A demografia é o ramo da geografia que se dedica ao estudo das populações e a relação delas com a sociedade. Por meio dos conceitos demográficos é possível entender a economia, a política, a cultura e até mesmo o desenvolvimento de uma nação.

Devido a importância desse tema para o entendimento do mundo, os vestibulares costumam cobrá-lo frequentemente. Para te ajudar com esse assunto, a Coruja preparou um resumo que introduz os principais conceitos, características e teorias demográficas. Ao final, treine seu conhecimento com questões de provas, vamos lá?

Demografia: conceitos

A demografia adota algumas variáveis importantes como o tamanho da população, a forma como ela se distribui e a estrutura dos indivíduos que a compõe. Diante disso, existem conceitos que ajudam no entendimento das estruturas demográficas, veja:

População absoluta

População absoluta é a quantidade de habitantes totais em uma determinada área geográfica. Por exemplo, o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabiliza 212,6 milhões de indivíduos.

Densidade demográfica

A densidade demográfica é a razão entre a quantidade de habitantes de uma região pela extensão desse território. Por exemplo, dois países podem possuir 100 mil indivíduos, apesar disso a nação A tem 30 habitantes por quilômetro quadrado, enquanto o país B tem 52 habitantes por quilômetro quadrado — o país B é mais densamente povoado do que o país A.

Taxa de natalidade

É a quantidade total de nascimentos em uma localidade, em um determinado espaço de tempo. No Brasil, a taxa de natalidade está em queda devido a mudanças no cenário cultural que favoreceram a emancipação da mulher com o mercado de trabalho e os estudos. Isso abriu espaço para que essas pessoas tenham filhos mais tarde e, consequentemente, menos filhos. 

Taxa de fecundidade e natalidade

A taxa de fecundidade estima a quantidade de filhos que uma mulher em período fértil pode gerar em uma determinada localidade. No Brasil, a taxa de fecundidade era de 1,72 filhos por mulher, no censo de 2019.

Taxa de mortalidade

É a taxa que enumera a quantidade de óbitos em uma região. Esse indicador pode demonstrar aspectos sobre a qualidade de vida, criminalidade, serviços de saúde e outros fatores.

Expectativa de vida

 A expectativa de vida estima, de maneira geral, a quantidade de anos que uma população vive. No Brasil, por exemplo, a expectativa de vida é de 75,88 anos, segundo o censo do IBGE em 2019.

Crescimento Vegetativo

Crescimento vegetativo é a diferença entre o número de pessoas nascidas com o número de pessoas que faleceram. Assim, quando um país está em crescimento demográfico, o número de nascimentos ultrapassa a quantidade de óbitos; de modo oposto, o número de falecimentos é maior que o de nascimentos, o número de habitantes do país está em decréscimo. 

Estrutura Populacional

Estrutura populacional é a análise qualitativa dos indivíduos de uma população. Por exemplo, observa-se a idade dos cidadãos e nota-se uma população mais idosa ou mais jovem; ou se a população é predominantemente masculina ou feminina; se ela está em idade hábil para o trabalho ou não, entre outros fatores.

Perceba que esses conceitos, quando estudados em conjunto, podem favorecer o desenvolvimento de políticas voltadas para cada população conforme suas necessidades e sua estrutura

Países predominantemente jovens podem aplicar investimentos maciços em tecnologia e educação. Já os países com população idosa e com baixa taxa de imigração podem optar por políticas que atraiam pessoas jovens, para ocuparem o mercado de trabalho e fortalecer a economia, além de aplicações na área da saúde para garantir qualidade de vida para os indivíduos da melhor idade.

Dinâmicas demográficas

Assim como a população pode ser analisada a partir de seu tamanho, estrutura e distribuição, é possível entender o ritmo de mudanças na quantidade de indivíduos e suas causas. 

Por exemplo, quando ocorre um forte movimento emigratório, a tendência é uma diminuição da população absoluta. Por outro lado, quando a imigração aumenta, a quantidade de indivíduos na população tende ao crescimento.

A partir do entendimento dessa dinamicidade populacional, existe o crescimento demográfico — indicador que relaciona os movimentos imigratórios, emigratórios, nascimentos e mortes para compreender a quantidade de indivíduos em uma determinada região. Nesse caso, pode-se entender que:

IMIGRANTES + NASCIMENTOS – EMIGRANTES + ÓBITOS = VARIAÇÃO POPULACIONAL

Teorias demográficas

No estudo e entendimento das populações, alguns pensadores se dedicaram à criação de teorias demográficas. As mais famosas são embasadas pelas teorias de Thomas Malthus ou de Karl Marx.

Teoria Malthusiana

Criada pelo economista Thomas Malthus, a teoria malthusiana acredita que o crescimento populacional acontece como uma progressão geométrica, ou seja, 2 indivíduos geram 4 indivíduos, que originam 16 indivíduos, depois 32, 64, 128 e assim por diante. 

Ao mesmo tempo, a produção de alimentos só conseguiria aumentar sua capacidade a partir de uma progressão aritmética — 1,2,3,4,5, e assim sucessivamente. Por isso, Malthus acreditava que não haveria recursos suficientes para a subsistência da população humana, se os indivíduos se reproduzissem de maneira desordenada.

Como solução para a questão que levantou, o economista propôs um controle de natalidade populacional. Para isso, sua principal ideia era a castidade e a abstenção sexual como forma de evitar a reprodução.

Teoria Neomalthusiana

Posteriormente às ideias propostas por Malthus, outros estudiosos se debruçaram sobre a demografia e criaram a teoria neomalthusiana. Nessa vertente, acreditava-se fortemente que a quantidade de indivíduos em um país era determinante para a prosperidade ou miséria econômica: onde a população crescia demais, a pobreza era certa

Nesse caso, o controle de natalidade também seria a principal saída para o bom desenvolvimento de um país. Para isso, seria necessário implantar métodos contraceptivos e projetos políticos que incentivassem a não reprodução humana.

Teoria Reformista

Por fim, a teoria reformista foi criada com base no pensamento de Karl Marx. Nesse caso, os indivíduos não são os responsáveis pela miséria e o controle de natalidade não é um método de transformação social.

Para os reformistas, a falta de recursos e de educação sanitária são fatores que estimulam o crescimento desordenado da população. Assim, a má distribuição de renda e desigualdade social levam ao aumento da taxa de natalidade. 

Nesse caso, a principal intervenção política seriam aplicações de políticas mais igualitárias na distribuição de renda, informação e serviços de saúde. Com isso, os indivíduos não estariam em condições de miséria e a taxa de natalidade diminuiria naturalmente. 

Questão de Demografia

Para treinar seu conhecimento sobre demografia para o Enem e vestibulares, resolva a questão a seguir e, depois, confira a resolução proposta pelo Estratégia.

ENEM 2017

O padrão da pirâmide etária ilustrada apresenta demanda de investimentos socioeconômicos para a

a) redução da mortalidade infantil.
b) promoção da saúde dos idosos.
c) resolução do déficit habitacional.
d) garantia da segurança alimentar.
e) universalização da educação básica.

A pirâmide etária da figura demonstra que uma grande porcentagem da população está concentrada nas faixas etárias acima de 65 anos. Isso demonstra que as políticas públicas devem investir na saúde dos idosos, que representam um grande número da sociedade em questão. Por essa razão, a alternativa correta é a letra B.

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