A disciplina de História compreende os diversos períodos políticos e econômicos de um povo ou território. Nesse sentido, os vestibulares buscam o conhecimento histórico do aluno, principalmente sobre a História Brasileira. Sabendo disso, neste artigo, o Estratégia Vestibulares aborda sobre Revoltas Regenciais, que agitaram as províncias brasileiras nesse período. Acompanhe!

Período Regencial: o que é?

O período regencial é compreendido entre o Primeiro e o Segundo Reinado Brasileiro. Assim, aconteceu entre a renúncia de Dom Pedro Ⅰ e a posse de Dom Pedro ⅠⅠ. Essa fase foi marcada por instabilidade política e econômica: uma grande tentativa de redefinir a política brasileira após a abdicação do trono.

Nesse momento, ideais emancipacionistas, liberalistas, republicanos e abolicionistas ganharam força no país. Esse cenário abriu portas para a eclosão de muitas revoltas por todo o território brasileiro . 

Revoltas Regenciais: Cabanagem

A revolta regencial denominada Cabanagem deu-se início em 1835, no  Pará – na época, conhecida como província do Grão-Pará –. O grupo de revoltosos era formado por pessoas em situação de pobreza, morando em cabanas, por isso, aqui surge o nome “Cabanagem”. Esses indivíduos representavam o descaso social das elites com os mais pobres: exclusão social, fome e miséria.

Inclusos nesse cenário estão os indígenas, mestiços, pobres, quilombolas, comerciantes e outras classes sociais. Tal fato conferiu um caráter eclético ao movimento. Surge, nesse sentido, uma grande proposta separatista e elitista, que usou a insatisfação popular para promover o levante. A grande chamada da revolta era a maior autonomia da província, que garantiria maior autonomia da elite sobre a população. 

As manifestações dessa insurreição foram marcadas por muita violência popular, incluindo assassinatos e cenas sanguinárias. Apesar de toda a luta do movimento, ele foi duramente massacrado pela repressão regencial e provinciana – governador do Grão-Pará –, o que fez com que ele chegasse ao fim em 1940.

Revoltas Regenciais: Farroupilha

Essa revolta regencial é a de maior destaque no período regencial: o movimento mais radical e de maior persistência, tendo durado de 1835 a 1845, ou seja, resistiu até o Segundo Reinado, quando Dom Pedro ⅠⅠ assumiu o trono. Situada na fronteira entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a revolta Farroupilha abrangeu as reivindicações da elite – grandes fazendeiros, charqueadores e estancieiros.

O protesto era contra os impostos exagerados, a exclusão social, o abandono político e principalmente: a questão do charque e o governo. Por meio de relações comerciais complexas, as taxas fiscais sobre o charque favoreciam o preço do charque internacional, enquanto desvalorizavam a carne sulista perante o mercado financeiro. Esse quadro causou indignação na população daquela região. 

Assim, buscando maior equilíbrio entre a produção externa e a interna, os manifestantes propunham a taxação justa para os charqueadores internacionais ou nacionais – balanceando as questões competitivas.

Outras questões estavam em pauta, como a insatisfação governamental e o clamor por maior autonomia provinciana. Com o passar do tempo, ideias separatistas se fortaleceram no movimento e então, foram idealizadas duas Repúblicas: a República Juliana – localizada na atual Santa Catarina – e a República de Piratini – onde, hoje, está o Rio Grande do Sul.

Fato é que, não houve forte instalação desses projetos, que ficaram marcados como momentos de grande autonomia dessas províncias.

Grande destaque se dá a esse levante que, por vezes, é nomeado de Revolução Farroupilha, já que era republicano, durou 10 anos e atingiu seu principal objetivo. Além disso, essa revolta regencial representou uma ameaça de fragmentação do território imperial.

O desfecho do movimento ocorreu após negociação entre governo e revoltosos, no documento que ficou conhecido como Tratado de Poncho Verde. Encerrando a Guerra dos Farrapos, o Tratado de Poncho Verde garantiu aos revolucionários: anistia, equidade fiscal e outros pontos requeridos.

Revoltas Regenciais: Malês

A Revolta dos Malês aconteceu em Salvador, na Bahia e reuniu, predominantemente, negros muçulmanos que eram contrários à escravização promovida pela Igreja em . O movimento teve forte influência haitiana e ganhou muita força por representar a resistência de muitos negros escravizados em uma mesma região do território. 

O levante contou com a ação de cerca de 600 escravos que se revoltaram com as condições de escravidão, tortura e massacre promovidas pelos senhores. A expressão e destaque dessa revolta causou medo na elite. 

O nome Malê, relaciona-se à palavra de origem africana imalê muçulmano. Os escravos envolvidos no movimento eram todos africanos e de ambiente urbano. As culturas de maior destaque na revolta são as de iorubá e de nagô.

O plano desenvolvido por esses escravos não fluiu, pois foram feitas denúncias que o impediram de prosseguir. Devido a questões socioculturais daquela época, a repressão foi gigantesca e incluía castigos físicos e morais – qualquer manifestação contrária à ordem escravista era punida e reprimida. Essa atitude demonstrava o maior medo da elite regencial: a força da resistência negra e o vigor da ação haitiana.

Revoltas Regenciais: Sabinada

A revolta Sabinada, que ocorreu em território baiano, entre 1837 e 1838, tinha caráter, principalmente, separatista. A reivindicação vinha das classes médias que não concordavam com as ordens do Rio de Janeiro, e desejavam uma organização mais federalista do território além de almejarem melhores condições econômicas.

O contexto dessa revolta envolve a recessão do açúcar, que influenciava diretamente o mercado baiano. Além disso, muitos dos revoltosos eram militares que não concordavam com o soldo (salário) e com o recrutamento para atuar na guerra dos farrapos sulistas. O principal nome do movimento é Francisco Sabino, que inspirou o termo “Sabinada”.

O ato revolucionário do movimento instaurou a separação da Bahia do território brasileiro até que Pedro ⅠⅠ assumisse o trono. A revolta termina com a repressão imposta pela Guarda Nacional e sem grandes conquistas políticas ou econômicas. A Sabinada é considerada, por muitos historiadores, um fracasso.

Revoltas Regenciais: Balaiada

O nome vem de “balaio”, que representa os cestos comercializados na região do Maranhão. A reivindicação dos comerciantes era contra os altos impostos que prejudicavam a vida dos vendedores em geral. 

O contexto histórico envolve uma grande crise algodoeira, com a piora das condições de vida: miséria e exclusão social. Além disso, as elites disputavam ideologias políticas, enquanto a população padecia diariamente.

Todo o contexto sociopolítico contribuiu para a mobilização popular contra o governo. O movimento teve alguns êxitos, mas foi enfraquecido com a morte de um dos principais líderes: o Balaio

Ao final dessa revolta, as tropas nacionais – dirigidas por aquele que seria, posteriormente, o Duque de Caxias – dominaram terras maranhenses. Grande parte dos balaios foram anistiados, e outros morreram. Duque de Caxias foi honrado por conseguir reprimir essa revolta social.

O fim das Revoltas

Por fim, é válido lembrar que todo o cenário descrito neste artigo, contribuiu para a piora do quadro social, político e econômico do Brasil Regencial. No mais, a situação causou grande pressão, o que culminou na renúncia do regente Feijó.

Curtiu o conteúdo? Então não perca tempo, acesse o Estratégia Vestibulares e tenha acesso a aulas e materiais exclusivos sobre esse e outros assuntos!

Para conhecer nossos planos de assinatura, clique no banner abaixo: 

0 Shares:
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode gostar também
Revolução Mexicana: tudo sobre!
Leia mais

Revolução Mexicana: tudo sobre!

No século XX, a América Latina sofreu mudanças significativas em sua estrutura. Dentro de vários países do continente…