Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 19:19

O que foi o Expressionismo? Para falar dessa Vanguarda europeia, novamente, poderíamos começar pela palavra. O termo que denomina o movimento deriva de “expressão”. Ou seja, tendo percebido a realidade a partir das impressões emotivas, o artista procura expressar  sua forma singular de ver o mundo.

Expressionismo - quadro o grito
O Grito (1893)

Considere a mais famosa imagem desse movimento, “O Grito” (1893). A pintura apresenta uma figura humana sem sexo definido num momento de profundo desespero. A angústia não está só no personagem, mas em todas as figuras representadas na tela.

As pinceladas fortes e deformadoras parecem imprimir a cada  objeto  representado o efeito de  um grito de desespero. As cores fortes utilizadas aumentam a sensação de intensa emoção que se manifesta  e contamina a natureza.

Embora esse seja o exemplo mais típico para fixar as características desse movimento, o pintor dessa obra não era exatamente expressionista. Edvard Munch (1864-1944) foi precursor do movimento que teve início na  Alemanha por volta de 1905.

Está associado à criação da Die Brücke (1909), um grupo de artistas que se opunham ao positivismo  do movimento impressionista e davam vazão ao mal-estar típico de uma Europa que caminhava para a Primeira Guerra Mundial.

A realidade horrível que se desenhava no horizonte não poderia ser expressa de forma tranquila. O conceito de belo deveria ser revisto, pois a beleza nesse caso flerta com o trágico.

Características do Expressionismo

Podem-se destacar as seguintes características da pintura do movimento expressionismo:

  • Uso de cores fortes e contrastantes;
  • Deformação da figura,  contornos deformados
  • Uso de pinceladas marcantes, como se  o gesto fosse determinante da imagem
  • Grossas camadas de tinta
  • Temas sombrios como forma de deixar clara a relação entre imagem e percepção subjetiva.

Palavras-chave

Irracionalismo, deformação do objeto representado, imagem mediada pelos sentimentos do artista.

O Manifesto Expressionista

O Manifesto Expressionista foi escrito em 1918 por Kasimir Edshmid (1890-1966).

Trecho do Manifesto Expressionista

[O expressionismo] luta, ao mesmo tempo, contra a decalcomania burguesa do naturalismo e contra o objetivo mesquinho que este persegue: fotografar a natureza ou a vida cotidiana. O mundo aí está, seria absurdo reproduzi-lo tal qual, pura e simplesmente.
(…) A realidade tem que ser criada por nós. A significação do assunto deve ser sentida. Os fatos acreditados, imaginados, anotados não são o suficiente; pelo contrário, a imagem do mundo tem de ser espelhada puramente e não falsificada. Mas isso está apenas dentro de nós mesmos.

O Expressionismo nas artes visuais

O Expressionismo foi bastante influente nas artes plásticas  e deixou marcas profundas na cultura. A classificação de uma obra como expressionista não deve representar grande dificuldade para você. A palavra-chave é deformação.

O gabinete do Dr. Caligaris

Essa cena é de um filme  expressionista de 1920,  O gabinete do Dr. Caligaris (figura 14). Era um filme em preto e branco. Observa-se, nas imagens, o gosto pelo exagero e pela imagem desfigurada.

Nessa cena, o teto e as paredes estão distorcidos o que lembra os traços de Van Gogh (1853-1890).  Os personagens vivem num ambiente opressor, bem percebido pelo espectador. A maquiagem mais carregada do que de costume dá um caráter dramático.

Pode-se sentir a catástrofe da sociedade europeia observando essas cenas. Não foi à toa que  Hitler condenava tal tipo de arte. Em 1937, ele organizou, em Munique, uma exposição de arte expressionista a qual chamou de Exposição de Arte Degenerada.

O Expressionismo na literatura

Houve na Europa uma Literatura Expressionista de renovação temática e estilística. Os autores não obedeciam ao encadeamento argumentativo baseado em causa-consequência, nem na sucessão clara temporal.  Introduziram a simultaneidade num estilo  que procurava mostrar mais do que explicar.

Um grande exemplo de autor do Expressionismo na literatura que se aproxima dessa postura é Franz Kafka (1883-1924). O autor cria enredos alegóricos absurdos. Em  A Metamorfose, por exemplo, ele parte de uma situação inicial em que o protagonista, sem explicação, transforma-se em um inseto.

No Brasil, não há grandes expoentes de prosa expressionista. Contudo, costuma-se a atribuir traços dessa escola a Raul Pompeia  (1893-1895), escritor realista/naturalista, em O Ateneu. Ele apresenta quadros exagerados devido à grande carga emocional do narrador ao descrevê-los. Acaba reduzindo os personagens a caricaturas grotescas

Trecho de “O Ateneu”

“Os companheiros de classe eram cerca de vinte; uma variedade de tipos que me divertia, O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, motilidade brusca e caretas de símio – palhaço dos outros, como dizia o professor; o Nascimento, o bicança, alongado por um modelo geral de pelicano, nariz esbelto, curvo e largo como uma foice; (…) o Negrão, de ventas acesas, lábios inquietos, fisionomia agreste de cabra, canhoto e anguloso…” (Raul Pompéia, O Ateneu)

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