Compreender a acentuação gráfica contribui para a construção de textos mais coesos e corretos quanto a ortografia e gramática. Nesse sentido, é muito importante entender as aplicações e usos da crase, um acento que causa muita dúvida entre os alunos.

Por isso, neste artigo, o Estratégia Vestibulares construiu um resumo com os principais conceitos e regras para o uso da crase. Acompanhe!

O que é Crase?

A crase é um tipo de acentuação gráfica, também chamada de acento grave. Representada por (`), ela aparece quando ocorre a fusão de dois “a” na frase. Essa soma de “a” pode acontecer entre diferentes classes de palavras, como preposição + artigo, preposição + letra inicial de pronome, entre outros.

Por exemplo, em “Mariana habitou-se a+a viagem aérea”. O primeiro “a” é uma preposição que se adere ao verbo transitivo direto e indireto “habituar”, enquanto o segundo “a” é um artigo feminino que se refere ao substantivo “viagem”.
Para que a frase esteja gramaticalmente correta, utiliza-se o acento grave: “Mariana habituou-se à viagem”.

Quando usar a crase?

A seguir, veja as principais regras de uso do acento grave:

Em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas

Nas situações em que aparecem locuções adverbiais/prepositivas/conjuntivas femininas sempre será utilizado o acento grave.
Como em: Às vezes, o medo é o nosso maior inimigo!”, “Saímos à tarde”, “Experimente nossa pizza à moda da casa”.

Antes de palavras femininas

No caso de palavras femininas associadas a verbos transitivos indiretos, ocorrerá a acentuação. Por exemplo: “ela se referia à fuga da irmã” – crase utilizada pela soma da preposição com o artigo feminino

Com verbos transitivos diretos e indiretos ligados às palavras femininas, a situação é semelhante. Veja: “Mateus ofereceu chocolate à menina” – acento grave aplicado por conta da junção da preposição com o artigo feminino

Lembre-se que verbos transitivos indiretos são verbos que suscitam o uso de preposição para se ligar ao complemento.

Quando acompanhadas de verbos que indicam destino

Os verbos que indicam destino, principalmente o verbo “ir”, devem ser bem analisados para a aplicação da crase. 

Neste caso, deve ser trocado o termo “vou” por “volto”. Após a troca, se for utilizada a preposição “de”, não haverá crase na frase inicial. Se, na troca, ocorrer o uso da preposição “da”, o acento grave ocorre.

Por exemplo, para entender se devo ou não acentuar a frase “vou a Paris”, faço a troca de palavras: “Volto de Paris”. Como foi utilizada a preposição “de”, o correto é a escrita “Vou a Paris”.
Semelhantemente, para compreender o uso da crase em “vou a Bahia”, constrói-se a substituição “Volto da Bahia”, conforme o uso da preposição “da”, a grafia da frase será “vou à Bahia”.

Para melhor compreensão, a regra contém um versinho muito famoso: 

“Vou a, volto da: crase há!
Vou a, volto de: crase pra quê?”

Antes de aquilo, aquela, aquele

No uso dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo, se antes houver artigo feminino ou preposição “a”, deve-se adicionar o acento grave. 
Confira: “refiro-me àquela namorada de Andrew” – aqui a soma acontece pela sequência de preposição, artigo feminino e pronome demonstrativo iniciado por “a”. Assim, todas as vogais se unem em um único fonema acentuado por crase.

Na indicação de horas

Na indicação de horas exatas, por meio de números cardinais, a crase deve aparecer. Observe as aplicações:
“Terminarei o exercício de gramática às oito horas da noite.”
“Estarei em casa às 10h.”

Quando não usar a crase?

Agora que você já conhece os usos da crase, aprenda quando não usar o acento grave.

Antes de palavras masculinas

A crase nunca poderá aparecer antes de palavras masculinas, isso porque não ocorre a soma do artigo definido masculino “o” com a preposição “a”. Nesse caso, surge a preposição “ao”, como em “Pediu dinheiro ao colega” 

Antes de pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo

Ou seja, antes dos pronomes eu, tu, ele, ela, elas, nós, vós, eles, elas, me, mim, comigo, te, ti, contigo, se, si, o e lhe, o acento grave não deve ser utilizado. Por exemplo em “pediu dinheiro a elaou “referiu-se a mim, entre outros exemplos.

Antes dos pronomes isso, este, esta esse, essa 

Antes dos pronomes demonstrativos isso, esse, essa, esta, este, a crase não deve ser aplicada. Como em “Por que ele se habituou a isso?”, ou em “Não tenho medo de me sujeitar a essa juíza”.

Quando o uso de crase é facultativo?

O uso facultativo da crase ocorre quando tanto a acentuação quanto a falta dela são consideradas gramaticalmente corretas. A seguir, veja em que situações isso acontece.

  • Antes de nomes próprios femininos:
    “Enviou o dinheiro a Rafaela” = “Enviou o dinheiro à Rafaela”;
  • Antes de pronomes que indicam posse:
    “Referiu-se a sua mãe” = “Referiu-se à sua mãe”; e
  • Depois da preposição “até”:
    Viajou até a praia” = “Viajou até à praia”.

Exceções

A crase pode ser utilizada para efeitos de clareza ou adjetivação dos termos. Veja dois exemplos:

  • “Preciso lavar à mão” – o uso do acento grave destaca a palavra mão; e
  • “Vou à calorosa Fortaleza” – embora “Fortaleza” não suscite o uso de crase, o termo “calorosa” admite o acento e fornece adjetivação ao substantivo.

Exercícios sobre crase

PUC-SP 2007

Em uma peça publicitária recentemente veiculada em jornais impressos, pode-se Ier o seguinte: “Se a prática leva à perfeição, então imagine o sabor de pratos elaborados bilhões e bilhões de vezes”. 

Em referência ao trecho “Se a prática leva à perfeição…”, acerca da crase (no caso, a junção da preposição ‘a’ com o artigo feminino ‘a’), é linguisticamente adequado afirmar que sua ocorrência é:

a) inadequada, pois, além de não haver junção de preposição com artigo, não altera o sentido do que é dito.
b) facultativa, porque, mesmo havendo a junção de preposição com artigo, não altera o sentido do que é dito.
c) necessária, pois, além de haver a junção de preposição com artigo, sugere que a prática seja resultante da perfeição.
d) necessária, pois, além de haver a junção de preposição com artigo, sugere que a perfeição seja resultante da prática.
e) facultativa, porque, indiferentemente de haver ou não junção de preposição com artigo, crase é uma questão estilística.

A alternativa correta é a D. Porque o verbo “levar” admite objeto indireto com preposição “a” e o artigo definido feminino se liga ao termo “perfeição”. Além disso, nesse contexto, a perfeição é consequência da frase.

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