A vida do vestibulando não é fácil: como se não bastasse os estudos, a pressão da aprovação, os calendários e maratonas, ainda tem que pensar em qual universidade escolher, se o curso é realmente o certo e se vale a pena mudar de cidade para fazer faculdade. 

Segundo o Censo da Educação Superior de 2018, dos alunos matriculados em universidades federais, 34% são de estados diferentes da instituição de destino. A facilidade de ingresso via Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), é apontada como responsável pela porcentagem. 

No entanto, segundo o Censo, 14,5% dos estudantes se afastam das aulas e 10% desistem do curso. Claro que existem muitos fatores que levam à desistência, que vão desde não adaptação ao curso e à cidade até questões pessoais.

O fato é que, muitas vezes, o curso desejado na faculdade desejada não dá match. E aí é hora de pensar: vale a pena abrir mão do curso ou da universidade? É possível se sentir feliz e realizado permanecendo na mesma cidade e sem vivenciar a fase de república, os desafios de cuidar de si mesmo e finalmente assumir uma vida de adulto?

A Isabelle Luz optou por fazer Psicologia no campus de Paranaíba da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). A Isabela Iohana optou por não fazer o curso de Terapia Ocupacional na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília e priorizou outros aspectos, mas ainda tem o objetivo de cursar o ensino superior. A partir do relato das duas, vamos dar dicas de como tomar essa importante decisão.

mudar de cidade para fazer faculdade
Reflexão sobre cidade e universidade de destino deve ser feita com calma e análise. Foto: Reprodução/Unsplash

Universidade pública x universidade privada: qual escolher?

A diferença básica entre uma universidade pública e privada é que a primeira é gratuita e gerida pelo Estado, podendo ser federal, estadual ou municipal. Já as privadas, geralmente são pagas e geridas pela iniciativa privada. 

Segundo a professora de pedagogia da Unesp e doutora em Sociologia, Márcia Lopes Reis, a diferença entre universidade pública e privada está “no caráter da tríplice função que a pública cumpre no sentido de uma prática de ensino, pesquisa e extensão”.

Ela explica que essa função da universidade pública está ligada a “uma gama de possibilidades formativas para além da sala de aula”. Além disso, a professora lembra que outro detalhe que diferencia as duas “tem a ver com a autonomia para pesquisar temas diversos”.

Ou seja, de forma geral, as universidades públicas têm preocupações científicas e com a comunidade que vão além da formação profissional, geralmente o foco das particulares. E o que isso muda? Bom, aí depende da prioridade e do tipo de formação que se busca. Que tal conversar com professores, colegas e seus pais sobre que tipo de formação você quer ter? Porém, como vamos ver a seguir, essa escolha vai além do tipo de universidade.

Vale a pena mudar de cidade?

Claro que essa questão é muito difícil de ser respondida, pois ela envolve muitos fatores. Você pretende mudar de cidade para fazer a faculdade dos sonhos ou é pelo desejo de independência? É porque o curso só tem em outra cidade? Você tem condições financeiras de arcar com os custos de morar em outra cidade? A universidade possui permanência estudantil? Ufa! Vamos te ajudar a refletir.

A Isabelle Luz cursa Psicologia na UFMS de Paranaíba/MS, a 470km de casa, e deve se formar no final do ano. Ela conta pro Estratégia que queria algo mais perto de casa, mas tinha o objetivo de se formar em uma universidade pública. No final, o sonho acabou sendo muito maior e por isso ela foi.

“Se eu não tivesse mudado, não teria tanta demanda de independência, de autocuidado. Eu tive que cuidar de tudo, aprender as questões da vida adulta. Ser responsável por tudo que envolve a vida me causou uma transformação enorme”, conta.

Por outro lado, a Isabela Iohana aprendeu a lidar com a vida adulta de outra forma. Ela conta que a expectativa com relação à universidade pública sempre foi alta, chegou a fazer cursinho e passou em Terapia Ocupacional na Unesp. Porém, no momento de decidir, estava em um emprego novo e bem remunerado e acabou decidindo não se mudar para a cidade de Marília, em São Paulo. 

“A insegurança me pegou: a faculdade era integral e eu não poderia trabalhar. Ia ficar dependente dos meus pais. Eu não sou de família rica e isso pesou muito. Minha prioridade era minha independência financeira e o emprego que eu tinha garantia isso. Largar a segurança do trabalho para depender dos meus pais em outra cidade me deu medo e me fez desistir”, explica Isabela. 

Isabela não se arrepende da decisão, mas ainda sonha em concluir o ensino superior, apesar de se sentir realizada com as conquistas profissionais que obteve nos últimos anos. Ainda que sigam caminhos diferentes, Isabelle e Isabela concordam que é preciso ter uma visão menos romantizada sobre a vida universitária.

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul Campus Paranaíba
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul Campus Paranaíba. Foto: Divulgação/UFMS

Permanência estudantil: um direito do aluno

Mudar de cidade para fazer faculdade pública é um desafio que nem todos querem enfrentar, mas aos que aceitam é preciso ficar atento a uma questão importante: a universidade de destino oferece permanência estudantil? 

Para quem não sabe o que é, a gente explica. Permanência estudantil são as condições necessárias para que um estudante conclua o curso em uma universidade pública. Trata-se de moradia estudantil, restaurante universitário e bolsas de auxílio, como os auxílios aluguel e alimentação. 

É obrigação do ensino superior público garantir a permanência do estudante e diminuir a evasão escolar, mas nem sempre é assim na prática. A professora Márcia Reis avalia que esta política pública é “necessária para a qualidade da educação superior, mas frágil pela precariedade das políticas institucionais para a permanência estudantil no Brasil”. 

Ou seja, as universidades públicas ainda estão engatinhando quando o assunto é garantir o acesso à permanência estudantil. Por isso, caso você precise de suporte para se mudar e fazer a faculdade, verifique se a instituição pretendida oferece esses auxílios.  

Mudar de cidade para fazer faculdade: vantagens e desvantagens

Dentre as vantagens de mudar, estão:

  • Amadurecimento: é um período de aprender não só sobre o curso e a profissão, mas sobre a vida. Lidar com casa, contas, limpeza, organização em meio a uma rotina de estudos é um baita desafio. 
  • Oportunidades: especialmente para quem se muda para uma cidade maior ou uma capital, entrar em contato com um mercado de trabalho mais amplo pode ajudar na alocação de estágios e empregos na área de formação.
  • Independência: aprender a se virar acaba sendo uma necessidade da vida e, quanto antes você aprender a resolver as questões por si, menor o sofrimento no futuro. 
  • Descobertas: descobrir o mundo com o próprio olhar e entender mais sobre si mesmo também é uma vantagem.
  • Novos amigos: conhecer pessoas novas, fazer amigos que vão estar passando pelo mesmo que você. Alguns desses laços são pra vida toda! 

Dentre as desvantagens, citamos:

  • Ficar longe da família e amigos: você fará novos amigos e contatos caso se mude, mas ficar longe pode ser um problema para quem é mais dependente e gosta de ter as mesmas pessoas por perto.
  • Viagens constantes: geralmente quem estuda fora acaba voltando para visitar os pais e os amigos. Quem é mais dependente e vai mudar para uma cidade mais distante pode ter que enfrentar longas viagens.
  • Dificuldade de adaptação: muitas pessoas acabam não gostando da cidade, do curso ou da universidade de destino tendo que voltar e começar de novo.
  • Aspectos financeiros: para muita gente, mudar pode ter limitações financeiras. Por isso, como recomendamos acima, verifique se a universidade possui permanência e programa de bolsas. Mudar de cidade pode ter um custo alto, por isso, avalie bem antes de tomar essa decisão.
Conjunto Residencial dos Estudantes Universitários (Creu) da USP Ribeirão Preto
Conjunto Residencial dos Estudantes Universitários (Creu) da USP Ribeirão Preto, exemplo de política de permanência estudantil – Foto: Reprodução USP/João Neves

Mudar de cidade: conselhos de quem foi e de quem ficou

A Isabelle conta que está feliz com sua mudança, apesar de às vezes sentir falta da família e dos amigos de sua cidade natal. Ela explica que tomou a decisão por ser um sonho e porque não tinha nada a perder.

“No meu caso eu me adaptei bem, mas sei que tem casos que talvez não dê certo, pode ser que a pessoa não se adapte. Eu acho que sempre vale a pena a experiência de tentar”, opina. 

Ela acredita que enfrentar os desafios e a carga emocional típicas desse período é que cria o amadurecimento, que será levado para vida toda. “A vivência mostra que não são só flores, é uma experiência que tem muita construção e desconstrução que às vezes são difíceis, mas minha escolha valeu muito a pena”, pontua a estudante. 

Já a Isabela ficou em sua cidade e diz que, apesar de não idealizar a vida universitária, o importante é se concentrar nos estudos e na formação superior. “Eu aconselho a repensar sempre seu sonho: você quer muito cursar? Tem jeito de fazer na sua cidade mesmo, se você está inseguro com a mudança?”, questiona. 

Ela defende que a decisão deve ser pensada com leveza, sem ser tornar um peso: “a mudança não precisa ser vista como impedimento para cursar a faculdade, mas sim como reajuste de plano, se assim for preciso”, finaliza.

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Independentemente mudar de cidade para fazer faculdade ou não, no fim das contas o importante é seguir os sonhos e planos que traçamos para a gente. O Estratégia tem todo o suporte para ajudar na sua aprovação nas melhores universidades do país! Vamos estar com você todos os dias, até que seu sonho seja alcançado.

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