Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 16:50

Olá, queridos alunas e queridas alunas… Tudo bem? Sou a prof. Alê Lopes, do Estratégia Vestibulares, e escrevo este artigo com a ajuda do prof. Marco Tulio, para resolver a prova da FUVEST 2020 e indicar o gabarito das questões da disciplina de História.

Nesta página, você vai conferir a resolução completa e ainda poder baixar os comentários em DPF. Vamos nessa??

Prova FUVEST 2020

Questão 58

Pesquisadores do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, encontraram o crânio e uma parte do fêmur de Luzia, o esqueleto humano mais antigo descoberto na América que revolucionou as teorias científicas sobre a ocupação do continente. Os fósseis foram achados há alguns dias (não foi divulgado quando) junto aos escombros do edifício, parcialmente destruído por um incêndio em 2 de setembro. O crânio está fragmentado, porque a cola que mantinha os seus pedaços juntos se foi com o calor, mas a equipe está bastante otimista com suas condições.

Júlia Barbon, Folha de São Paulo, Outubro/2018. Adaptado.

O esqueleto de Luzia,

(A) adquirido por D. Pedro II em 1876, foi incorporado à sua coleção pessoal, a mesma que deu origem ao Museu Nacional no período republicano.

(B) descoberto na década de 1970 em Minas Gerais, permitiu questionar a teoria de que a ocupação das Américasse deu por apenas uma onda migratória.

(C) estudado por diferentes equipes de antropólogos, comprovou que grupos saídos diretamente da África foram os primeiros habitantes das Américas.

(D) encontrado na atual Serra da Capivara, no Estado do Piauí, pertenceu à cultura que elaborou suas famosas pinturas rupestres.

(E) mantido em uma coleção particular fora do país, estava exposto para comemoração dos 150 anos da passagem de Charles Darwin pelo Brasil.

Resolução Comentada

Pergunta interessante, pois remete à tragédia do incêndio no Museu Nacional, que pegou fogo Luzia foi encontrada no começo dos anos 1970, por uma missão arqueológica realizada por Brasil e França. O crânio estava entre as escavações realizadas na Lapa Vermelha, localizada em Pedro Leopoldo, Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).

O fóssil possuía de 12 500 a 13 000 anos e, por isso, foi considerado como a mulher mais antiga das Américas e também a primeira brasileira. O fóssil Luzia foi nomeado pelo biólogo brasileiro Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), que se inspirou em outro fóssil, Lucy, encontrado na Etiópia em 1974, de 3,5 milhões de anos.

Os traços de etnias negras de Luzia possibilitaram averiguar que o continente americano foi ocupado por quatro fluxos migratórios. Três compostos por populações de origem mongol, geneticamente semelhantes às tribos indígenas atuais; e um quarto fluxo migratório de não mongóis, com características similares as dos africanos e dos aborígines da Austrália.

Veja o comentário de cada alternativa:

  • – A alternativa A está incorreta. O Museu Nacional foi criado em 1818, durante o período joanino. A instituição faz parte de uma série de iniciativas fomentadas pelo rei luso, voltadas ao desenvolvimento das artes e ciências na nova sede do Império português.
  • – A alternativa B é a resposta. O crânio batizado de Luzia foi encontrado em Pedro Leopoldo,  Minas Gerais, por uma equipe de arqueólogos liderada por Annette Laming-Emperaire, na década de 1970. Recentemente, equipes internacionais de pesquisadores analisaram o genoma de Luzia e outros fósseis de antigos habitantes das Américas, chegando à conclusão de que Luzia apresentava ligação com a “Cultura Clóvis”, nome dado às primeiras populações que se instalaram na América do Norte. A constatação de que Luzia possuía ancestral comum a etnias ameríndias do passado e presente reafirmou a Teoria do Povoamento pelo Estreito de Bering, defensora de que a ocupação da América se deu a partir de três levas migratórias, descendentes dos primeiros grupos a se fixarem na América do Norte.
  • – A alternativa C está incorreta. A análise do genoma de Luzia comprometeu a validade da teoria desenvolvida por Walter Neves, na década de 1980, na qual a ocupação da América do Sul teria se dado por duas levas migratórias, sendo uma delas originária da África.
  • – A alternativa D está incorreta, afinal o fóssil de Luzia foi descoberto em um sítio arqueológico de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais.
  • – A alternativa E está incorreta, pois Luzia foi mantida armazenada no Museu Nacional até o incêndio de 2018 ocorrido na instituição.

Gabarito: B

Questão 59

Afirmo, portanto, que tínhamos atingido já o ano bem farto da Encarnação do Filho de Deus, de 1348, quando, na mui excelsa cidade de Florença, (…) sobreveio a mortífera pestilência. (…) apareciam no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou na axila, algumas inchações(…) chamava‐as o populacho de bubões (…).

Giovanni Boccaccio, Decamerão.

A respeito da Peste Negra do século XIV, é correto afirmar:

(A) Provocou gravíssima queda demográfica, que afetou grande parte da produção econômica europeia.

(B) Originou‐se no Oriente, penetrou no continente europeu pelos portos e manteve‐se restrita à Península Itálica.

(C) Foi provocada pela fome e pela desnutrição dos camponeses e favoreceu o processo de centralização política.

(D) Foi contida pelo caráter de subsistência da economia europeia, que dificultava o contato humano e, assim, o contágio.

(E) Estimulou as investidas contra os territórios muçulmanos no movimento conhecido como Segunda Cruzada.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A é a resposta. Oriunda do Oriente, a peste Negra, ou peste bubônica, se espalhou pelos campos e centros urbanos do continente europeu durante o século XIV, dizimando mais de dois terços da população europeia. Este súbito declínio acabou por comprometer as atividades econômicas do continente no período, contribuindo para o esgotamento do sistema feudal.
  • – A alternativa B está incorreta, pois a Peste Negra alcançou a Europa Ocidental, incluindo a Grã-Bretanha e a península ibérica.
  • – A alternativa C está incorreta, pois a proliferação da moléstia foi favorecida pelas precárias condições sanitárias da população europeia no final do período medieval.
  • – A alternativa D está incorreta. A despeito do modo de produção feudal, a Peste Negra se espalhou por todo o continente europeu, incluindo em suas paisagens rurais.
  • – A alternativa E está incorreta. A expressão Segunda Cruzara é utilizada para se referir a uma expedição de cristãos liderada por monarcas europeus que parte do Ocidente no século XII.

Gabarito: A

Questão 60

A imagem a seguir refere‐se às principais rotas de comércio da África do Norte e Ocidental, no século XV.

Em relação às rotas comerciais representadas no mapa, é correto afirmar que elas

(A) indicam que a melhoria das condições ambientais do Saara permitiu a construção de estradas pelo deserto.

(B) foram construídas pelo poder islâmico do Cairo, que promoveu a unificação de toda a África do Norte.

(C) mostram a decadência econômica do comércio do Saara oriental, em razão da crise do Império Egípcio.

(D) atingem a região ao sudoeste do Saara, local de origem do ouro que chegava aos portos do Mediterrâneo.

(E) representam o poder do Império de Songai, cuja capital era Timbuctu, que unificou todo o território entre o Atlântico e o mar Vermelho.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A está incorreta, pois as rotas comerciais representadas pelo mapa não eram estradas construídas. Além disso, o processo de desertificação observado na região não foi amenizado.
  • – A alternativa B está incorreta. A região contemplada pelo mapa foi islamizada nos séculos anteriores, mas não contava com um centro religioso centralizado. Ademais, a crise do Império Egípcio se deu durante a Antiguidade.
  • –  A alternativa C está incorreta, pois as múltiplas rotas expressas pelo mapa evidenciam a intensidade do comércio praticado na região.
  • – A alternativa D é a resposta. Foi a partir do estabelecimento de feitorias na costa atlântica da região sudeste do Saara que portugueses tiveram acesso ao rico mercado conduzido pelos povos islamizados da região, por meio do qual eram obtidos produtos como o ouro, o marfim e a pimenta malagueta.
  • – A alternativa E está incorreta, pois o Império de Songai não chegou a unificar todo o deserto do Saara. Além disso, sua capital era situada em Gao.

Gabarito: D

Questão 61

A chamada “questão trabalhista” no Brasil foi objeto de conflitos, debates e regulamentações entre os anos 1920 e 1946. Identifique uma das dimensões deste processo.

(A) O liberalismo oligárquico atribuiu ao Estado, por meio da reforma de 1924, o papel de mediador entre o operariado e o patronato.

(B) A Constituição de 1934 garantiu o direito à organização sindical e abriu espaço para a proteção dos direitos dos trabalhadores.

(C) O direito de greve e a regulamentação do salário mínimo foram algumas das novidades previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (1943).

(D) A criação do sindicato único contribuiu para a emergência de lideranças combativas ao obrigar todos os trabalhadores a se filiarem a tais associações.

(E) A Carteira de Trabalho foi um instrumento de controle e dominação, que distinguia o trabalhador e esvaziava o poder dos sindicatos.

Resolução Comentada

Inicialmente, queridos e queridas, lembrem-se de que, até a inauguração da Era Vargas (1930-1945), o direito social brasileiro só abrangia alguns poucos aspectos da questão trabalhista. Antes de 1930, poucas leis foram promulgadas em direção a melhores condições de trabalho: a Lei de Férias (1925) e a Lei de Regulamentação do Trabalho de Menores (1926/27), por exemplo

Após a Revolução de 1930, o movimento sindical, os representantes dos trabalhadores no parlamento, bem como, o contexto de lutas econômicas (greves, paralisações) forçou a promulgação de outras tantas leis: por exemplo, a Lei da jornada de trabalho de 8 horas, promulgada em 1932.

É verdade que alguns representantes da elite industrial, como o empresário Jorge Street, defendiam a regulamentação de leis, diferentemente do conjunto das oligarquias.

A – errado, pois a oligarquia brasileira não era favorável a concessões aos trabalhadores. Na verdade, a linha política, durante quase toda a Primeira República, era tratar a questão social como “caso de polícia”.

B – é o nosso Gabarito, pois a Constituição de 1934, de caráter democrático, reconheceu muitas demandas da sociedade, dentre elas, as dos trabalhadores e do movimento sindical. Nesse Constituição foi reconhecido o direito à organização sindical dos trabalhadores, um direito democrático.

C -falso, pois os direitos mencionados na alternativa já tinham sido regulamentados, portanto, não eram novidades da CLT. Por exemplo, quanto ao Salário Mínimo, a promulgação da Lei de nº185 em janeiro de 1936 e decreto de lei em abril de 1938 estabeleceram esse direito.

D – É ao contrário, pois a criação do sindicato único contribui para fortalecer o conhecido sindicalismo “pelego” sob o qual se desenvolviam lideranças passivas, responsáveis por conciliar interesses entre patrões e empregados, mas sempre impedindo a autonomia da organização sindical e a deflagração de greves como forma de negociação e pressão sobre os empresários. Por isso, não dá para afirmar que surgiram lideranças combativas.

E – de fato, a Carteira de Trabalho passou a ser um instrumento de controle, mas a criação desse documento não esvazio os Sindicatos, pelo contrário, muitos dos procedimentos de contratação, formalização e demissão dos trabalhadores passaram a contar com a participação dos Sindicatos. Por esse motivo, as entidades dos trabalhadores não foram esvaziadas, mas sim fortalecidas.

Gabarito: B

Questão 62

A representação cartográfica a seguir refere‐se à viagem de circunavegação, iniciada em Sanlúcar de Barrameda, na Andaluzia, em 20 de setembro de 1519, e comandada pelo português Fernão de Magalhães, a serviço da monarquia da Espanha. A despeito da repercussão da viagem para o desenvolvimento dos conhecimentos náuticos e para a exploração do Oceano Pacífico, Battista Agnese foi um dos poucos cartógrafos a registrar a empreitada de Magalhães.

Battista Agnese, Atlas Portulano, 1545. Biblioteca Digital Mundial. Disponível em https://www.wdl.org/pt/.

A representação cartográfica de Battista Agnese

(A) revelava a permanência das técnicas e sentidos simbólicos da cosmografia medieval, que orientaram os navegadores ibéricos na época da expansão ultramarina.

 (B) estava vinculada aos dogmas cristãos e procurava conciliar o registro da viagem de Fernão de Magalhães coma perspectiva de Terra Plana ainda presente entre letrados cristãos.

 (C) estava baseada nos relatos dos navegadores, no acúmulo de conhecimentos acerca das rotas marítimas e em estimativas de distâncias a partir de cálculos matemáticos e da planificação do globo terrestre.

(D) apresentava o Oceano Pacífico em suas reais dimensões de acordo com o entendimento de Fernão de Magalhães e de Cristóvão Colombo e em desacordo com as perspectivas cristãs.

(E) estava assentada nos conhecimentos e detalhamentos geográficos bíblicos e nas formulações cosmológicas de Ptolomeu, fundamentais para o sucesso da viagem de Fernão de Magalhães.

Resolução Comentada

Essa questão é de história moderna e o assunto é expansão marítima e grandes navegações. De certa forma, é uma abordagem clássica, pois o comanda fala em representação cartográfica.

A Cartografia ressurge como meio de garantir a segurança dos viajantes e de representação das novas descobertas. Foi muito importante nessa época a “Escola de Sagres”, em Portugal, onde eram treinados os pilotos e cosmógrafos.

Os navegantes costumavam carregar consigo anotações, nas quais eram registradas os rumos (direções) e as distâncias entre os portos visitados. Também eram feitos desenhos, cujo objetivo provável era facilitar a navegação, sem preocupação com sistemas de projeções. Essas anotações receberam o nome de Portulanos ou Cartas Portulanos.

Tendo essas informações em mente, vamos à análise das alternativas:

  • Alternativa A – Não foram técnicas medievais que guiaram os navegadores da época. É importante lembrar que as grandes navegações se beneficiaram das descobertas da revolução científica do Renascimento do século XV.
  • Alternativa B – Essa alternativa contém vários erros, entre eles, o desacordo com o texto, já que no trecho acima fala que o mapa foi construído após uma viagem de circunavegação.
  • Alternativa C – Gabarito da questão, eram as técnicas utilizadas no momento da expansão marítima, antes mesmo do desenvolvimento das técnicas de Mercator.

Em 1570 surgia o primeiro grande Atlas mundial, confeccionado por Ortelius (1527-1598), o “Theatrum Orbis Terrarum”, originalmente escrito em latim, teve várias edições e mais de 7000 (sete mil) cópias impressas em diferentes idiomas.

Tratava-se de um conjunto precioso de mapas, produzidos pelos mais importantes cartógrafos da época, incluindo Mercator, que em 1569 produziu o primeiro mapa-mundo com projeção cilíndrica.

Foi Mercator (1512-1594) quem primeiro utilizou a palavra Atlas para nomear uma coleção de mapas. Mas sua maior contribuição foi o sistema de projeção, que recebeu seu nome e até hoje é largamente empregado.

A “Projeção Cilíndrica de Mercator” surgiu com o objetivo de facilitar a navegação, oferecendo uma representação do mundo em que uma linha reta na carta correspondesse a uma reta de igual rumo no oceano. Tratava-se, portanto, de uma carta orientada.

  • Alternativa D – Depois dos comentários acima, sabemos que as referências não eram bíblicas e nem ptolomaicas.

Gabarito: C

Questão 63

As tentativas holandesas de conquista dos territórios portugueses na América tinham por objetivo central

 (A) a apropriação do complexo açucareiro escravista do Atlântico Sul, então monopolizado pelos portugueses.

(B) a formação de núcleos de povoamento para absorverem a crescente população protestante dos Países Baixos.

(C) a exploração das minas de ouro recém‐descobertas no interior, somente acessíveis pelo controle de portos no Atlântico.

(D) a ocupação de áreas até então pouco exploradas pelos portugueses, como o Maranhão e o Vale Amazônico.

(E) a criação de uma base para a ocupação definitiva das áreas de mineração da América espanhola.

Resolução Comentada

No contexto da União Ibérica, o momento histórico em que houve união das coroas portuguesa e espanhola, entre 1580 e 1640, a Holanda invadiu a colônia portuguesa, mais precisamente a Capitânia de Pernambuco. Mas, por quê?

Vejam, os conflitos políticos internacionais nos quais a Espanha estava envolvida acabaram surtindo efeito na América Portuguesa. Refiro-me às disputas entre a Espanha e a Holanda.

Diante dessa disputa entre espanhóis e flamengos, uma das medidas do governo ibérico de Felipe II foi excluir a Holanda do negócio açucareiro do Brasil. Assim, isso afetou diretamente as relações comerciais entre Portugal e Holanda

Contudo, as pretensões não se restringiam à América Portuguesa, mas às possessões de Portugal de modo geral. Por isso, antes de invadir o Brasil, os holandeses pilharam a costa africana e criaram a Companhia das Índias Orientais – empresa privada e pública que tinha por objetivo controlar e monopolizar as atividades comerciais com o Oriente.

Anos depois, em 1621 fundaram a Companhia das Índias Ocidentais, com o mesmo formato, porém, para monopolizar o comércio com a África e América. Nesse sentido, o gabarito é alternativa A. Todas as demais alternativas dizem respeito a atividades econômicas as quais a Holanda não se envolveu.

Gabarito: A

Questão 64

Ao primeiro brilho da alvorada chegou do horizonte uma nuvem negra, que era conduzida [pelo] senhor da tempestade (…). Surgiram então os deuses do abismo; Nergal destruiu as barragens que represavam as águas do inferno; Ninurta, o deus da guerra, pôs abaixo os diques (…). Por seis dias e seis noites os ventos sopraram; enxurradas, inundações e torrentes assolaram o mundo; a tempestade e o dilúvio explodiam em fúria como dois exércitos em guerra. Na alvorada do sétimo dia o temporal (…) amainou (…) o dilúvio serenou (…) toda a humanidade havia virado argila (…). Na montanha de Nisir o barco ficou preso (…). Na alvorada do sétimo dia eu soltei uma pomba e deixei que se fosse. Ela voou para longe, mas, não encontrando um lugar para pousar, retornou. Então soltei um corvo. A ave viu que as águas haviam abaixado; ela comeu, (…) grasnou e não mais voltou para o barco. Eu então abri todas as portas e janelas, expondo a nave aos quatro ventos. Preparei um sacrifício e derramei vinho sobre o topo da montanha em oferenda aos deuses (…).

A Epopeia de Gilgamesh, São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Com base no texto, registrado aproximadamente no século VII a.C. e que se refere a um antigo mito da Mesopotâmia, bem como em seus conhecimentos, é possível dizer que a sociedade descrita era

(A) mercantil, pacífica, politeísta e centralizada.

(B) agrária, militarizada, monoteísta e democrática.

(C) manufatureira, naval, monoteísta e federalizada. 

(D) mercantil, guerreira, monoteísta e federalizada.

(E) agrária, guerreira, politeísta e centralizada.

Resolução Comentada

Questão clássica, de contextualização sobre a Antiguidade Oriental, sobretudo, nas sociedades do Crescente Fértil.

De um modo geral são sociedades agrárias, militarizadas, politeístas e centralizadas. São exemplo, os Impérios Babilônicos, Acádios e os Sumérios. Assim, o gabarito é alternativa E.

Nesse sentido, podemos excluir as demais alternativas pelos seguintes motivos:

  • A alternativa A devido às características pacífica e mercantil. A guerra era parte essencial das disputas por terra entre distintos povos que compuseram a região da Mesopotâmia e, nesse momento, essas sociedades eram essencialmente agrárias, por isso, viviam em torno dos rios ou promoviam grandes obras de irrigação;
  • a alternativa B por indicar o monoteísmo;
  • a alternativa C por falar em monoteísmo e em federalismo. Federalismo é uma forma de organização política típica do final do século XVIII;
  • o item D devido às menções sobre monoteísmo e federalismo ainda fala em característica mercantil.

Gabarito: E

Questão 65

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação

Geração Coca‐Cola.
Dado Villa‐Lobos e Renato Russo, Geração Coca‐Cola, 1984.

Esses versos

(A) remetem ao período da Campanha das Diretas Já e apresentam esperanças em relação à implantação de um regime democrático no Brasil.

(B) revelam a indignação e rebeldia da juventude com os rumos da chamada Nova República, especialmente contra o Colégio Eleitoral e o bipartidarismo.

(C) propõem um repúdio por parte da juventude brasileira em relação às questões políticas e comportamentais durante a transição democrática.

(D) oferecem uma visão positiva acerca do período militar no Brasil e demonstram ceticismo com respeito à transição democrática.

(E) reforçam a capacidade de mobilização e reivindicação da juventude pela liberdade de expressão e criação de novas universidades públicas.

Resolução Comentada

Queridos, essa questão abre margem para duas interpretações. A Dúvida ficava entre as alternativas A e C. Requeria do aluno uma interpretação contextualizada. Levantemos alguns pontos:

O ano da música é 1984 – ESTÁ NA QUESTÃO. Assim, ela se insere no contexto da transição democrática – um longo processo que se inicia ainda no final de década de 1970 e vai até 1988 com a promulgação da nova constituição, passando pela Campanha das Diretas Já, em 1984.

Veja o esquema:

Assim, poderíamos marcar A, por conta da menção à Campanha das Diretas Já, e também, a C em relação à transição democrática.

Como resolver o dilema?

Interpretando o contexto e relacionando com a música, meus caros!!!!

Historicamente, esse contexto é de entusiasmo político, sobretudo durante a Campanha da redemocratização. Alguns especialistas falam em “festa da democracia”. A perspectiva da retomada da vida democrática desenvolvia um sentimento coletivo de esperanças.

Nesse sentido, alguns tenderiam a responder o item A. Campanha pelas direta já mais esperança, é igual a alternativa A.

Masssss, veja que falta a interpretação da música – ou seja, o texto da questão.  Assim, devemos agregar à interpretação da música seu sentido histórico e político. Vejamos:

Essa música da banda brasiliense, Legião Urbana, é bem conhecida por sua posição crítica de contestação ao modus operandi da política que é historicamente determinada e, por isso, ensinada nas escolas. Veja os versos abaixo:

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Fazer comédia no cinema com as suas leis

Nos primeiros versos destacados em vermelho, podemos ver o repúdio ao modo sujo de fazer política. Observe que, a música trata a política como um modo de atuar estrutural, de longo prazo. Não fazem menção direta àquele momento pontual do ano de 1984.

Além disso, os seguintes versos “Somos o futuro da nação/ Geração Coca‐Cola” é carregada de ironia e, também, faz uma crítica ao comportamento “coca-cola” que ficou conhecido historicamente como uma geração mais ligada ao consumismo e ao modo de vida do american way of life.

Portanto, podemos afirmar que a música, em si, não traz um sentimento de esperança, especialmente nhoque se refere à Campanha das Diretas Já pontualmente.

Assim, queridos e queridas, o gabarito corretíssimo, dessa questão trabalhosa, é alternativa C.

Gabarito:  C

Questão 66

Documentos da Agência Central de Inteligência Americana (CIA) mostram que o Brasil quis liderar a Operação Condor e só não conseguiu porque enfrentou resistência dos outros países membros – Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia. (…) Os documentos da CIA fazem parte do Projeto de Desclassificação Argentina (The Dirty War, 1976‐1983), do governo americano, e incluem mais de 40 mil páginas. Duas dezenas delas fazem menções ao Brasil (…).

Marcelo Godoy, O Estado de São Paulo. Abril/2019.

A respeito da Operação Condor, é correto afirmar:

(A) Ainda que tivesse um alvo comum de repressão política, ela não implicava o alinhamento automático dos regimes ditatoriais de cada país.

 (B) Ao encontrar resistência dos demais países que dela participavam, o Brasil passou a criticar publicamente suas ações.

 (C) Em vista da oposição norte‐americana à iniciativa, a cooperação entre os países membros não foi implantada.

(D) O governo ditatorial paraguaio assumiu a posição de liderança no acordo firmado entre seus países fundadores.

(E) Limitou‐se à troca de informações sobre os opositores políticos que buscaram exílio em cada um desses países.

Resolução Comentada

Veja: a assim chamada Operação Condor foi um arranjo político-militar entre países da América do Sul, formado em meados da década de 1970. Entre esses países, estavam Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Brasil.

Nesse momento, Regimes Militares vigoravam nos países em questão. A sequência de golpes de Estado operados por militares na América Latina foi a seguinte ordem: em 1954, no Paraguai; em 1964, no Brasil; em 1966, Argentina; em 1970, na Bolívia e, em 1973, no Chile e no Uruguai.

A Operação Condor tinha como objetivo reprimir organizações consideradas de esquerda e subversivas à ordem. Para tanto, os serviços de repressão militar compartilhavam informações dos sistemas de inteligência e promoviam ações conjuntas.

Vale lembrar que a Operação Condor recebeu apoio direto e treinamento do Governo dos Estados Unidos, tal como nos lembra o enunciado da questão. Por exemplo, o assassinato do diplomata chileno Orlando Letelier, ocorrido em 21 de setembro de 1976, em Washington, contou com a participação indireta da CIA.

Isso porque, a ação, que foi orquestrada pela política secreta do Chile do governo de Pinochet (a DINA), recebeu o aval da CIA para ser desferida em solo norte-americano. O diplomata assassinado estava ligado ao Presidente Salvador Allende, deposto e morto em 11 de setembro de 1973 durante o golpe das Forças Armadas chilenas. Portanto, era considerado  de “esquerda”.

O atentado contra o diplomata teve a anuência direta do então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, o qual, em 16 de setembro de 1976, emitiu ordem à CIA para que não interferisse no plano dos agentes militares da DINA.

Diante disso, passemos às alternativas:

  • A – É nosso Gabarito. O alvo comum eram os grupos de oposição. A afirmação pondera que, apesar desse ponto comum, cada Regime Militar possuía sua autonomia de governo.
  • B – Errado, pois o Brasil participou ativamente da Operação Condor.
  • C – Falso, a cooperação militar entre os países foi viabilizada por meio da Operação Condor.
  • D – Errado, pois não havia posição de liderança entre os países, mas sim uma coordenação entre eles.
  • E – Além da troca de informações, os agentes militares também fizeram ações conjuntas e trocaram experiências de práticas de torturas. Afirmação falso, está incompleta.

Para finalizar, segue uma dica da profe para você melhorar a sua preparação:

Filme Operação Condor – Verdade inconclusa

Gabarito: A

Questão 67

A entrega pacífica do governo a um adversário pressupunha um elevado nível de auto moderação. O mesmo determinou a boa vontade de um governo em não usar os seus grandes recursos do poder na humilhação ou destruição de predecessores hostis ou opositores (…). As técnicas militares deram lugar às técnicas verbais do debate feitas de retórica e de persuasão, a maior parte das quais exigia mais contenção geral, identificando, de modo nítido, esta mudança com um avanço da civilização.

Norbert Elias, A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992.

O processo histórico britânico ofereceu, entre os séculos XVII e XIX, modelos institucionais e práticas políticas importantes. A respeito deles, é correto afirmar que

(A) os debates acalorados no Parlamento, que desencadearam uma série de lutas sociais no século XVIII, foram apenas superados no início do século XIX com a instauração do Regime Parlamentar.

(B) após o turbulento século XVII, marcado por sucessivas lutas sociais e golpes de Estado, a pacificação entre as classes dominantes ocorreu com o fortalecimento do Regime Parlamentar ao longo do século XVIII.

(C) a instauração da República de Cromwell e do parlamentarismo, em meados do século XVIII, foi responsável pelo fim das turbulências políticas características do absolutismo monárquico.

(D) o avanço da civilização mencionado no texto ocorreu com o estabelecimento do princípio da tolerância religiosa entre anglicanos, calvinistas e católicos pelo Parlamento no final do século XVIII.

(E) o estabelecimento do parlamento bicameral, com representação para os nobres e para a burguesia enriquecida, e do direito de voto universal, ambos no século XVIII, foram responsáveis pela contenção das lutas sociais na Grã‐Bretanha.

Resolução Comentada

Ótima questão sobre a Monarquia Constitucional inglesa, assunto da Aula 08 do curso aqui do Estratégia Vestibulares (páginas 8 a 18) Além disso, quem viu meus vídeos, tanto no Insta quanto no Canal no YouTube, sobre essa questão ao longo do ano, acertou. Pois chamei a atenção para o papel do Parlamento inglês, principalmente por conta dos debates atuais no Reino Unido em torno das polêmicas do Brexit. Também dei uma dica de filme: Duas Rainhas.

Bem, o Bizu dessa questão era você ter se localizado no tempo histórico e nos acontecimentos das Revoluções Burguesas na Inglaterra. Lembre-se: 1648, Revolução Puritana; 1688/89, Revolução Gloriosa. Nos dois processos houve o fortalecimento do Parlamento, embora, entre os séculos XVII e XVIII houve uma grande tensão entre a Coroa e o Parlamento inglês. A Revolução Puritana, por exemplo, terminou com a decapitação do Rei Carlo I, ou seja, fortalecimento institucional do Parlamento. Depois, em 1689, o Rei Guilherme de Orange foi obrigado a assinar a Declaração de Direitos, mais conhecida como Bill of Rights, novamente, fortalecimento do Parlamento.

Diante disso, repare que, só pelo tempo histórico já daria para eliminar:

  • a alternativa A, pois ela sugere que as Revoluções foram no século XVIII;
  • a alternativa C, pois ela sugere que a Revolução Puritana, a que foi liderada por Cromwell, ocorreu no século XVIII. Na verdade, essa Revolução ocorreu no século XVII, em 1648.

As alternativas D e E, também estão erradas, vejamos os motivos:

D – dois erros, pois a Liberdade Religiosa foi conquistada em 1689, século XVII, quando Guilherme de Orange foi obrigado a assinar a Declaração de Direitos, mais conhecida como Bill of Rights. Ainda, com essa declaração de direitos, também ficou estabelecido:

  • Novas impostos, somente com aprovação do Parlamento;
  • Liberdade de imprensa;
  • Exército controlado pelo Parlamento;
  • Poder judiciário autônomo;
  • Voto censitário no Parlamento;
  • O rei passou a ter poder de veto sobre a Câmara dos Comuns.

Veja, então, que o trecho da alternativa E, “direito do voto universal”, está errado. Além disso, aqui também há erro quanto ao tempo histórico, pois joga tudo para o século XVIII.

Por fim, queridos e queridas, repare que, grosso modo, se você soubesse que as Revoluções Burguesas ocorreram no século XVII, já dava para matar a questão, pois a alternativa B é a única que garante a coerência histórica dos processos, do ponto de vista temporal.

Gabarito: B

Questão 68

De acordo com o historiador Martyn Lyons, “nos temores contemporâneos em relação ao acesso ilimitado a sites perigosos da Internet, e às dificuldades enfrentadas por governos de diversos países no policiamento da distribuição da informação, ouve‐se o eco do pânico causado pela invenção da imprensa”.

Martyn Lyons, A história da leitura de Gutenberg a Bill Gates, RJ: Casa da Palavra, 1999.

Escolha a alternativa que demonstre corretamente os elementos de continuidade e de descontinuidade entre a “revolução do impresso” e a “revolução eletrônica” apontados pelo autor.

(A) As chamadas “revolução do impresso” e “revolução eletrônica” não somente favoreceram a multiplicação e democratização do acesso à informação como também auxiliaram a formação de um público mais vasto e mais crítico.

(B) A implementação das novas tecnologias de comunicação eliminou a diferença entre os usuários e os excluídos do universo da cultura escrita, tal como se prometera no início de sua adoção.

(C) A manutenção de índices elevados de circulação de fake news nas redes sociais demonstra que a “revolução da comunicação” depende de quem domina e de quem usa as tecnologias.

(D) Diferentemente do Index Librorum Prohibitorum promulgado para a atuação da Inquisição no controle da expansão do Protestantismo durante o século XVI, os atuais marcos regulatórios da Internet limitam‐se ao controle da pornografia.

(E) O advento da tipografia não foi necessariamente revolucionário, pois não mudou a natureza nem o assunto dos livros; já a tecnologia digital suprimiu todas as formas anteriores de comunicação, da oral à impressa.

Resolução Comentada

Queridos e queridas, essa é uma questão que precisava de muita atenção ao comando da questão: Veja: continuidade e de descontinuidade entre a “revolução do impresso” e a “revolução eletrônica”. Nesse sentido, o aluno precisava encontrar uma informação com a ideia de continuidade e/ou com a de descontinuidade.

Assim, historicamente pensamos a invenção da prensa de Gutemberg, no século e, depois, na revolução tecnológica impulsionada pela Internet.

  • Continuidade: ampliação da produção e do acesso
  • Descontinuidade: quem produz a informa. Nesse caso, com a revolução tecnológica se descentralizou o agente produtor da informação.

No que diz respeito à “invenção da imprensa”, assunto levantado no enunciado da questão, vamos lembrar do seguinte (conteúdo da Aula 04 do Curso aqui do Estratégia Vestibulares):

  • em 1456, a expansão das ideias renascentistas ganhou significativo impulso: a criação da prensa de Guttenberg. O primeiro livro impresso foi a Bíblia – impressa em vernáculo alemão, algo fundamenta para estimular a Reforma Protestante na Alemanha, pois apresentava novas leituras do texto sagrado. A impressão da Bíblia já era em si a expressão do conhecimento técnico científico, já que a prensa foi fruto de uma invenção humana. Além disso, ela foi traduzida do latim para o alemão, o que garantiu a possibilidade da leitura por parte de muitas outras pessoas, que não apenas os membros da igreja. Dessa forma, era o homem chegando diretamente perto de Deus e do divino, por meio da sua própria leitura individual do texto sagrado, sem intermediações dos clérigos. Percebe, querido e querida, como este cenário era mais humanista e antropocêntrico? O homem inventa uma máquina de imprimir livros, traduz a Bíblia (o mais importante livro de todos, naquele momento), imprime-a e depois distribui para muitas pessoas lerem. Cara, isso era o cenário renascentista no dia a dia, em uma forma popular, para além das reflexões e contribuições individuais dos grandes pensadores. Abria-se a possibilidade de toda uma coletividade refletir. Por isso, não havia como as ideias não se desalojarem dos seus pedestais dogmáticos.

A – falso, pois não há uma relação direta e mecânica entre democratização da informação e formação de um público crítico. Não necessariamente a ampliação dos processos comunicacionais torna o indivíduo “crítico”. Na verdade, o que temos percebido é o contrário, muita futilidade sendo propagada e pouco pensamento crítico. Pense, por exemplo, no debate sobre a Terra Plana que a própria prova da FUVEST 2020 levantou.

B – falar em eliminar diferenças entre usuários em um mundo cada vez mais desigual e intolerante é piada, né? Espero que você não tenha caído nessa casca de banana.

C – esse é o Gabarito da questão porque mostra que a descontinuidade esta na questão da produção, quem domina e quem usa, ou seja, a descentralização da informação!

D – Olha que colocação interessante: de fato, o Index ter proibido a circulação de determinados conteúdos, mas um tipo de censura que possuía uma conotação política, para evitar questionamentos ao poder dominante da Igreja Católica. Já o marco regulatório da internet coibi a divulgação de informações criminosas, segundo o entendimento democrático da sociedade, pois as leis foram debatidas com base em um sistema político democrático. Não somente o controle da pornografia, como à vinculada à exploração de menores, consta na legislação brasileira. Também há outros tipos de restrições, como as difamações e violações à intimidade (pressupostos da Constituição Federal de 1988).

E – Não há supressão de formas anteriores de comunicação, sobretudo, a forma oral, né!

Gabarito:  C

Com isso, queridos e queridas alunas, finalizo meus comentários sobre a prova e, quaisquer dúvidas, entre em contato comigo.

Instagram: @profe.ale.lopes

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