Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 19:21

O Realismo é um movimento artístico do final do Século XIX que nasceu na Europa, mais precisamente na França. Com duração de pelo menos duas décadas o Realismo ganhou outros países europeus e americanos.

O movimento nasceu num cenário de mudanças, transformações e descobertas da sociedade da época. Abordando temas do cotidiano e criticando a sociedade burguesa da época, o Realismo veio para retratar a realidade vida das pessoas.

Dessa forma a principal característica do Realismo é a tentativa do pintor se aproximar o máximo da realidade, recusar a evasão e dar maior nitidez e definição na pintura, na tentativa de captar as cores como as vemos.

Realismo e Romantismo

Nas artes, assim como na Literatura, percebe-se, na segunda metade do século XIX, uma reação ao sentimentalismo exacerbado, característica do Romantismo; e ao artificialismo, comum do Neoclassicismo. O tema retratado pelo artista, de certa forma, passa a determinar a técnica utilizada.

Aqui, observamos a mudança temática radical entre o movimento Romantista e o Realismo. O nome do quadro a seguir é “Dois homens observando a lua”, de Caspar David Friedrich (1774-1840). O nome da pintura por si nos dá uma das características mais importantes do Romantismo: a evasão.

realismo e impressionismo: “Dois homens observando a lua”, de Caspar David Friedrich (1774-1840) - Imagem: Shutterstock
“Dois homens observando a lua”, de Caspar David Friedrich (1774-1840) – Imagem: Shutterstock

Vamos analisar a pintura

Na obra de Friedrich, os homens encontram-se de costas para quem observa o quadro, conduzindo o olhar do espectador para a natureza. A lua ocupa o centro da tela e a árvore, em primeiro plano, toma quase todo o plano pictórico.

O declive acidentado e a árvore retorcida obrigam o intérprete a encontrar beleza na natureza bruta e na incomensurabilidade de um mundo que parece esmagar os homens, mas que, por isso mesmo, enche-o de admiração.

O foco da arte realista é outro: o próprio homem. Se há algum esmagamento, ele não ocorre por forças místicas do mundo, mas pelas próprias relações sociais que surgem como fatores determinantes de como as pessoas vivem.

A beleza deve estar no cotidiano, mesmo que miserável. A arte nas mãos de Honoré Daumier, por exemplo, vai além do “belo pelo belo”, devendo servir como expressão de denúncia social.

Realismo

Aliás, a história do pintor nos dá uma boa ideia do Realismo na pintura. Nasceu em 1808, em Marselha e morreu em 1879  em Valmondois. Na adolescência, começa a se interessar por artes e teve aulas no ateliê de um ex-aluno de David.  Trabalhou como ilustrador.

Em 1831, por causa de uma caricatura na qual ridicularizava o rei Luís Felipe, foi preso. Em liberdade, assina contrato com revistas de ilustrações e caricaturas de Paris.

Em 1843, produziu litografias sobre os inconvenientes do transporte ferroviário. Desse estudo, ele produziu “O vagão de terceira classe”. A intenção dele era descrever com maior precisão a realidade social ou humana, quase como um documentário.

O artista acreditava que:

  • havia uma luta entre homem e natureza (não, a natureza não era confidente do sujeito!) ou luta entre classes sociais;
  • a realidade seria determinada por questões materiais; e
  • havia momentos na simplicidade do cotidiano que poderiam revelar muito sobre a condição humana.
realismo e impressionismo: A mulher em primeiro plano olha fixamente para o espectador numa atitude de resignação, mas também de acusação. A criança que se recosta nela dorme, denunciando o cansaço.

Os detalhes da imagem são surpreendentemente perturbadores. A mulher em primeiro plano olha fixamente para o espectador numa atitude de resignação, mas também de acusação. A criança que se recosta nela dorme, denunciando o cansaço.

Alguns passageiros do segundo plano também olham para frente numa atitude de desafio ao olhar de quem os observa. A mulher ao lado amamenta o filho, alheia a tudo e a todos. Trata-se da apoteose do cotidiano.

A obsessão pelo “real” pode ser observada em algumas das obras significativas desse período. A francesa Rosa Bonheur (1822-1899) se especializou na pintura de animais, que manifesta uma pesquisa quase científica voltada para a representação figurativa.

realismo e impressionismo

Um outro exemplo dessa confluência entre ciência e arte  pode ser percebido no quadro “A clínica de Agnew”  do americano Thomas Eakins (1844-1916). Pintor realista, ele  provocou polêmica ao pintar uma cirurgia de câncer de mama feita pelo Dr. Agnew diante de uma galeria de estudantes e médicos.

Outro pintor que provocou controvérsia foi Gustave Coubert (1819-1877). Influenciado por Velázques, vale-se do claro e escuro para dar dramaticidade ao cotidiano dos trabalhadores  (“Os quebradores de pedra”, por exemplo). A pedido de um diplomata turco, Gustave Coubert produziu uma das mais polêmicas obras de arte.

Trata-se do quadro “A origem do mundo”, uma representação realista do púbis de uma mulher deitada de pernas abertas.  Não se vê o rosto da modelo, apenas o seu quadril exposto. A imagem incomoda até hoje. Em 2009, livros com essa imagem na capa foram confiscados em Portugal e, em 2011, páginas do Facebook que tinham essa imagem foram tiradas do ar.

Características do Realismo

  • oposição ao movimento romantista
  • reprodução da realidade
  • linguagem comum
  • temáticas sociais e o cotidiano
  • apego com o presente
  • ausência de heróis
  • histórias protagonizadas por pessoas comuns
  • análise crítica da sociedade

Pintores e Obras do Realismo

Principais artistas do Realismo e suas obras:

Gustave Courbet

– Os quebradores de pedras (1849)
– Um funeral em Ornans (1849)
– Bom dia, senhor Courbet (1854)
– O ateliê do artista (1854)
– O sono (1866)
– O mar tormentoso (1870)

Edouard Manet

– O cantor espanhol (1860)
– Música dos Jardins dos Tulherias (1862)
– Olímpia (1863)
– Almoço na relva (1863)
– Le Balcon (1868)

Honoré Daumier

– Gargântua (1831)
– Abaixem a cortina, a farsa acabou (1834)
– O melodrama (1860)
– O vagão da terceira classe (1864)
– O levantamento (1870)
– O conselho de guerra (1872)

Jean-François Millet

– O semeador (1850)
– Os catadores (1857)
– O Angelus (1857)
– Os coletores de ninhos (1874)

Théodore Rousseau

– Mercado na Normandia (1848)
– A aldeia de Barbizon (1850)
Pôr do Sol sobre a floresta (1866)
– O Sol perto de Arbone (1868)

Jules Breton

– Representação de um calvário (1858)
– O fim de um dia de trabalho (1867)
– Arco-iris no céu (1883)
– A canção da Cotovia (1884)
– Verão (1891)

Jean-Baptiste Camille Corot

– La Rochelle entrada do porto (1851)
– Lembranças de Mortefontaine (1864)
– Ville de’Avray (1867)
– Vacas numa paisagem pantanosa (1870)

Adolph Menzel

– A janela francesa (1845)
– Sala de estar com irmã de Menzel (1847)
– Entardecer nos jardins dos Tulherias (1867) 
– Voltaire na corte de Frederico II (1849)
– Concerto de flauta (1852)

Edward Hopper

– Noite azul (1914)
– Sombras da noite (1921)
– Moça na máquina de costura (1921)
– Casa perto da estrada de ferro (1925)
– Automat (1927)

Realismo no Brasil

A história das artes de maneira institucional no Brasil começa com a vinda da família real, que traz para o Brasil a Missão Francesa. Artistas como Taunay (1755-1830) e  Debret (1768-1848) deixam uma grande quantidade de quadros que registraram o cotidiano no Brasil.

Em 1826, a Academia Imperial de Belas-Artes abriu seus cursos. Surge uma arte acadêmica que abrangia retratos, temas bíblicos e históricos. Batalha do Avaí (1877) e Independência ou Morte (1888), de Pedro Américo (1843-1905), exemplificam esse tipo de arte.

Mas foi Almeida Junior (1850-1899) que alterou os rumos da pintura dita acadêmica. Depois de concluído o curso de Belas-Artes, ele recebeu uma bolsa de estudos dada pelo Imperador e viveu em Paris entre 1876-1882.

Quando retornou, expôs quadros com temática mais cotidiana como Leitura (1892), Picando fumo (1893)e  O violeiro (1899). Nas duas últimas, observa-se inspiração regionalista. Alteram-se os temas consagrados pela academia.

A imitação dos clássicos e dos temas mitológicos ou heroicos cede lugar para o cotidiano. Os grandes nomes dessa nova vertente artística são: Belmiro Barbosa de Almeida (1858-1935) e Benedito Calixto (1853-1927).

realismo e impressionismo
“Puxão de orelha”, Almeida Junior

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