Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 16:52

Olá, pessoal… Tudo bem? Sou a prof. Marco Túlio, do Estratégia Vestibulares, e escrevo este artigo para resolver a prova e indicar o Gabarito UNESP 2020 da disciplina de História. Nesta página, você vai conferir a resolução comentada completa inclusive pode baixá-la em PDF. Vamos nessa??

Prova UNESP 2020

Questão 31

A Odisseia choca-se com a questão do passado. Para perscrutar o futuro e o passado, recorre-se geralmente ao adivinho. Inspirado pela musa, o adivinho vê o antes e o além: circula entre os deuses e entre os homens, não todos os homens, mas os heróis, preferencialmente mortos gloriosamente em combate. Ao celebrar aqueles que passaram, ele forja o passado, mas um passado sem duração, acabado.

(François Hartog. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo, 2015. Adaptado.)

O texto afirma que a obra de Homero

(A) questiona as ações heroicas dos povos fundadores da Grécia Antiga, pois se baseia na concepção filosófica de physis.

(B) valoriza os mitos em que os gregos acreditavam e que estão no fundamento das concepções modernas de tempo e história.

(C) é fundadora da ideia de história, pois concebe o passado como um tempo que prossegue no presente e ensina os homens a aprenderem com seus erros.

(D) identifica uma forma do pensamento mítico e uma visão de passado estranha à ideia de diálogo entre temporalidades, que caracteriza a história.

(E) desenvolve uma abordagem crítica do passado e uma reflexão de caráter racionalista, semelhantes à da filosofia pré-socrática.

Resolução Comentada

Essa é uma questão INTERDISCIPLINAR, ou seja, em que se observam diálogos com a Filosofia! Contudo, aqui apresentaremos comentários considerando nossos estudos na História!

  • – A alternativa A está incorreta. O rompimento da visão mitológica é algo realizado a partir dos filósofos “pré-socráticos”, ao passo que Homero recorre às narrativas mitológicas para dar sentido ao mundo.
  • – A alternativa B está incorreta, afinal a concepção de História como ciência não existe entre os gregos do período homérico, que se embasam em narrativas míticas para dar significado ao mundo.
  • A alternativa C está incorreta, pois a ideia da História como “mestra da vida”, ou seja, como um acúmulo de experiências que podem guiar os homens no presente e no futuro, é algo que surge entre os romanos da Antiguidade.
  • – A alternativa D é a resposta. De acordo com o próprio texto, o pensamento mítico busca perscrutar – ou seja, examinar – o futuro e o passado. Para tanto, recorre a narrativas que remetem a tempos imemoriais e que não se limitam ao passado, pois apresentam desdobramentos no presente e futuro. Para a História enquanto ciência, contudo, há uma preocupação em se estabelecer certos marcos temporais, algo inexistente entre os gregos do período homérico.
  • – A alternativa E está incorreta, pois Homero não buscou criticar o passado, mas valorizar as experiências de heróis míticos por meio de suas narrativas.

Gabarito: D

Questão 32

A Catedral de Notre-Dame, em Paris, parcialmente destruída por um incêndio em abril de 2019, é um exemplo da arquitetura

(A) gótica, expressa na verticalidade e no emprego de arcos e vitrais.

(B) românica, expressa no desenho do teto e da abóbada principal.

(C) clássica, expressa na composição simétrica e na presença de colunas dóricas.

(D) art nouveau, expressa na utilização de elementos geométricos decorativos.

(E) eclética, expressa no pastiche entre elementos barrocos e neoclássicos.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A é a correta. A arquitetura gótica é marcada pela utilização de arcos ogivais, que se alongam e se projetam para o alto, dando uma impressão de verticalidade aos observadores.
  • – A alternativa B está incorreta, pois as abóbadas encontradas nas edificações em estilo românico são formadas a partir de arcos semicirculares, sem fornecer a mesma ideia de leveza e grandiosidade observada no estilo gótico.
  • – A alternativa C está incorreta, afinal as colunas encontradas em Notre-Dame são da ordem coríntia, apresentando uma decoração exuberante em seu capitel. Isso é algo inexistente nas austeras colunas da ordem dórica.
  • – A alternativa D está incorreta, pois a art nouveau foi um estilo artístico que surgiu no final do século XIX, séculos após o estilo gótico ser predominante entre as catedrais europeias.
  • – A alternativa E está incorreta. O estilo barroco se desenvolveu no século XVI, ao passo que o neoclassicismo é um termo utilizado para denominar algumas manifestações artísticas encontradas no Ocidente europeu a partir do século XVIII. Dessa maneira, não poderiam influenciar os elementos do estilo gótico na Idade Média.

Gabarito: A

Questão 33

[Leonardo da Vinci] viu que “a água corrente detém em si um número infinito de movimentos”. Um “número infinito”? Para Leonardo, não se trata apenas de uma figura de linguagem. Ao falar da variedade infinita da natureza e sobretudo de fenômenos como as correntes de água, ele estava fazendo uma distinção baseada na preferência por sistemas analógicos sobre os digitais. Em um sistema analógico, há gradações infinitas, o que se aplica à maioria das coisas que fascinavam Leonardo: sombras de sfumato, cores, movimento, ondas, a passagem do tempo, a dinâmica dos fluidos.

(Walter Isaacson. Leonardo da Vinci, 2017.)

A partir da explicação do texto sobre Leonardo da Vinci, pode-se afirmar que

A) o princípio cristão da vida eterna orientou o pensamento renascentista.

B) o materialismo pré-socrático foi a principal sustentação teórica do Renascimento.

C) os experimentos da Antiguidade oriental basearam a ciência renascentista.

D) as concepções artísticas medievais fundamentaram a arte renascentista.

E)a observação da pluralidade da natureza foi um dos fundamentos do Renascimento.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A está incorreta, afinal Leonardo da Vinci foi um dos principais expoentes do Renascimento, movimento cultural que almejava se desvincular das influências legadas pelo pensamento cristão.
  • – A alternativa B está incorreta, pois os artistas do Renascimento firmaram diálogos com as produções socráticas e pós-socráticas, como Platão e Aristóteles.
  • – A alternativa D está incorreta, pois os artistas do Renascimento buscaram a ruptura com as técnicas e representações artísticas da medievalidade, momento histórico que consideram obscuro e infrutífero.
  • – A alternativa E está correta. Dentre as características observadas no movimento renascentista, pode ser destacado o naturalismo, ou seja, a apreciação da natureza e a tentativa de se buscar explicações racionais para seus fenômenos. Trata-se de algo observado em Leonardo da Vinci, que observador das cores, ondas e dinâmicas dos fluidos, dentre outros elementos.

Gabarito: E

Leia o texto e observe o mapa para responder às questões 34 e 35.

Questão 34

Nem existia Brasil no começo dessa história. Existiam o Peru e o México, no contexto pré-colombiano, mas Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, Canadá, não. No que seria o Brasil, havia gente no Norte, no Rio, depois no Sul, mas toda essa gente tinha pouca relação entre si até meados do século XVIII. E há aí a questão da navegação marítima, torna-se importante aprender bem história marítima, que é ligada à geografia. […] Essa compreensão me deu muita liberdade para ver as relações que Rio, Pernambuco e Bahia tinham com Luanda. Depois a Bahia tem muito mais relação com o antigo Daomé, hoje Benin, na Costa da Mina. Isso formava um todo, muito mais do que o Brasil ou a América portuguesa. […] Nunca os missionários entraram na briga para saber se o africano havia sido ilegalmente escravizado ou não, mas a escravidão indígena foi embargada pelos missionários desde o começo, e isso também é um pouco interesse dos negreiros, ou seja, que a escravidão africana predomine. […] A escravização tem dois processos: o primeiro é a despersonalização, e o segundo é a dessocialização. O texto estabelece a formação do Brasil a partir da navegação marítima, o que implica reconhecer a importância

 (A) da imposição de uma lógica global de comércio e da dissolução das fronteiras entre os territórios colonizados na América.

(B) do domínio colonial de Portugal sobre o litoral africano e da intermediação espanhola no tráfico escravagista.

(C) do controle das rotas marítimas por navegadores italianos e da conformação do conceito geográfico de Ocidente.

(D) da constituição do espaço geográfico do Atlântico Sul e da relação estabelecida entre os continentes americano e africano.

(E) do surgimento do tráfico de africanos escravizados e das relações comerciais do Brasil com a América espanhola.

Resolução Comentada

Essa é uma questão INTERDISCIPLINAR, ou seja, em que se observam diálogos com a Geografia! Contudo, aqui apresentaremos comentários considerando nossos estudos na História!

Para responder à questão, é preciso levarmos em conta as informações fornecidas pelo texto do enunciado:

  • – A alternativa A está incorreta, pois como informa o próprio fragmento, não havia ainda a ideia de Brasil, o que impossibilitava a existência de fronteiras bem delimitadas.
  • – A alternativa B está incorreta, afinal o tráfico de escravos no Atlântico era realizado por luso-brasileiros, sem o intermédio de espanhóis.
  • – A alternativa C está incorreta, pois a ideia de ocidentalidade não se encontrava consolidada no período. Além disso, os navegadores italianos não eram hegemônicos nas rotas comerciais do Atlântico, mas do Mediterrâneo.
  • – A alternativa D é a resposta. Conforme destaca o texto e a imagem, o Império Ultramarino Português foi marcado por intensas relações entre as porções coloniais da América e do continente africano.
  • – A alternativa E está incorreta, afinal o texto e o mapa não abordam relações entre as Américas Portuguesa e Espanhola, mas sim entre colonos do Império Luso nos dois lados do Atlântico.

Gabarito: D

Questão 35

A “despersonalização” e a “dessocialização” dos escravizados podem ser associadas, respectivamente,

(A) ao fato de que os escravos eram identificados por números marcados a ferro e à interdição do contato entre os cativos e seus senhores.

(B) à noção do escravo como mercadoria e ao fato de que os africanos eram extraídos de sua comunidade de origem.

(C) à noção do escravo como tolerante ao trabalho compulsório e ao fato de que ele era proibido de fazer amizades ou constituir família.

(D) ao fato de que os escravos eram etnologicamente indistintos e à proibição de realização de festas e cultos.

(E) à noção do escravo como desconhecedor do território colonial e ao fato de que ele não era reconhecido como brasileiro.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A está incorreta, afinal cativos e senhores possuem contatos durante o período colonial, o que não pode ser considerado um elemento de dessocialização.
  • – A alternativa B é a resposta. Ao ser transformado em mercadoria, o escravizado perde sua personalidade, pois deixa de ser considerado “pessoa”. Ao mesmo tempo, é retirado à força de sua comunidade de origem, o que pode ser destacado como um processo de dessocialização.
  • – A alternativa C está incorreta, afinal a formação de famílias escravizados poderia conferir ao seu senhor a possibilidade de se obter mais cativos.
  • – A alternativa E está incorreta, afinal o próprio texto evidencia que não há a noção de Brasil neste período. Logo, também é inexistente a ideia de brasileiro.

Gabarito: B

Questão 36

Na Europa, as forças reacionárias que compunham a Santa Aliança não viam com bons olhos a emancipação política das colônias ibéricas na América. […] Todavia, o novo Império do Brasil podia contar com a aliança da poderosa Inglaterra, representada por George Canning, primeiro-ministro do rei Jorge IV. […] Canning acabaria por convencer o governo português a aceitar a soberania do Brasil, em 1825. Uma atitude coerente com o apoio que o governo britânico dera aos EUA, no ano anterior, por ocasião do lançamento da Doutrina Monroe, que afirmava o princípio da não intervenção europeia na América.

 (Ilmar Rohloff de Mattos e Luis Affonso Seigneur de Albuquerque. Independência ou morte: a emancipação política do Brasil, 1991.)

O texto relaciona

(A) a restauração das monarquias absolutistas no continente europeu, a industrialização dos Estados Unidos e a constituição da Federação dos Estados Independentes da América Latina.

(B) a influência da Igreja católica nos assuntos políticos europeus, o controle britânico dos mares depois do Ato de Navegação e o avanço imperialista dos Estados Unidos sobre o Brasil.

 (C) a disposição europeia de recolonização da América, o Bloqueio Continental determinado pela França e os acordos de livre-comércio do Brasil com os países hispano- -americanos.

(D) a penetração dos industrializados britânicos nos mercados europeus, a tolerância portuguesa em relação ao emancipacionismo brasileiro e a independência política dos Estados Unidos.

(E) a reorganização da Europa continental depois do período de domínio napoleônico, os processos de independência na América e a ampliação do controle comercial mundial pela Inglaterra.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A está incorreta, afinal não se verifica a formação de uma federação entre os Estados latino-americanos no século XIX. Este ideal foi defendido por Simon Bolívar, um dos principais articuladores dos processos de independência na América Espanhola, mas que não foi colocado em prática devido a prevalência dos interesses localistas das elites criollas.
  • – A alternativa B está incorreta, pois o texto não faz referência a interferências da Igreja em questões de natureza política no século XIX, ainda que as monarquias formadoras da Santa Aliança possuíssem orientação católica.
  • – A alternativa C está incorreta, afinal o Brasil e os países formados a partir dos processos de independência da América Espanhola não praticaram o livre-comércio no século XIX.
  • – A alternativa D está incorreta, pois conforme destaca o próprio enunciado, Portugal não aceitou de imediato a emancipação política do Brasil. Além disso, os Estados Unidos já eram uma nação independente no período.
  • – A alternativa E é a resposta. A Santa Aliança foi um pacto militar formado entre Áustria, Prússia e Rússia, com o objetivo de aplicar os princípios de restauração e legitimidade que regeram o Congresso de Viena. Com o intuito de preservar a ordem do Antigo Regime no continente, buscaram conter os processos de emancipação política de colônias na América, ao passo que a Inglaterra, observando neste processo a possibilidade de expandir seus negócios no continente, não contribuiu para isso. O século que se segue entre a derrota de Napoleão e a Primeira Guerra (1914-1918) ficou conhecido como “pax britannica”, em referência a supremacia econômica e militar dos ingleses neste período.

Gabarito: E

Questão 39

Produzida no início da década de 1910, a gravura representa a Revolução Mexicana como marcada

A) pela participação feminina e pela recuperação de elementos da tradição pré-colombiana.

B) pela vitória dos projetos revolucionários populares e pela construção de uma nova ordem social.

C) pela negociação político-diplomática e pelos altos índices de assassinatos de mulheres.

D) pela interferência de países estrangeiros e pela perda da autonomia do país.

E) pela repressão governamental e pela imposição de castigos físicos aos revolucionários.

Resolução Comentada

Essa é uma questão difícil! Vejamos as alternativas:

  • – A alternativa A é a correta. A imagem retrata uma figura feminina conduzindo a população, o que sugere o engajamento das mulheres no processo revolucionário mexicano. Vale destacar que as caveiras são elementos que permeiam a cultura mexicana, formada a partir de influências de povos originários que as consideravam necessárias para se afastar os maus espíritos. Contudo, você poderia resolver a questão por meio de exclusão.

    Vejamos as demais alternativas:
  • – A alternativa B está incorreta, afinal os projetos de setores populares, como aquele encabeçado por Emiliano Zapata, foram derrotados ao longo do processo revolucionário.
  • – A alternativa C está incorreta, pois a Revolução Mexicana foi um processo que envolveu violentas lutas entre rebeldes e forças governamentais, sendo limitado o espaço de negociações.
  • – A alternativa D está incorreta. A Revolução Mexicana foi um processo que deve ser compreendido a partir de suas forças internas, envolvendo interesses de camponeses, anarquistas e elites dissidentes.
  • – A alternativa E está incorreta, pois a repressão governamental se deu pelo uso do aparato militar, mas sem a tentativa de se implementar punições físicas.

Gabarito: A

Questão 40

A construção de Brasília pode ser considerada a principal meta do Plano de Metas […]. Para alguns analistas, a nova capital seria o elemento propulsor de um projeto de identidade nacional comprometido com a modernidade, cuja face mais visível seria a arquitetura modernista de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Ao mesmo tempo, no entanto, a interiorização da capital faria parte de um antigo projeto de organização espacial do território brasileiro, que visava ampliar as fronteiras econômicas rumo ao Oeste e alavancar a expansão capitalista nacional.

(Marly Motta. “Um presidente bossa-nova”. In: Luciano Figueiredo (org.). História do Brasil para ocupados, 2013.)

O texto expõe dois significados da construção de Brasília durante o governo de Juscelino Kubitschek. Esses dois significados relacionam-se, pois

A) denotam o esforço de construção de um espaço geográfico brasileiro com o intuito de assegurar o equilíbrio econômico e político entre as várias regiões do país.

B) demonstram o nacionalismo xenófobo do governo Kubitschek e sua disposição de isolar o Brasil dos demais países do continente americano.

C) revelam a importância da redefinição do espaço territorial para a implantação de um projeto de restrições à entrada de capitais e investimentos estrangeiros.

D) explicitam a postura antiliberal do governo Kubitschek e sua intenção de implantar um regime de igualdade social no país.

E) indicam o surgimento de uma expressão arquitetônica original e baseada no modelo de edificação predominante entre os primeiros habitantes do atual Brasil.

Resolução Comentada

  • – A alternativa A é a resposta. De acordo com o texto, a construção de Brasília foi um processo que estimulou a formulação de uma nacionalidade, afinal almejava a integração das regiões ao deslocar o centro político-administrativo para o interior do território.
  • – A alternativa B está incorreta, pois o projeto de nacionalidade juscelinista não se pautou na exclusão de povos de outras nacionalidades, mas em incentivar a integração territorial do país.
  • – As alternativas C e D estão incorretas. Com o intuito de acelerar o processo de modernização do país, JK permitiu investimentos estrangeiros na constituição de indústrias durante seu governo, divergindo da visão nacionalista de seu antecessor, Getúlio Vargas.
  • – A alternativa E está incorreta, afinal o traço modernista existente na arquitetura de Brasília não se pautou em habitações de antigos brasileiros.

Gabarito: A

Questão 57

Do nascimento do Estado moderno até a Revolução Francesa, ou seja, do século XVI aos fins do século XVIII, a filosofia política foi obrigada a reformular grande parte de suas teses, devido às mudanças ocorridas naquele período. O que se buscou na modernidade iluminista foi fortalecer a filosofia em uma configuração contrária aos dogmas políticos que reforçavam a crença em uma autoridade divina.

(Thiago Rodrigo Nappi. “Tradição e inovação na teoria das formas de governo: Montesquieu e a ideia de despotismo”. In: Historiæ, vol. 3, no 3, 2012. Adaptado.)

O filósofo iluminista Montesquieu, autor de Do espírito das leis, criticou o absolutismo e propôs

(A) a divisão dos poderes em executivo, legislativo e judiciário.

(B) a restauração de critérios metafísicos para a escolha de governantes.

(C) a justificativa do despotismo em nome da paz social.

(D) a obediência às leis costumeiras de origem feudal.

(E) a retirada do poder político do povo.

Resolução Comentada

Essa questão é INTERDISCIPLINAR entre as disciplinas de história e sociologia.

O barão de Montesquieu foi ardoroso crítico do absolutismo do chamado Antigo Regime, forma de governo baseada na concentração de poderes na figura do príncipe. Segundo ele, para se evitar o desenvolvimento de líderes tirânicos, era preciso que as atribuições do Estado fossem divididas em poderes autônomos – o Executivo, encarregado da administração, o Legislativo, responsável pela elaboração e aprovação das leis, e o Judiciário, incumbido da interpretação das mesmas leis. Dito isso, a alternativa A é a resposta.

  • – A alternativa B está incorreta. Critérios metafísicos poderiam ser associados à teoria do direito divino do rei.
  • – A alternativa C está incorreta, pois Montesquieu condena o despotismo dos líderes políticos de seu tempo, ao considerá-lo ameaça à segurança de seus súditos. A paz é resultado da liberdade e do respeito à vontade geral.
  • – A alternativa D está incorreta. A filosofia política de Montesquieu condenava a continuidade de resquícios feudais na fundamentação do poder, na medida em que prescrevia a necessidade de tripartí-lo para que ele fosse restringido.
  • – A alternativa E está incorreta, pois o cenário político criticado por Montesquieu era marcado pela exclusão dos indivíduos das decisões tomadas pelo Estado. Para os liberais, o poder emana do povo, que é o único que pode escolher representantes dos seus interesses.

Gabarito: A

É isso, pessoal! Espero que tenham curtido a resolução da prova de História do vestibular UNESP 2020. Sigam-me nas redes sociais. Têm muitas dicas lá. Mande uma mensagem, caso tenha tido alguma dúvida. Abraços!

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