Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 16:44

Apesar de bem-sucedidos na difusão da imagem de Tiradentes, os republicanos não tiveram o mesmo resultado ao associarem a nova forma de governo a uma jovem mulher.

Desde Roma, figuras de mulheres foram utilizadas para representar a República, visto que se trata de uma palavra de gênero feminino. Na França, ela se popularizou a partir da II República (1848-1852), quando essa imagem recebeu o nome de Marianne.

Ela esteve presente em várias obras daquele país, quase sempre representada com um gorro vermelho, conhecido como barrete frígio

As representações femininas da República no Brasil

Como muitos republicanos brasileiros se inspiravam nos símbolos franceses, não demorou muito para que essa imagem ganhasse alguns quadros, charges e bustos de artistas identificados com a nova configuração política do país.

Embora quase sempre representada como na imagem ao lado, os positivistas associaram a República à maternidade, a fim de ressaltar o papel da família na construção da Nação.

A mulher também poderia simbolizar simultaneamente múltiplas ideias distintas: República, Pátria, Liberdade, Revolução – todas palavras femininas.

Quando a nova forma de governo se revelou não ser exatamente o que muitos de seus entusiastas esperavam, diversas caricaturas passaram a se utilizar da Marianne para satirizar as contradições da República.

Por vezes ela era representada como uma mulher idosa, a fim de evidenciar sua prematura decadência, enquanto em outras ela é identificada como moribunda. Mais comum foi associá-la a uma prostituta, simbolizando a imoralidade da política brasileira a partir de 1889.

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Um dos elementos marcantes do imaginário republicano francês foi o uso da alegoria feminina para representar a República. A Monarquia representava-se naturalmente pela figura do rei, que, eventualmente, simbolizava a própria nação. Derrubada a Monarquia, decapitado o rei, novos símbolos faziam-se necessários para preencher o vazio, para representar as novas ideias e ideais, como a revolução, a liberdade, a república, a própria pátria. Entre os muitos símbolos e alegorias utilizados, em geral inspirados na tradição clássica, salienta-se o da figura feminina.

(José Murilo de Carvalho. A formação das almas, 1990.)

(Pedro Bruno. A Pátria, 1919. Museu da República, Rio de Janeiro.)

Estabeleça uma relação entre o texto e a imagem. Indique três elementos da imagem que justifiquem a relação estabelecida.

Resolução Comentada

O texto do historiador José Murilo de Carvalho, que destaca as representações femininas da República no Brasil, corrobora com o que é observável na obra A Pátria, de Pedro Bruno.

As mulheres retratadas no quadro são a esposa e filhas de Benjamin Constant, um dos principais entusiastas do novo regime no país, cujo quadro se encontra ao fundo do aposento, juntamente com o de Deodoro e de Tiradentes.

Desempenhando papel semelhante ao da Marianne, personagem que simbolizava a República francesa, as mulheres da obra representam o regime republicano brasileiro, construído pelas mãos que tecem a bandeira nacional.

Com isso, buscava-se despertar sentimentos patrióticos naqueles que contemplassem o quadro. Ao mesmo tempo, as mulheres são acompanhadas de bebês e crianças de colo, representando não somente a jovialidade da República brasileira, mas a maternidade que se legava ao feminino naquele período.

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