Geralmente, os vestibulandos apresentam certa dificuldade em compreender as perguntas interpretativas dos vestibulares, o que pode comprometer o desempenho geral da avaliação. Para solucionar esse problema, é muito importante que o candidato conheça as ferramentas linguísticas utilizadas em uma composição textual. O texto literário, por exemplo, é uma classificação textual muito recorrente nas provas.

Com base nisso, o Estratégia Vestibulares preparou este artigo para lhe ajudar a entender os principais aspectos desse tipo textual. Acompanhe e confira!

O que é um texto literário?

O texto literário é focado, principalmente, na expressividade do autor. Em geral, esse tipo de construção é repleta de manifestações poéticas e está aberto ao espaço subjetivo. Muitas vezes, a produção é destinada ao entretenimento do leitor e pode utilizar a criatividade para a escrita ficcional

Quais as características do texto literário?

Nas composições textuais literárias, os elementos artísticos e estéticos ganham destaque. Abaixo, conheça os principais recursos utilizados por autores em suas produções:

Ênfase na função poética da Linguagem

A função poética se direciona para a forma estética do texto. Para isso, utiliza-se figuras de linguagem ou elementos que conferem expressividade à escrita. Ou seja, uso da musicalidade, exploração dos significados e ordens das palavras e/ou sentenças.

A seguir, leia um soneto de Luís de Camões:

A fermosura fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda la tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos ofrece,
me está (se não te vejo) magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.

Note que cada palavra destacada no poema possui um par que compõe uma rima sonora: serra/desterra, castanheiros/ribeiros, terra/guerra, outeiros/derradeiros, natureza/tristeza, ofrece/aborrece e magoando/passando. Análises mais profundas também demonstram que todos os versos desse soneto são metrificados em decassílabos, ou seja, contém dez sílabas poéticas.

Essas observações evidenciam a presença da preocupação formal e estética por parte do autor, o que confere o caráter literário ao texto. 

Aspecto Subjetivo 

Essa característica diz respeito ao uso do âmbito pessoal e individual da linguagem. A esfera subjetiva é caracterizada pelas emoções, sentimentos, valores e crenças do indivíduo ー o que torna o texto mais personalista.

A seguir, no trecho do poema de Luís de Camões, note a presença da subjetividade, que está marcada pela expressão dos afetos do eu lírico:

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.

Uso da Conotação

É a utilização da mensagem figurada, repleta de sentidos e significados ocultos que estão dispostos nas entrelinhas.

O poema Amora, de Marco Catalão, esteve presente na prova da Fuvest alguns anos atrás, e apresenta exemplos de conotação. Veja:

a palavra amora
seria talvez menos doce
e um pouco menos vermelha
se não trouxesse em seu corpo
(como um velado esplendor)
a memória da palavra amor

a palavra amargo
seria talvez mais doce
e um pouco menos acerba
se não trouxesse em seu corpo 
(como uma sombra a espreitar)
a memória da palavra amar

Ao considerar a palavra “corpo”, nota-se que está se referindo ao corpo/forma da “palavra amora”. Então, nesse caso, o termo “corpo” não infere a um sentido material e literal ー como o “corpo humano” ー, mas a um espaço conotativo, em sentido representativo

Interpretação Múltipla ou Plurissignificação 

Devido à alta subjetividade dos textos literários, é muito comum que admitam interpretações diversas para um mesmo trecho ー o que destaca a importância da visão pessoal para esse tipo de obra.

O poema de Ana Cristina César, em A Teus Pés, permite várias faces interpretativas. Acompanhe:

O último adeus II

O navio desatraca
imagino um grande desastre sobre a terra
as lições levantam vôo,
agudas
pânicos felinos debruçados na amurada.

E na deck-chair
ainda te escuto folhear os últimos poemas
com metade de um sorriso.

A primeira estrofe, principalmente, possibilita questionamentos, como: “que navio?”, “que lições?”, “quais felinos?”. As respostas para essas perguntas podem variar conforme o entendimento do leitor, o que demonstra a plurissignificação do texto.

Ficcionalidade

Esse traço da literatura permite a criação de “novos mundos” em que se localizam as situações textuais. Assim, os ambientes da história não precisam ser reais e são a base para o desenvolvimento do enredo. 

Confira no trecho do teatro O Marinheiro de Fernando Pessoa:

“SEGUNDA — Sonhava de um marinheiro que se houvesse perdido numa ilha longínqua. Nessa ilha havia palmeiras hirtas, poucas, e aves vagas passavam por elas… Não vi se alguma vez pousavam… Desde que, naufragado, se salvara, o marinheiro vivia ali… Como ele não tinha meio de voltar à pátria, e cada vez que se lembrava dela sofria, pôs-se a sonhar uma pátria que nunca tivesse tido: pôs-se a fazer ter sido sua uma outra pátria, uma outra espécie de país com outras espécies de paisagens, e outra gente, e outro feitio de passarem pelas ruas e de se debruçarem das janelas… Cada hora ele construía em sonho esta falsa pátria, e ele nunca deixava de sonhar, de dia à sombra curta das grandes palmeiras, que se recortava, orlada de bicos, no chão areento e quente; de noite, estendido na praia, de costas e não reparando nas estrelas.”

Nesse excerto, ocorre a formação de um cenário que não existe. Apesar disso, dentro do contexto textual, a ambientação faz sentido e, por isso, é um exemplo de ficcionalidade.

Tipos de textos literários

Agora que você conhece as características que permitem identificar um texto literário, é preciso descobrir os tipos de composições literárias existentes. Para isso, leia os tópicos seguintes.

Romance

O romance é um tipo de texto literário e narrativo. Comumente, os romances são extensos e abordam histórias fictícias. Para a formação do enredo, são criados cenários, personagens completos, tempos e contextos que aproximam o corpo textual da realidade.

As literaturas românticas podem abordar histórias de amor, drama, situação histórica, entre outras. 

Crônica 

A crônica pode ser definida como uma forma de texto direta, simples e breve. A marca principal desse tipo textual é a exposição de situações cotidianas, as quais são base para reflexões de diversos temas.

Essa classe, geralmente, utiliza o humor, a ironia e o sarcasmo para a construção de uma análise crítica do cotidiano. A publicação das crônicas pode ocorrer tanto para o meio literário quanto para o meio jornalístico, o que mostra a versatilidade desse modelo literário. 

Conto 

O conto é, também, uma literatura narrativa. Mas, ao contrário do romance, o desenvolvimento da história ocorre rapidamente. Para a construção dessa escrita breve, os autores propõem um só conflito para o texto, que se situa em um ou dois cenários e envolve poucos personagens.

Poema

Muito conhecido por todos e frequente nas provas de vestibulares, os poemas são textos dispostos em estrofes e versos

Seu caráter mais notável é a presença de rimas, mas, lembre-se, isso não é obrigatório.

A marca do poema é a musicalidade, o ritmo e a estrofação, isso faz com que a forma e a expressão sejam importantes na produção poemática – característica de texto literário. 

Agora você já domina os conceitos e as propriedades do texto literário. Com essas informações, sua percepção e interpretação textual estão aprimoradas. Para alcançar outras habilidades linguísticas, acesse o Blog do Estratégia Vestibulares.

Conheça também nossos cursos preparatórios. Clique no banner abaixo:

texto literário - Estratégia Vestibulares

0 Shares:
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode gostar também