Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 16:45

O protagonismo assumido pelos militares na política não se encerrou com o golpe que implantou a República no Brasil. O marechal Deodoro da Fonseca, líder da conspiração do 15 de novembro de 1889, foi nomeado presidente em caráter provisório, tendo como vice o marechal Floriano Peixoto.

Este também chegou a ocupar a cadeira presidencial, entre 1891 e 1894, e anteriormente havia sido uma das principais lideranças militares na transição para a nova forma de governo.

O fato de dois marechais ocuparem a presidência nos anos iniciais da República fez com que muitos historiadores denominassem o período de República da Espada (1889-1894).

A eleição do primeiro civil para a presidência da República, Prudente de Morais, encerra essa sucessão de governos militares, dando início a um período chamado de República Oligárquica (1894-1930).

Contudo, uma outra cronologia também é possível na abordagem do período que estudaremos agora, que pode ser dividido da seguinte maneira:

A consolidação (1889-1898)

Ao longo dos governos Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Prudente de Morais, a sobrevivência da forma de governo republicana era ainda dada como incerta, e nem mesmo estava claro qual projeto de República iria prevalecer. Assim sendo, podemos considerar os primeiros anos do pós-1889 como um período de consolidação.

Estabilidade (1898-1930)

A partir da afirmação da política dos governadores, arranjo organizado pelo governo Campos Sales, a forma de governo republicana adquire maior solidez. Isso não significa dizer que os governos deste momento não sofreram contestação, mas que a República já era algo dado como posto.

Neste artigo, trataremos veremos apenas o momento da consolidação, quando diversas agitações políticas e sociais ameaçaram a implantação da forma de governo republicana no Brasil.

Que República?

A batalha de projetos e símbolos

Entre 1889 e 1898, pelo menos três correntes republicanas disputavam pela implantação de seu projeto político no Brasil: o liberalismo, o jacobinismo e o positivismo.

Vejamos cada uma delas:

república no brasil - imagem do primeiro esboço da bandeira brasileira

Liberais

Inspirado na experiência norteamericana, boa parte deste grupo era composta por cafeicultores vinculados ao Partido Republicano, fundado em Itu (SP) no ano de 1873, além de classes proprietárias do Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Sem almejar a participação popular, este projeto tinha como mote a implantação de uma República federalista, com o sistema bicameral (ou seja, duas Câmaras legislativas). Vale destacar que essa ala foi a vitoriosa na Constituição de 1891.

Positivistas

Corrente política composta principalmente por militares e setores do Partido Republicano do Rio Grande do Sul. Adotando as ideias de Auguste Comte, propunham a superação da Monarquia (fase teológico-militar) por uma ditadura republicana (fase positiva), com um governo centralizado e forte.

O projeto positivista foi sintetizado no lema Ordem e Progresso, e mesmo não sendo o modelo republicano prevalecente no país, teve força suficiente para se impor na bandeira oficial. Outro ponto reforçado pelos positivistas era a separação entre Igreja e Estado, dado que a Monarquia se mostrara extremamente vinculada ao catolicismo por meio do padroado.

república no brasil - imagem da bandeira do brasil
  • As cores verde e amarelo, que na bandeira imperial representavam as cores da Família Real, foram mantidas.
  • O lema Ordem e progresso é derivado da frase “O amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim, de Auguste Comte.
  • As estrelas, representando os estados brasileiros, foram posicionadas de acordo com o céu do Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1889.

A corrente republicana minoritária era tida pelas demais como radical, e por isso denominada de “jacobina”, em referência aos revolucionários mais enérgicos da Revolução Francesa.

Os “jacobinos” do Brasil tomavam a República de Robespierre como inspiração, e por isso consideravam o Segundo Reinado equivalente ao Antigo Regime, devido a seus alegados “vícios” e “corrupção”.

Para compensar sua inferioridade numérica no movimento republicano, os pequenos proprietários, advogados, jornalistas e estudantes do jacobinismo faziam grande barulho nas ruas e nos jornais da capital, utilizando-se de diversos símbolos franceses da Revolução.

Contudo, ainda que se considerassem “revolucionários” e a favor de uma República com participação direta, o jacobinismo não chegou a formar um projeto político consolidado, sendo pouco claro quem era o povo para estes indivíduos.

As três correntes se limitavam a discutir suas concepções de república entre si, sem suscitar a participação popular sobre os rumos do país.

Apesar disso, não faltaram tentativas de legitimação da República perante o corpo de cidadãos através de imagens, símbolos e outras representações. Um destes elementos foi a bandeira nacional, que, como vimos, foi fortemente influenciada pelos ideais positivistas.

Outra preocupação dos republicanos foi a busca por um herói que representasse o novo regime, e com isso, conseguisse certo engajamento popular.

Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamin Constant, três dos principais nomes por trás do 15 de novembro, eram sérios candidatos para encarnarem a ideia de herói da República, mas encontravam resistências dentro do próprio movimento republicano.

A solução para a República Brasileira ser consolidada

A solução foi buscar uma figura do passado, mais especificamente do período colonial: Tiradentes.

A Inconfidência Mineira, como você deve se lembrar, foi um movimento que propunha a ruptura com a monarquia portuguesa em favor de uma República Confederada, aos moldes da experiência norte-americana.

O episódio, e as duras penas impostas aos envolvidos na conspiração, sobreviveram no imaginário dos brasileiros até o final do século XIX, o que tornava Tiradentes figura conhecida entre as classes populares.

Dessa maneira, os republicanos iniciaram um culto cívico ao “mártir da Inconfidência”, decretando a data de sua condenação, o 21 de novembro, feriado nacional do novo regime.

E apesar de seu verdadeiro rosto não ser conhecido, isso não impediu com que surgissem uma série de pinturas, quadros e caricaturas representando este personagem, boa parte associando-o à figura de Jesus Cristo.

Assim como o filho de Deus, Tiradentes também havia sido traído e duramente condenado pelas suas convicções, mas encarou serenamente a morte perante uma multidão que aguardava o seu suplício.

Em um país marcado pela religiosidade cristã, esse paralelo conquistou o seu lugar no imaginário popular. Tiradentes se tornou símbolo da República, do ideal de liberdade, e de toda a Nação.

Então é isso, pessoal!! A seguir, você confere outros artigos relacionados à república brasileira. Espero que o artigo tenha sido útil para seus estudos. Siga-me nas redes sociais e acompanhe nosso blog. Sempre publicaremos dicas e conteúdos gratuitos. Um abraço e até a próxima!

Instagram: @profmarco.tulio

Facebook: marcotulio.gomes.186

Twitter: @profmarcotulio

CURSOS PARA VESTIBULAR

0 Shares:
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode gostar também