lenha… Não quero especular coisa de sua vida p’ra trás, nem se está se escondendo de algum crime. Mas, comigo é que o senhor havia de dar sorte! Quer se amadrinhar com meu povo? Quer vir junto?

—Ah. não posso! Não me tenta, que eu não posso, seu Joãozinho Bem-Bem…

— Pois então, mano velho, paciência.

—Mas nunca que eu hei de me esquecer dessa sua bizarria, meu amigo, meu parente, seu Joãozinho Bem-Bem! [Sagarana, p. 3191].

Questão 20

No contexto da narrativa, a resposta de Augusto Matraga é sinal de sua:

A.  (   ) regeneração, pois ele não quer voltar a ser injusto.

B. (   ) falta de caráter, pois significa uma traição para seu Joãozinho Bem-Bem.

C. (   ) amizade com seu Joãozinho Bem-Bem, pois ele o chama de amigo.

D. (   ) covardia, pois ele recusa unir-se ao bando de jagunços por medo.

E. (   ) altivez, pois ele não cede à tentação.

Essa questão pode ser revista por dubiedade quanto à alternativa E

Resolução Comentada

Alternativa A está correta.  Percebe-se na narrativa que, embora Nhô Augusto tenha vontade de acompanhar  Joãozinho Bem-Bem,  ele não o segue, pois não quer ter a vida irregular anterior, algo que prejudicaria outras pessoas, algo que o tornaria injusto.

Alternativa B está incorreta. Se ele acompanhasse Joãzinho Bem-Bem, ele não seria traidor, ele seria parceiro  do jagunço.

Alternativa C está incorreta. Acompanhar  Joãzinho Bem-Bem seria também sinal de amizade,  mas como o enunciado pede “no contexto da narrativa”,  a resposta deveria ser mais ampla como se observa na  alternativa A.

Alternativa D está incorreta. Para acompanhar Joãozinho Bem-Bem, era preciso coragem, e Nhô Augusto não tem medo de enfrentar riscos a sua vida.

Alternativa E está incorreta. No período de vida retratado nesse fragmento,  Nhô Augusto está em processo de contrição, de humildade; ele não manifesta orgulho. Ele chega mesmo a chamar Joãozinho de “parente”, demonstrando aproximação, não o afastamento que “altivez” sugeriria.

Gabarito: A

Questão 21

Assinale a alternativa que apresenta corretamente o sentido de BIZARRIA no trecho destacado.

A. (   ) Excentricidade.

B. (   ) Nobreza de caráter ou brio.

C. (   ) Esquisitice.

D. (   ) Elegância, garbo.

E. (   ) Arrogância ou insolência.

Essa questão pode ser revista por dubiedade quanto à alternativa D

Resolução Comentada

Alternativa A está incorreta. Excentricidade significa um tipo de padrão inesperado, essa palavra traduz melhor a palavra  “bizarro”, mas no contexto, Joãozinho Bem-Bem afirma que não esquecerá a hospitalidade nobre de Nhô Augusto, portanto, não se deve considerar esse uso.

Alternativa B está correta. A amizade de Joãozinho Bem-Bem após a hospitalidade demonstrada por Nhô Augusto manifesta seu bom caráter e brio (forma de agir que pode ser honrada, exaltada).

Alternativa C está incorreta. Esquisitice é sinônimo de excentricidade, se essa estivesse certa a alternativa A também estaria.

Alternativa D está incorreta. Joãozinho não é elegante, mas sim valente. Apesar de bizarria poder significar isso, não parece a melhor alternativa.  

Alternativa E está incorreta. Nesse episódio, Joãozinho foi amigo, não arrogante.

Gabarito: B

Questão 22

Assinale a alternativa correta:

A. (   ) A dificuldade de diferenciar claramente entre razão e loucura mostra que Simão Bacamarte sempre foi plenamente razoável.

B. (   )Simão Bacamarte nunca desejou distinguir entre razão e loucura, como ele mesmo afirma e o vereador concorda.

C. (   ) O trecho, em discurso direto, revela as influências românticas no estilo realista do autor.

D. (   ) A intenção satírica da narrativa é ofuscada pelo discurso direto.

E. (   ) A suspeita levantada pelo vereador evidencia a comédia de erros e as contradições do protagonista.

Resolução Comentada

Alternativa A está incorreta. No início do conto, Simão Bacamarte acredita que não é difícil diferenciar razão de loucura.

Alternativa B está incorreta. A ambição de Simão era justamente conseguir distinguir razão e loucura.

Alternativa C está incorreta. O trecho é argumentativo, se fosse romântico seria hiperbólico, emotivo ou  idealizante.

Alternativa D está incorreta. Nesse discurso direto,  revela-se a mesma ideia da narrativa como um todo; Machado de Assis pretende ironizar a capacidade da ciência de distinguir loucura e razão.

Alternativa E está correta. O vereador destaca a dificuldade em distinguir loucura de razão; ora, na trajetória de Simão Bacamarte,  percebe-se a errância dele em relação ao que é loucura, ele comete erros.

Gabarito: E

Questão 23

Acerca do sentido da narrativa, o trecho destacado permite afirmar que

A. (   ) conforme afirma Padre Lopes, apenas a teologia distingue nitidamente entre razão e loucura.

B. (   ) apenas quem for cientista, como Simão Bacamarte, e não louco, tem condições de distinguir nitidamente entre razão e loucura.

C. (   ) só é louco quem, como D. Evarista, não consegue estabelecer normas para a própria vida.

D. (   ) a tentativa de distinguir clara e distintamente entre razão e loucura é uma presunção absurda, própria de pessoas desequilibradas, como se revela o protagonista.

E. (   ) como exemplifica a prisão da esposa do boticário, saber como e quando tolerar infrações e desvios da norma dominante não basta para assegurar que alguém é perfeitamente razoável.

Essa questão pode ser revista por dubiedade quanto à alternativa D

Resolução Comentada

A alternativa A está incorreta, pois a teologia não é acionada para explicar essa questão. A opinião do padre parte do senso comum, de que é possível perceber quem é ou não louco pela vivência.

A alternativa B está incorreta, pois a crítica do conto é que a ciência não é capaz de responder a todos os questionamentos.

A alternativa C está incorreta, pois as definições do que é ser louco ou não varia ao longo no conto, não sendo possível afirmar sobre a sanidade de D. Evarista.

A alternativa D está correta, pois o conto expõe, de maneira irônica, que a presunção de definir com precisão o que define ou não uma pessoa louca é completamente ilusória. Isso não é possível, o que se comprova, pelas alterações de parâmetros. Apesar de Simão Bacamarte ser um homem muito racional, que coloca a ciência acima de tudo, ela acaba revelando ser desequilibrado nesse processo.

A alternativa E está incorreta, pois o caso da esposa do boticário demonstra que, dependendo da situação, é possível reagir de maneira mais ou menos equilibrada, sem que isso torne alguém insano.

Gabarito: D

Questão 24

Assinale a alternativa que relaciona corretamente um trecho em discurso indireto livre e sua função.

A. (   ) Dar a conhecer os pensamentos da personagem, como em: “Dionóra amara-o três anos, dois anos dera-os às dúvidas, e o suportara os demais. Agora, porém, tinha aparecido outro. Não, só de por aquilo na ideia, já sentia medo… Por si e pela filha… Um medo imenso. Se fosse, se aceitasse de ir com o outro, Nhô Augusto era capaz de matá-la. Para isso, sim, ele prestava muito. Matava, mesmo, como dera conta do homem da foice, pago por vingança de algum ofendido.” [Sagarana, p. 298].

B. (   ) Caracterizar a personagem principal, como em: “[…] finalmente o Padre Lopes explicou tudo com este conceito digno de um observador: —Sabe a razão por que não vê as suas elevadas qualidades, que aliás todos nós admiramos? É porque tem ainda uma qualidade que realça as outras: — a modéstia.” [Contos, p. 326].

C. (   ) Analisar psicologicamente o narrador, como em: “Fui indo sempre de mal a pior. Tive a impressão de que me achava doente, muito doente. Fastio, inquietação constante e raiva. Madalena, Padilha, D. Glória, que trempe!’ [S. Bernardo, p. 163].

D. (   ) Registrar na escrita a linguagem falada popular, como em: “E, pois, foi aí por aí, dias depois, que aconteceu uma coisa até então jamais vista, e té hoje mui lembrada pelo povinho do Tombador.” [Sagarana, p. 313].

E. (   ) Conversar com o leitor para aguçar a sua imaginação, como em: “—O que é que me está dizendo? perguntou o alienista quando um agente secreto lhe contou a conversação do barbeiro com os principais da vila.” [Contos, p. 321].

Resolução Comentada

Alternativa A está correta. Há discurso direto. Veja que o narrador começa a falar que Dionóra  amara Nhô Augusto pode três anos e que agora tinha aparecido outro. Considere  a  oração seguinte, “não,  só de por aquilo na ideia,  já sentia medo”. Não se pode dizer com certeza se quem afirma tal frase é o narrador  ou  se é um pensamento do personagem.

Alternativa B está incorreta. Não há discurso indireto. O travessão denuncia o uso do discurso direto.

Alternativa C está incorreta. Em um discurso indireto pode haver análise psicológica do personagem jamais do narrador, já que trata-se de um discurso sobre o personagem.

Alternativa D está incorreta. Não há discurso indireto nesse fragmento. Para haver  tal recurso, o narrador deve estar falando de um personagem em particular, e, nesse caso,  o narrador está descrevendo o que vai acontecer de forma geral.

Alternativa E está incorreta.  O trecho apresentado revela discurso direto como se observa pelo uso do travessão.

Gabarito: A

Questão 25

Leia atentamente o trecho destacado e assinale a alternativa incorreta.

Seu Ribeiro lia as cartas, conhecia os segredos, era considerado e major. [4 Todos acreditavam na sabedoria do major. Com efeito, seu Ribeiro não era inocente. […J Os outros homens, sim, eram inocentes. 1…] O major decidia, ninguém apelava. A decisão do major era um prego. Não havia soldados no lugar, nem havia juiz. E como o vigário residia longe, a mulher de seu Ribeiro rezava o terço e contava histórias de santos às crianças. É possível que nem todas as histórias fossem verdadeiras, mas as crianças daquele tempo não se preocupavam com a verdade. [S. Bernardo, pp. 43-44].

A. (   )  A metáfora do prego sugere que as decisões do major eram inquestionáveis.

B. (   ) “Seu Ribeiro era considerado” pode ser substituído sem perda de sentido por “seu Ribeiro era respeitado”.

C. (   ) O major e sua família eram, no local, a autoridade em questões legais, morais e religiosas.

D. (   ) A verdade tinha mais importância no local do que a autoridade do major.

E. (   ) A palavra “inocente” tem o mesmo sentido nas duas vezes em que ocorre no trecho.

Resolução Comentada

A alternativa A está correta, pois o trecho “o major decidia, ninguém apelava” mostra que as decisões do Seu Ribeiro eram inquestionáveis.

A alternativa B está correta, pois o verbo “considerado” foi usado no sentido que as pessoas levavam o que Seu Ribeiro falava “em consideração”, isto é, respeitavam as opiniões dele.

A alternativa C está correta, pois o trecho demonstra como Seu Ribeiro e sua mulher concentravam as atividades de juiz, padre e conselheiro.

A alternativa D está incorreta, como mostra o trecho “É possível que nem todas as histórias fossem verdadeiras, mas as crianças daquele tempo não se preocupavam com a verdade.”, talvez as histórias não sejam verdadeiras.

A alternativa E está correta, pois a primeira ocorrência de inocente significa que Seu Ribeiro seria manipulador, não seria “bobo”. A segunda, que os homens seriam “bobos”.

Gabarito: D

Questão 26

Com base no texto destacado, assinale a alternativa que apresenta corretamente duas características do protagonista.

E, ao sair, Nhô Augusto se ajoelhou, no meio da estrada, abriu os braços em crus, e jurou: —Eu vou pr’a o céu, e vou mesmo, por bem ou por mal! … E a minha vez há de chegar… P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete! … [Sagarana, p. 307].

A. (   ) ironia e brutalidade.

B. (   ) hipocrisia e falta de caráter.

C. (   ) competitividade e prudência.

D. (   ) determinação e generosidade.

E. (   ) obstinação e agressividade.

Resolução Comentada

Alternativa A está incorreta. No trecho não se observa ironia;  Nhô Augusto está sendo sincero, pretende entrar no céu de qualquer forma.

Alternativa B está incorreta. Nhô Augusto nunca foi hipócrita; quando era valentão não escondia suas intenções e quando arrependeu-se,  demonstrou isso com clareza.

Alternativa C está incorreta. Nesse trecho, ele dialoga com os céus, ou seja, não poderia haver competividade com o próprio Deus.

Alternativa D está incorreta. Nhô Augusto  realmente era determinado, quando se arrependeu, fez tudo para conseguir o perdão divino e  também era generoso, pois ajudava os outros, contudo,  no trecho, ressalta-se a uma certa agressividade.

Alternativa E está correta. O ideia de ir  para o céu de qualquer forma revela obstinação  e, quando ele diz “nem que seja a porrete!”, revela agressividade.

Gabarito: E

Questão 27

Leia atentamente o trecho destacado e assinale a alternativa correta.

Levantei-me, encostei-me à balaustrada* e comecei a encher o cachimbo, voltando-me para fora, que no interior da minha casa tudo era desagradável. [S. Bernardo, p 142].

*balaustrada: parapeito, grade de proteção ou apoio.

No trecho destacado, a palavra “que” não transmite a ideia de

A. (   ) causa.

B. (   ) consequência.

C. (   ) razão.

D. (   ) fundamento.

E. (   ) motivo.

Resolução Comentada

Lembre-se de que você deveria assinalar a alternativa incorreta.

Alternativa A está correta. O “que” está sendo utilizado com o sentido de “porque”, “pois” , ou seja,  ele olha para fora, por uma causa:  o interior da casa é desagradável.

Alternativa B está incorreta.  A frase após o “que” revela uma causa e não uma consequência.

Alternativa C está correta.  “Causa” e “razão” são palavras sinônimas; se a alternativa “a” está correta  esta alternativa também está certa.

Alternativa D está correta. “Causa” e “fundamento” são palavras sinônimas;  se a alternativa “a” está correta  esta alternativa também está certa.

Alternativa E está incorreta. “Causa” e “motivo” são palavras sinônimas;  se a alternativa “a” está correta  esta alternativa também está certa.

Gabarito: B

Questão 28

Leia atentamente o trecho destacado e assinale a alternativa que apresenta corretamente dois sinônimos possíveis para DESINTELIGÊNCIA, sem perda de sentido.

Pois, apesar das precauções que tomamos, do asbesto* que usamos para amortecer os atritos, veio nova desinteligência. Depois vieram muitas. [S. Bernardo, p. 1251.

*asbesto: amianto.

A. (   ) Desavença e desentendimento.

B. (   ) Conflito e competição.

C. (   ) Litígio e carência.

D. (   ) Solidariedade e carência.

E. (   ) Reconciliação e confraternização.

Resolução Comentada

A alternativa A está correta, pois nesse trecho Paulo Honório se refere à desentendimentos com Madalena, sua esposa. Assim, a oração poderia ser reescrita tanto com “desavença” quanto com “desentendimento”: “veio nova desavença. Depois vieram muitas.” Ou “veio novo desentendimento. Depois vieram muitas.”

A alternativa B está incorreta, pois apesar de “conflito” poder ser uma boa resposta, “competição” não caberia no relacionamento dos dois.

A alternativa C está incorreta, pois apesar de “litígio” poder ser uma boa resposta, “carência” não é um sentimento que ocorre entre o casal.

A alternativa D está incorreta, pois nem “solidariedade” nem “carência” podem ser sinônimos de desinteligência.

A alternativa E está incorreta, pois o casal só tem uma derrocada, não uma reconciliação.

Gabarito: A

Questão 29

No momento da morte de seu Joãozinho Bem-Bem, o narrador conta que “a turba começou a querer desfeitar o cadáver”, isto é, fazer desfeita, insultar, e ofender o corpo, ao que Nhô Augusto responde energicamente: “-Para com essa matinada, cambada de gente herege! […] E depois enterrem direitinho o corpo, com muito respeito e em chão sagrado, que esse aí é o meu parente seu Joãozinho Bem-Bem!” [Sagarana, p. 332].

Por essa fala, é possível entender que o título do conto alude

A. (   ) à perversidade ligada à afabilidade do protagonista.

B. (   ) à incapacidade e à falta de iniciativa de seu Joãozinho Bem-Bem.

C. (   ) ao momento da morte que revela o acovardamento do protagonista.

D. (   ) à hora da morte e à oportunidade de regeneração do protagonista.

E. (   ) à hora da vingança da família do protagonista.

Resolução Comentada

Alternativa A está incorreta. Nesse trecho, pode-se encontrar perversidade e afabilidade.  A turba é perversa e é censurada por Nhô Augusto e, por isso, ele é afável. Contudo, considerando somente Nhô Augusto, não se pode assinalar sua perversidade nesse fragmento. Ora, o título também não faz referência à perversidade, basta lembra  que “A hora e a vez de Augusto Matraga”  tematiza a realização  do bem na ação do protagonista.

Alternativa B está incorreta. Joãozinho Bem-Bem sempre foi capacitado.

Alternativa C está incorreta. No momento da morte, Nhô Augusto, mesmo sabendo que pode morrer, enfrenta Joãozinho Bem-Bem de forma corajosa.

Alternativa D está correta. O título se refere ao momento em que o protagonista consegue se redimir de  todas as suas maldades, ou seja, ele manifesta sua bondade de caráter. O mesmo pode ser observado no trecho, pois no momento em que ele pede que Joãozinho Bem-Bem seja  enterrado com respeito, ele demonstra bondade como motivo de remissão.

Alternativa E está incorreta. No final da narrativa,  não há vingança familiar; o protagonista enfrenta Joãzinho Bem-Bem  para defender um velho que invocou a Virgem.

Gabarito: D

Questão 30

Os protagonistas de “O alienista”, S. Bernardo e “A hora e vez de Augusto Matraga” têm em comum as seguintes características:

A. (   ) dissimulação e vileza.

B. (   ) benevolência e autocrítica.

C. (   ) religiosidade e obstinação.

D. (   ) excessiva ganância e vaidade.

E. (   ) obstinação e capacidade de ação.

Resolução Comentada

A alternativa A está incorreta, pois nem Bacamarte nem Paulo Honório são personagens vis ou se mostram excessivamente maldosos durante as tramas.

A alternativa B está incorreta, pois os protagonistas também não se mostram essencialmente bondosos e reflexivos sobre as próprias condutas ao longo das obras.

A alternativa C está incorreta, pois Bacamarte é um cientista, então a religiosidade não impera na vida dele e a presença da religião na via de Paulo Honório advém do interesse dele em receber o apoio do padre (no contexto histórico da obra São Bernardo, a igreja representa status e, por isso, é importante ter o apoio dela).

A alternativa D está incorreta, pois Bacamarte não apresenta traços de ganância. Todo o empreendimento de montar a Casa Verde advém do desejo científico dele de diagnosticar os loucos e os sãos, não há lucro pessoal direto envolvido nisso.

A alternativa E está correta, pois ambos os protagonistas são homens com objetivos e dispostos a correr atrás deles, mesmo que sejam necessários grande esforços ( para construir a casa verde e para conquistas e depois tocar a fazendo São Bernardo).

Gabarito: E

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Prof. Celina Gil

Prof. Celina Gil

Professora formada em Letras-Português pela Universidade de São Paulo, USP. Mestre e Doutoranda em História do Teatro pela mesma instituição.

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