Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 20:09

Olá, pessoal… Tudo bem? Sou a profª. Celina Gil, do Estratégia Vestibulares, e com a ajuda dos professores Fernando Andrade e Luana Signorelli, escrevo este artigo para comentar as questões da prova da UNESP e indicar o Gabarito da disciplina de Português.

Nesta página, você vai conferir todas as questões resolvidas e comentadas. Você pode, inclusive, baixar os nossos comentários sobre a prova em um PDF gratuito.

Prova UNESP 2020

Questão 01

Examine o cartum de Steinberg, publicado em seu Instagram em 06.04.2019.

Para o cartunista, a diferença entre estar ou não estar de dieta limita-se a um sentimento de

(A) culpa.

(B) euforia.

(C) tristeza.

(D) vazio.

(E) satisfação.

Resolução Comentada

  • A alternativa A está correta, pois a personagem não deixa de comer, apenas fica pensando sobre como não deveria estar comendo. Ao pensar que não deveria fazer uma ação, mas executá-la mesmo assim, a personagem sente culpa.
  • A alternativa B está incorreta, pois euforia significa “muita alegria”, e a personagem não esboça mudança de expressão indicando maior alegria.
  • A alternativa C está incorreta, pois, assim como em B, a personagem não esboça mudança de expressão para tristeza.
  • A alternativa D está incorreta, pois “vazio” denotaria certa melancolia, o que não ocorre na fala da personagem. Ela é bem taxativa ao dizer que não deveria fazer aquilo, mas não o diz denotando melancolia, e sim certeza.
  • A alternativa E está incorreta, pois a personagem não está feliz com suas atitudes.

Gabarito: A

Para responder às questões de 02 a 06, leia o trecho de uma carta enviada por Antônio Vieira ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654.

No fim da carta de que V. M.1  me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.

Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.

Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1, se a 2. Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.

Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”

São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir.

Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

(Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.)

1V. M.: Vossa Majestade.

Questão 02

À questão colocada por D. João IV, Antônio Vieira

(A) responde de maneira categórica.

(B) opta por não emitir uma opinião.

(C) finge não tê-la compreendido.

(D) admite a incapacidade de respondê-la.

(E) responde de forma enigmática.

Resolução Comentada

  • A alternativa A está correta, pois ao ser perguntado sobre o que era mais conveniente, “dois capitães-mores ou um só governador”, Vieira responde sem hesitar: “Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um”. Assim, pode-se dizer que sua resposta é  “categórica”.
  • A alternativa B está incorreta, pois apesar de dizer que não estava capacitado para tal, Vieira opina mesmo assim.
  • A alternativa C está incorreta, pois ele nunca diz que não entendeu a pergunta, ele apenas afirma que não se sente capacitado – ainda que opine mesmo assim.
  • A alternativa D está incorreta, pois, assim como em B, apesar de dizer que não estava capacitado para tal, Vieira opina mesmo assim.
  • A alternativa E está incorreta, pois ainda que responda através de uma alegoria, Vieira não deixa margem para dúvidas. Ele afirma categoricamente que “Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um”.

Gabarito: A

Questão 03

Considerando o contexto, as lacunas numeradas no terceiro parágrafo do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

(A) humildade e vaidade.

(B) necessidade e cobiça.

(C) miséria e inveja.

(D) preguiça e ganância.

(E) avareza e luxúria

Resolução Comentada

  • O trecho a que a questão se refere é “e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2”. As pessoas de quem o trecho fala são, respectivamente “um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava
  • A alternativa A está incorreta, pois ainda que se pudesse associar “humildade” a não possuir nada – entendendo humilde como um eufemismo para “pobre” – , “vaidade” tem a ver com imodéstia, presunção, não com querer sempre mais.
  • A alternativa B está correta, pois “nada ter” pode ser um sinônimo de “necessidade”, que significa carência, insuficiência; e “nada lhe bastava” pode ser um sinônimo de “cobiça”, que significa ambição, ganância.
  • A alternativa C está incorreta, pois ainda que se pudesse associar “miséria” a não possuir nada – entendendo miserável como alguém que não possui nada –, “inveja” tem a ver com ciúme, não com ambição. 
  • A alternativa D está incorreta, pois preguiça não é associada a não ter nada. Não se pode afirmar que alguém não possui nada por preguiça. Ganância, porém, poderia ser um possível sinônimo para “nada lhe bastava”.
  • A alternativa E está incorreta, pois avareza remete à ideia de mesquinharia, pão-durismo, ou seja, não se relaciona com ter nada; e luxúria apesar de luxúria poder ser entendido como “desejo excessivo”, há um aspecto mais ligado à sexualidade do que a bens materiais como parece ser o caso no texto.

Gabarito: B

Questão 04

Em sua carta, Antônio Vieira relata os padecimentos

(A) dos nativos e dos capitães-mores.

(B) dos negros e dos colonos pobres.

(C) dos nativos e dos colonos pobres.

(D) dos negros e dos capitães-mores.

(E) dos nativos e dos negros.

Resolução Comentada

  • A resposta para essa alternativa está no 4º parágrafo, nos trechos “Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios” e “além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres”.
  • A alternativa A está incorreta, pois não há referência a capitães-mores – pessoas que auxiliavam o Governador Geral com a segurança do litoral da colônia – no texto.
  • A alternativa B está incorreta, pois não se fala em “negros” no texto, apenas em índios e portugueses.
  • A alternativa C está correta, pois no quarto parágrafo são citados dois grupos como prejudicados: índios e portugueses pobres. Uma vez que os nativos eram os indígenas e os portugueses que aqui estavam eram os colonos, a alternativa correta era nativos e colonos pobres
  • A alternativa D está incorreta, pois, assim como falado anteriormente, não se fala nem de negros e nem de capitães-mores no texto.
  • A alternativa E está incorreta, pois o texto não fala de negros em nenhum momento.

Gabarito: C

Questão 05

Em um estudo publicado em 2005, o historiador Gustavo Acioli Lopes vale-se, no quadro da economia colonial, da expressão “primo pobre” para se referir ao produto derivado das lavouras mencionadas por Antônio Vieira em sua carta. No contexto histórico em que foi escrita a carta, o “primo rico” seria

(A) o açúcar.

(B) o pau-brasil. (extrativismo)

(C) o café. (XIX)

(D) o ouro. (XVIII)

(E) o algodão. (XIX)

Resolução Comentada

Atenção: questão interdisciplinar com a História.

  • A alternativa A está correta, pois a economia no Brasil colônia estava fortemente apoiada na plantação de açúcar, sendo assim, o “primo rico”. O tabaco, citado no último parágrafo do texto, não era tão responsável pelos lucros e, por isso, era chamado de “primo pobre”.
  • A alternativa B está incorreta, pois apesar do pau-brasil ser fonte de renda na economia colonial, era ligado ao extrativismo, ou seja, não havia plantações de pau-brasil. Ele era extraído e exportado.
  • A alternativa C está incorreta, pois a plantação de café só passa a ter expressividade no Brasil no século XIX.
  • A alternativa D está incorreta, pois a exploração de minério do ouro é expressiva na região de Minas Gerais, no século XVIII.
  • A alternativa E está incorreta, pois a plantação de algodão só passa a ter expressividade no Brasil no século XIX.

Gabarito: A

Questão 06

Sempre que haja necessidade expressiva de reforço, de ênfase, pode o objeto direto vir repetido. Essa reiteração recebe o nome de objeto direto pleonástico. (Adriano da Gama Kury. Novas lições de análise sintática, 1997. Adaptado.) Antônio Vieira recorre a esse recurso expressivo em:

(A) “Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam” (3o parágrafo)

(B) “e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me” (4o parágrafo)

(C) “e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias” (3o parágrafo)

(D) “São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas” (5o parágrafo)

(E) “Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos” (2o parágrafo)

Resolução Comentada

Atenção: Os Sermões de Padre Antônio Vieira são uma obra que compõe o repertório obrigatório de leituras da UNICAMP 2020.

DICA DA PROF

O objeto direto pleonástico geralmente vem em forma de pronome oblíquo; logo, a #dicadaprofa de antemão era justamente começar procurando por essa classificação de pronome.

  • Alternativa “a”: incorreta. “Respondeu que ambos lhe descontentavam”: descontentavam a eles (cidadãos romanos), está correto o uso do verbo transitivo indireto.
  • Alternativa “b”: incorreta. “Consolando-a eu pela morte de tantos filhos”: na ordem direta: eu consolo ela (quem consola, consola alguém); “pela morte de tantos filhos”: adjunto adverbial. No caso, o objeto direto está expresso correta e explicitamente pelo pronome oblíquo.
  • Alternativa “c”: incorreta. “Segundo se lhe vão logrando”: atenção, em língua portuguesa está correto o uso duplo de pronome: no caso, “se” é reflexivo e “lhe” é objeto indireto de logrando. Não há objeto direto nesse caso.
  • Alternativa “d”: incorreta. Cuidado: sequer tem pronome oblíquo nesse trecho. “São lastimosas as misérias”: no caso, este “as” é artigo definido feminino, e não pronome oblíquo.
  • Alternativa “e”: correta – gabarito. Padre Antônio Vieira é um autor do movimento literário do Barroco, cheio de rebuscamento na forma e na linguagem. Nesse trecho, há inversão da ordem direta (SVO) do português. No caso, vamos fazer análise sintática desse trecho:

“razões políticas nunca as soube”

*Sujeito: “eu” (1ª pessoa do singular, o que sabemos por meio da desinência – terminação – do verbo);

*Verbo: soube;

*Objeto direto [explícito]: razões políticas;

*As: pronome oblíquo que se refere ao termo “razões políticas”, porém, desnecessário (pleonástico, redundante), uma vez que o objeto direto já aparece explícito na oração.

Gabarito: E

Questão 07

Na tira, a morte é caracterizada como

(A) frívola.

(B) compassiva.

(C) solitária.

(D) incorruptível.

(E) materialista

Resolução Comentada

  • A alternativa A está incorreta. “Frívola” refere-se a uma pessoa que não se preocupa com questões importantes, ora a morte deve trabalhar no Iraque ceifando vidas, algo que não pode ser considerado fútil.
  • A alternativa B está incorreta. “Compassiva” pode aplicada a  uma pessoa que tem empatia em relação ao outro; é verdade que a morte diz que está com pena, mas, percebe-se que ela está sendo irônica.
  • A alternativa C está incorreta.  A morte não está incomodada por ser sozinha.
  • A alternativa D está correta.  O moribundo tenta subornar a morte oferecendo-lhe um emprego, e ela não aceita.
  • A alternativa E está incorreta. Se a morte se preocupasse com bens materiais, ela aceitaria a oferta do moribundo.

Gabarito: D

Questão 08

Constituem exemplos de linguagem formal e de linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas:

(A) “Ah, estou morrendo de pena…” e “Ainda vou trabalhar a noite inteira no Iraque, meu rapaz.”

(B) “Me adianta essa, vai…” e “É cedo para mim.”

(C) “O importante é trabalhar com o que a gente gosta.” E “Posso lhe dar um emprego bem melhor…”

(D) “É cedo para mim.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor…”

(E) “Posso lhe dar um emprego bem melhor…” e “Me adianta essa, vai…”

Resolução Comentada

É preciso tomar cuidado com a palavra “respectivamente”, significa que a primeira frase deve ser formal e a segunda deve ser coloquial.

  • A alternativa A está incorreta. A primeira fala tem um termo coloquial “pena”, portanto, não atende ao que foi pedido.
  • A alternativa B está incorreta. “Me adiante essa, vai…” é coloquial, pois  usa-se o pronome átono no começo da oração, algo não recomendado pela gramática normativa.
  • A alternativa C está incorreta.  Na primeira oração, o verbo gostar exige a preposição “de”, para expressar essa informação na linguagem formal, o personagem deveria ter dito “O importante é trabalhar com aquilo de que a gente gosta”.
  • A alternativa D está incorreta. A segunda oração está de acordo com o padrão formal como se observa pelo uso do pronome átono “lhe”, pouco usado na linguagem coloquial.
  • A alternativa E está correta. A primeira oração segue as regras do uso do pronome átono “lhe” como objeto indireto; na segunda oração, observa-se o uso do pronome átono “me” no começo da frase, traço da linguagem coloquial, além disso, observa-se a expressão “me adianta essa” que  é uma espécie de gíria para solicitar que a morte resolva o problema para ele.

Gabarito: E

Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para responder às questões de 09 a 13.

Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!

(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

Questão 09

O tom predominante no soneto é de

(A) ingenuidade.

(B) apatia.

(C) ira.

(D) ironia.

(E) perplexidade.

Resolução Comentada

  • Alternativa “a”: incorreta. Segundo o Houaiss, ingenuidade significa qualidade, caráter de ingênuo; simplicidade, candura, singeleza; ação, palavra de pessoa ingênua. O eu lírico se mostra chocado com o progresso na sua terra.
  • Alternativa “b”: incorreta. Apatia é sinônimo de indiferença e não é isso. Ele se mostra chocado, atordoado com a mudança na sua terra.
  • Alternativa “c”: incorreta. Não é raiva o que ele sente, é uma constatação pasma.
  • Alternativa “d”: incorreta. Ironia é tanto uma figura de linguagem quanto um efeito de texto quando alguém quer dizer o contrário do que foi dito. Não é ironia, mas sim a exposição de sua perplexidade.
  • Alternativa “e”: correta – gabarito. O sentimento do eu lírico pode ser definido como choque, atordoamento, perplexidade.

Gabarito: E

Questão 10

No soneto, o eu lírico expressa um sentimento de inadequação que, a seu turno, se faz presente na seguinte citação:

(A) “A independência, não obstante a forma em que se desenrolou, constituiu a primeira grande revolução social que se operou no Brasil.” (Florestan Fernandes. A revolução burguesa no Brasil.)

(B) “Todo povo tem na sua evolução, vista à distância, um certo ‘sentido’. Este se percebe não nos pormenores de sua história, mas no conjunto dos fatos e acontecimentos essenciais que a constituem num largo período de tempo.” (Caio Prado Júnior. Formação do Brasil contemporâneo.)

(C) “A ocupação econômica das terras americanas constitui um episódio da expansão comercial da Europa. A descoberta das terras americanas é, basicamente, um episódio dessa obra ingente. De início pareceu ser episódio secundário. E na verdade o foi para os portugueses durante todo um meio século.” (Celso Furtado. Formação econômica do Brasil.)

(D) “Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra.” (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil.)

(E) “A formação patriarcal do Brasil explica-se, tanto nas suas virtudes como nos seus defeitos, menos em termos de ‘raça’ e de ‘religião’ do que em termos econômicos, de experiência de cultura e de organização da família, que foi aqui a unidade colonizadora.” (Gilberto Freyre. Casa- -grande e senzala.)

Resolução Comentada

  • Alternativa “a”: incorreta. Atenção: o eu lírico demonstra um sentimento mais negativo do que positivo em relação às mudanças que ele observou em sua terra. Isso porque, árcade que ele é, ele valorizava a natureza e agora ela se revela em detrimento do progresso. Logo, o termo “revolução social”, notadamente positivo, não se aplica aqui.
  • Alternativa “b”: incorreta. O poema não menciona diretamente o povo, mas sim o sentimento subjetivo do eu lírico, seu sentimento quanto ao fenômeno do progresso.
  • Alternativa “c”: incorreta. Não é mencionado nada disso: “A ocupação econômica das terras americanas constitui um episódio da expansão comercial da Europa”
  • Alternativa “d”: correta – gabarito. O desajuste, o deslocamento e a inadequação sentido pelo eu lírico pode ser expresso em “somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”.
  • Alternativa “e”: incorreta. Cuidado: o trecho menciona “suas virtudes como nos seus defeitos” e para o eu lírico o progresso seria negativo, haja vista o seu descontentamento com o fenômeno.

Gabarito: D

Questão 11

Considerando o contexto histórico-geográfico de produção do soneto, as transformações na paisagem assinaladas pelo eu lírico relacionam-se à seguinte atividade econômica:

(A) indústria.

(B) extrativismo vegetal.

(C) agricultura.

(D) extrativismo mineral.

(E) pecuária

Resolução Comentada

Atenção: questão interdisciplinar com a História, cuja resposta levou em consideração a ajuda/consultoria do professor Alê Lopes.

  • Alternativa “a”: incorreta. Não tem como se indústria, pois ela é um processo econômico do começo do século XX, sobretudo, pós-1930.
  • Alternativa “b”: incorreta. Não, porque o extrativismo vegetal é, predominantemente, uma atividade econômica amazônica.
  • Alternativa “c”: incorreta. A agricultura nesta época poder ser considerada uma atividade de subsistência e abastecimento interno. Portanto, ela também sofre que com as transformações advindas da intensificação da atividade mineradora.
  • Alternativa “d”: correta – gabarito. Cláudio Manuel da Costa é mineiro no século XVIII, época na qual predominava em Minas Gerais a extração de minerais, principalmente, a atividade aurífera.
  • Alternativa “e”: incorreta. A pecuária é uma atividade econômica predominante no Sul e Nordeste.

Gabarito: D

Questão 12

O eu lírico recorre ao recurso expressivo conhecido como hipérbole no verso:

(A) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1a estrofe)

(B) “E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.” (1a estrofe)

(C) “Quanto pode dos anos o progresso!” (2a estrofe)

(D) “Que faziam perpétua a primavera:” (3a estrofe)

(E) “Árvores aqui vi tão florescentes,” (3a estrofe)

Resolução Comentada

Questão típica sobre figuras de linguagem. A hipérbole é uma figura de linguagem que ocorre quando há o uso de uma expressão exagerada, claramente simbólica.

  • Alternativa “a”: incorreta. A palavra “tão” é um qualificador, um advérbio que expressa grau de superlativo, mas não é porque é superlativo que é hiperbólico. Hipérbole é uma questão de gradação e de exagero.
  • Alternativa “b”: incorreta. Esmorecer significa “tornar sem ânimo, sem forças; enfraquecer, afrouxar” (dicionário Houaiss), que não expressa relação hiperbólica em relação ao adjetivo “tímido”.
  • Alternativa “c”: incorreta. A passagem exalta a passagem do tempo, mas sem caráter hiperbólico.
  • Alternativa “d”: correta – gabarito. Hipérbole significa exagero, o que pode ser expresso por meio do adjetivo “perpétua”, que é bem forte, enfático.
  • Alternativa “e”: incorreta. Novamente em relação à letra “a”, hipérbole deve dizer respeito necessariamente ao exagero, ao excessivo.

Gabarito: D

Questão 13

Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu sentido original, o seguinte verso:

(A) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1a estrofe) → Quem aquele prado fez tão diferente?

(B) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2a estrofe) → Uma fonte houve aqui; eu não me esqueço.

(C) “Ali em vale um monte está mudado:” (2a estrofe) → Ali está mudado um monte em vale.

(D) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1a estrofe) → Tudo tem tomado outra natureza.

(E) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3a estrofe) → Nem troncos decadentes vejo agora.

Resolução Comentada

Essa questão foi respondida com a ajuda/consultoria do professor Wagner Santos.

  • Alternativa “a”: incorreta. Primeiramente, trata-se de uma pergunta. No caso, o problema seria o “sem prejuízo de seu sentido original”, porque em “Quem fez tão diferente aquele prado?”, o “tão diferente” tem valor adverbial em relação ao verbo diretamente, “fez”, alterando o seu sentido. Por sua vez, em “quem aquele prado fez tão diferente?”, o termo “tão diferente” ainda continua sendo um advérbio intensificador; porém, agora, o seu sentido estaria mais relacionado ao termo “aquele prado”.
  • Alternativa “b”: incorreta. Cuidado: trecho composto por duas orações separadas pela pontuação do ponto e vírgula, sendo que a segunda permanece exatamente igual. No caso da primeira, o verbo “haver” tem uma peculiaridade de apresentar sujeito inexistente, mas ele é transitivo direto. Logo, temos na ordem direta (SVO): houve (V) uma fonte (OD) aqui (adjunto adverbial de lugar), lembrando que a posição original do advérbio é no fim da sentença, porque ele é um termo acessório da oração.
  • Alternativa “c”: incorreta. Ali é um adjunto adverbial e a posição original do advérbio é no fim da sentença, porque ele é um termo acessório da oração. Se ele se mantém no início, logo, a oração não estaria exatamente na sua ordem direta, que no caso seria: um monte em vale (S) está mudado (V – locução verbal) ali (adjunto adverbial de lugar).
  • Alternativa “d”: correta – gabarito. Esta oração é a única que na sua integridade há mudança para a ordem direta: tudo (S) tem tomado (V – locução verbal) outra natureza (OD, porque quem toma, toma alguma coisa).
  • Alternativa “e”: incorreta. Sendo o sujeito oculto, sendo identificado pela desinência (terminação) do verbo vejo (conjugado na 1ª pessoa do singular), se deveria ser SVO, aqui nós deveríamos começar então com o verbo “vejo”, o que não é o caso, porque ela aparece só lá no final. No caso, a ordem direta seria: “nem (negação) vejo (V) troncos decadentes (OD) agora (adjunto adverbial de lugar).

Gabarito: D

Questão 14

Examine os gráficos.

As dinâmicas climáticas representadas nos gráficos 1 e 2 correspondem, respectivamente, aos espaços retratados em

(A) Capitães da Areia, de Jorge Amado, e O cortiço, de Aluísio Azevedo.

(B) Vidas secas, de Graciliano Ramos, e Capitães da Areia, de Jorge Amado.

(C) Vidas secas, de Graciliano Ramos, e Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.

(D) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e O cortiço, de Aluísio Azevedo.

(E) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e Vidas secas, de Graciliano Ramos.

Resolução Comentada

Atenção: questão interdisciplinar com a Geografia, cuja resposta levou em consideração a ajuda/consultoria do professor Saulo.

  • Alternativa “a”: incorreta. Considerando que O cortiço se passa no Rio de Janeiro, o índice pluviométrico não é tão baixo no meio do ano.
  • Alternativa “b”: incorreta. Devido ao fato de Vidas secas se passar no sertão nordestino, os índices pluviométricos não poderiam ser tão altos.
  • Alternativa “c”: incorreta. Novamente, devido ao fato de Vidas secas se passar no sertão nordestino, os índices pluviométricos não poderiam ser tão altos.
  • Alternativa “d”: incorreta. Mais uma vez, considerando que O cortiço se passa no Rio de Janeiro, o índice pluviométrico não é tão baixo no meio do ano. Alternativa “e”: correta – gabarito. Considerando-se que Memórias póstumas de Brás Cubas se passa no Rio de Janeiro, há uma pequena queda no índice de pluviosidade no meio do ano. Por sua vez, no sertão nordestino de Vidas secas há um baixo índice pluviométrico no meio do ano.

Gabarito: E

Para responder às questões de 15 a 17, leia o trecho de uma fala do personagem Quincas Borba, extraída do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1891.

— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. […] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.

(Quincas Borba, 2016.)

Questão 15

Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:

(A) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”.

(B) “a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra”.

(C) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos”.

(D) “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra”.

(E) “não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição”.

Resolução Comentada

Questão sobre sentido figurado, sinônimo de sentido conotativo (do coração) ou também metafórico, oposto ao sentido denotativo (do dicionário), literal.

  • Alternativa “a”: correta – gabarito. Segundo o dicionário Houaiss, “canonizar” significa reconhecer e declarar santo (indivíduo falecido), inscrevendo no cânon dos santos, segundo as regras e rituais prescritos pela Igreja. No caso, como tem a ver com santificação, o sentido está deslocado do seu original. Além do mais, aqui se recorre ao típico uso da ironia do narrador machadiano.
  • Alternativa “b”: incorreta. “Sobrevivência” está no sentido literal, pois o segundo o dicionário Houaiss “sobrevivência” pode significar: ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir; característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro; condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa; sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
  • Alternativa “c”: incorreta. “Extermina” está no sentido literal, pois o segundo o dicionário Houaiss “exterminar” significa expulsar de algum território, região etc.; banir; destruir de maneira cruenta; eliminar por morte; fazer (algo) chegar ao fim; acabar com; extirpar.
  • Alternativa “d”: incorreta. “Guerra” está no sentido literal, pois o segundo o dicionário Houaiss “guerra” significa luta armada entre nações, ou entre partidos de uma mesma nacionalidade ou de etnias diferentes, com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos; qualquer combate com ou sem armas; combate, peleja, conflito; a arte militar; disputa acirrada; hostilidade; luta encarniçada contra qualquer coisa a que se atribua um valor nocivo.
  • Alternativa “e”: incorreta. Cuidado: talvez este termo fosse aquele que pudesse gerar dúvida, pois pode ser que ele não seja conhecido de todos vocês. “Inanição” está no sentido literal, pois o segundo o dicionário Houaiss “inanição” significa estado ou condição de inane; estado de inanido; vacuidade, esp. do estômago; inanição; estado de esgotamento ou de extremo enfraquecimento, por falta de alimentos, ou defeito de assimilação dos mesmos.

Gabarito: A

Questão 16

Considerando o contexto histórico de produção, verifica-se no trecho uma alusão irônica

(A) à teoria darwiniana.

(B) à filosofia idealista.

(C) à ideologia capitalista.

(D) à filosofia iluminista.

(E) à ideologia socialista.

Resolução Comentada

Atenção: Quincas Borba é um romance de Machado de Assis que compõe o repertório obrigatório de leituras da FUVEST 2020.

Questão que poderia ser respondida de maneira interdisciplinar com filosofia e sociologia.

  • Alternativa “a”: correta – gabarito. Distorção e oposto do humanismo e humanitismo – dos quais, pelo menos por causa do nome, parece ter sido derivada –, a filosofia de Humanitas prescreve que a ordem do mundo favorece a hierarquia. Pode ser considerada como uma sátira do darwinismo, sátira porque é como se fosse um darwinismo “que não deu certo”.
  • Alternativa “b”: incorreta. Idealismo significa, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da Filosofia), no sentido ontológico, doutrina filosófica (p.ex., o platonismo) segundo a qual a realidade apresenta uma natureza essencialmente espiritual, sendo a matéria uma manifestação ilusória, incompleta, ou mera imitação imperfeita de uma matriz original constituída de formas ideais inteligíveis e intangíveis.
  • Alternativa “c”: incorreta. Capitalismo significa, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da Economia), sistema econômico baseado na legitimidade dos bens privados e na irrestrita liberdade de comércio e indústria, com o principal objetivo de adquirir lucro. Por sua vez, como rubrica da Sociologia: sistema social em que o capital está em mãos de empresas privadas ou indivíduos que contratam mão de obra em troca de salário.
  • Alternativa “d”: incorreta. Iluminismo foi, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da Filosofia), um movimento intelectual do século XVIII, caracterizado pela centralidade da ciência e da racionalidade crítica no questionamento filosófico, o que implica recusa a todas as formas de dogmatismo, esp. o das doutrinas políticas e religiosas tradicionais; Filosofia das Luzes, Ilustração, Esclarecimento, Século das Luzes
  • Alternativa “e”: incorreta. Socialismo significa, de acordo com o dicionário Houaiss (rubrica da Política), doutrina política e econômica que prega a coletivização dos meios de produção e de distribuição, mediante a supressão da propriedade privada e das classes sociais; na teoria marxista, estágio intermediário entre o fim do capitalismo e a implantação do comunismo.

Gabarito: A

Questão 17

Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”, os termos sublinhados estabelecem relação, respectivamente, de

(A) consequência e conformidade.

(B) causa e conformidade.

(C) conformidade e consequência.

(D) causa e finalidade.

(E) consequência e finalidade

Resolução Comentada

Questão sobre valor semântico do conectivo, portanto, de Gramática Aplicada. O uso da preposição “para” + verbo no infinitivo necessariamente conduz a uma ideia de finalidade, podendo 3 das alternativas ser eliminadas logo de antemão.

  • Alternativa “a”: incorreta. O segundo conectivo deveria ser de finalidade.
  • Alternativa “b”: incorreta. O segundo conectivo deveria ser de finalidade.
  • Alternativa “c”: incorreta. O segundo conectivo deveria ser de finalidade.
  • Alternativa “d”: correta – gabarito. A oração deveria ser classificada como Oração Subordinada Adverbial Causal. São exemplos de conjunções integrantes adverbiais causais: porque, que, como, pois que, porquanto, visto que, uma vez que, já que, desde que. Nesse caso, vale o macete da substituição. Bastava substituir por um desses outros conectivos, para saber se fazia sentido.
  • Alternativa “e”: incorreta. O primeiro conectivo deveria ser de causa.

Gabarito: D

Questão 18

Examine o cartum de Pia Guerra, publicado no Instagram da revista The New Yorker em 13.11.2018.

A mercadoria a que o cartum faz alusão está diretamente relacionada ao seguinte problema ambiental:

(A) desertificação.

(B) extinção de espécies.

(C) desmatamento.

(D) assoreamento.

(E) aquecimento global.

Resolução Comentada

Essa questão é interdisciplinar com química e geografia.

Ao dizer que os dinossauros terão seus corpos vendidos em galões, a tirinha faz referência a combustíveis fósseis, tais como o petróleo.

A alternativa A está incorreta, pois a desertificação é a perda do potencial produtivo do solo, não tendo a ver com petróleo ou combustíveis fósseis.

A alternativa B está incorreta, pois apesar de os dinossauros terem sido extintos, não é a esse problema que o enunciado se refere. O problema está no presente, não no passado.

A alternativa C está incorreta, pois o desmatamento é a derrubada em grande escala de florestas, não tendo a ver com petróleo ou combustíveis fósseis.

A alternativa D está incorreta, pois o assoreamento ocorre quando o volume do rio fica mais raso devido à entrada de sedimentos, não tendo a ver com petróleo ou combustíveis fósseis. 

A alternativa E está correta, pois O acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera é atribuído à queima de combustíveis não renováveis, tais como o petróleo.

Gabarito: E

Questão 19

Tal movimento distingue-se pela atenuação do sentimentalismo e da melancolia, a ausência quase completa de interesse político no contexto da obra (embora não na conduta) e (como os modelos franceses) pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. O mito da pureza da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa dos autores desse movimento não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade material e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto.

(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

O texto refere-se ao movimento denominado

(A) Romantismo.

(B) Barroco.

(C) Parnasianismo.

(D) Arcadismo.

(E) Realismo.

Resolução Comentada

  • A alternativa A está incorreta. O Romantismo prima pelo sentimentalismo e pela melancolia e, no texto, afirma-se que, no movimento comentado, há atenuação desses dois traços.
  • A alternativa B está incorreta.  No Barroco, não havia defesa do “casticismo vernacular”, aliás, os poetas barrocos transitavam entre o português e o espanhol.
  • A alternativa C está correta. No Parnasianismo, exalta-se o ideal da “arte pela arte”, ou seja, a poesia se torna mais objetiva, menos sentimental e o poeta deve ser cuidadoso no uso da linguagem. Na época,  o poeta parnasiano representava o bom gosto das elites no Brasil.
  • A alternativa D está incorreta. No Arcadismo difunde-se o mito da Arcádia; não o mito da pureza da língua.
  • A alternativa E está incorreta. No Realismo, procura-se registrar a realidade sem enfeites, a linguagem deve ser mais objetiva, algo distante da aspiração “a uma expressão de tipo plástico”.

Gabarito: C

Questão 20

Perspectiva. Técnica de representação, numa superfície plana, do espaço tridimensional, baseado no uso de certos fenômenos ópticos, como a diminuição aparente no tamanho dos objetos e a convergência das linhas paralelas à medida que se distanciam do observador.

(Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007.) Verificam-se distorções e ambiguidades em relação à técnica da perspectiva na seguinte obra:

Resolução Comentada

  • A alternativa A está incorreta, pois a obra “A clarividência” não faz nenhuma subversão da perspectiva; pelo contrário, ela é marcada por figurativismo.
  • A alternativa B está correta, pois percebe-se que não há mudança no tamanho dos elementos a depender da distância em que se encontram. As pessoas do quadro também são do mesmo tamanho, independentemente de onde estão. Outro modo de responder à questão seria identificar que o pintor é Escher, artista que tem como uma de suas principais características a subversão da perspectiva.
  • A alternativa C está incorreta, pois há um uso da perspectiva como descrito no verbete que compõe o enunciado, principalmente na diminuição dos tamanhos.
  • A alternativa D está incorreta, pois  vê-se diferença de tamanho nas personagens, indicando que há uso da perspectiva.
  • A alternativa E está incorreta, pois há um aprofundamento da paisagem, que por estar mais distante se encontra menor.

Gabarito: B

Questão 47

A ideia de pátria se vinculava estreitamente à de natureza e em parte extraía dela a sua justificativa. Ambas conduziam a uma literatura que compensava o atraso material e a debilidade das instituições por meio da supervalorização dos aspectos regionais, fazendo do exotismo razão de otimismo social. A partir de 1930 houve uma mudança de orientação, sobretudo na ficção regionalista, percebendo-se o que havia de mascaramento no encanto pitoresco com que antes se abordava o homem rústico. Evidenciou-se a realidade dos solos pobres, das técnicas arcaicas, da miséria pasmosa das populações, da sua incultura paralisante. A visão que resulta dessa perspectiva é pessimista quanto ao presente e problemática quanto ao futuro.

(Antonio Candido. A educação pela noite e outros ensaios, 1989. Adaptado.)

O excerto assinala uma reorientação nos rumos da literatura brasileira, na medida em que os escritores

(A) deparam-se com a instituição de uma regionalização oficial pelo IBGE.

(B) passam a mostrar os aspectos do Brasil como país subdesenvolvido.

(C) reconhecem o estabelecimento de alianças democráticas no Brasil.

(D) percebem a assimilação do american way of life pelo povo brasileiro.

(E) optam pelo emprego de uma visão eurocêntrica em sua produção literária.

Resolução Comentada

Esta questão é interdisciplinar com Geografia e História, respondida junto ao professor Saulo e professor Marco. 

  • A alternativa A está incorreta, pois a primeira regionalização oficial pelo IBGE acontece em 1940, portanto 10 anos após o movimento descrito.
  • A alternativa B está correta, pois um dos aspectos da literatura modernista de 30 é o olhar para as diferentes regiões do Brasil, principalmente através da produção do romance regionalista, em que se denunciam os problemas das regiões afastadas dos grandes centros urbanos da época, principalmente do Sertão brasil.
  • A alternativa C está incorreta, pois os processos revolucionários dos anos 1930 são majoritariamente ligados a golpes de Estado, ou seja, não são tentativas democráticas.
  • A alternativa D está incorreta, pois a ideia do american way of life remete aos anos 1950, não 1930
  • A alternativa E está incorreta, pois o Modernismo de 30, movimento literário descrito no texto, busca afastar-se de referências eurocêntricas, voltando seu olhar para as diferentes regiões do Brasil.

Gabarito: B

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