Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 15:40

Olá, caro aluno… Como vai? Sou o Prof. Fernando Andrade, professor de Filosofia do Estratégia Vestibulares. Escrevo este artigo para resolver a prova de Filosofia da UNESP 2020. Nesta página, você vai conferir os meus comentários e a resolução de todas as questões de Filosofia cobradas na prova. Vamos nessa??

Prova UNESP 2020

Questão 58

Texto 1

Com a falta de evidência do conceito de arte, e com a evidência de sua historicidade, ficam em questão não só a criação artística produzida no presente e a herança cultural clássica ou moderna, mas também a relação problemática entre a arte e as várias modalidades de produção de imagens e de ofertas de entretenimento que surgiram a partir do século XX.

(Pedro Süssekind. Teoria do fim da arte, 2017. Adaptado.)

Texto 2

A discussão sobre o grafite como arte ou como vandalismo reflete o modo como cada gestão pública entende essas intervenções urbanas. Até 2011, o grafite em edifícios públicos era considerado crime ambiental e vandalismo em São Paulo. A partir daquele ano, somente a pichação continuou sendo crime. De um modo geral, a pichação é considerada uma intervenção agressiva e que degrada a paisagem da cidade. O grafite, por sua vez, é considerado arte urbana.

(Lais Modelli. “De crime a arte: a história do grafite nas ruas de São Paulo”. www.bbc.com, 28.01.2017. Adaptado.)

No contexto filosófico sobre o conceito de arte, os dois textos concordam em relação à

(A) necessidade de engajamento político no processo autoral.

(B) ausência de critério consensual na legitimação artística.

(C) carência de investimento privado na formação artística.

(D) atuação de legislação pública no cenário criativo.

(E) exigência de embasamento tradicional na produção cultural.

Resolução Comentada

Essa questão pode ser considerada interdisciplinar (filosofia/sociologia).

Alternativa a, falsa.  No texto 2, há alguma referência à política na menção à gestão pública, mas no primeiro texto não há nenhuma palavra do campo semântico da política.

Alternativa b, verdadeira. O texto 1 destaca que o conceito de arte está associado à historicidade, ou seja, à valorização consensual dos atores sociais em relação ao que deve ou não ser arte; o texto 2 oferece um exemplo dessa historicidade: o grafite não era considerado arte e passou a ser encarado de outra forma.

Alternativa c, falsa. Nenhum dos textos faz menção a investimento privado em arte.

Alternativa d, falsa.  Depreende-se do texto 2 que houve uma atuação legislativa para a mudança do conceito de arte e para a aceitação do grafite , mas, novamente, no texto 1, não há referência  à atuação legislativa.

Alternativa e, falsa. O texto 2, ao considerar o grafite, assume como arte uma expressão nova, não tradicional.

Gabarito: B

Questão 59

Diariamente somos inundados por inúmeras promessas de curas milagrosas, métodos de leitura ultrarrápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço. Basta abrir o jornal, ver televisão, escutar o rádio, ou simplesmente abrir a caixa de correio eletrônico. A grande maioria desses milagres cotidianos é vestida com alguma roupagem científica: linguagem um pouco mais rebuscada, aparente comprovação experimental, depoimentos de “renomados” pesquisadores, utilização em grandes universidades. São casos típicos do que se costuma definir como “pseudociência”.

(Marcelo Knobel. “Ciência e pseudociência”. In: Física na escola, vol. 9, no 1, 2008.)

Pode-se elaborar a crítica filosófica aos conhecimentos pseudocientíficos por meio

(A) da imposição de novos sistemas ideológicos.

(B) da confiança em teorias fundamentadas no senso comum.

(C) da ampla divulgação de ideias individuais.

(D) da preservação de saberes populares.

(E) da demonstração de ausência de evidências empíricas.

Resolução Comentada

Alternativa a, falsa. Novos sistemas ideológicos (crenças) não garantem que a proposição feita sobre a realidade seja verdadeira.

Alternativa b, falsa. O senso comum é a base do conhecimento pseudocientífico; a ciência é contrária ao senso comum.

Alternativa c, falsa. O ponto de vista individual é sujeito a erros advindos dos sentidos.

Alternativa d, falsa. Os saberes populares são base da tradição e do preconceito; a ciência nasce do rompimento com os saberes tradicionais.

Alternativa e, verdadeira.  Para saber se a afirmação feita sobre o real é verdadeira, é preciso confrontar o que se afirma com a realidade; ou seja, contrapor a tese às “evidências empíricas”.

Gabarito: E

Questão 60

A grande síntese da ciência moderna, estabelecendo as leis físicas do movimento por meio de equações matemáticas e respondendo a todas as questões surgidas com a cosmologia de Copérnico, foi obra de Isaac Newton. Com ela, a física, adquiriu um caráter de previsibilidade capaz de impressionar o homem moderno. A evolução do pensamento científico, iniciada por Galileu e Descartes, em direção à concepção de uma natureza descrita por leis matemáticas chegava, assim, a seu grande desabrochar.

(Claudio M. Porto e Maria Beatriz D. S. M. Porto. “A evolução do pensamento cosmológico e o nascimento da ciência moderna”. In: Revista brasileira de ensino de física, vol. 30, no  4, 2008. Adaptado.)

A base da grande síntese newtoniana foi, de certa forma, preparada pelo humanismo renascentista, que

(A) estabelece uma perspectiva dualista da realidade, fundamentada na filosofia grega.

(B) restringe o entendimento da natureza, tornando-a objeto de investigação somente da física.

(C) recupera teorias da Antiguidade para explicar a natureza, com ênfase em uma perspectiva mitológica.

(D) resgata o racionalismo da Antiguidade, valorizando o homem no debate científico.

(E) mantém o quadro geral de conhecimentos teológicos, tais como os utilizados durante a Idade Média.

Resolução Comentada

Essa questão pode ser considerada interdisciplinar (filosofia/história).

Alternativa a, falsa.  No fragmento dado, considera-se somente a perspectiva da ciência; Newton não elaborou uma teoria que considerasse o dualismo corpo e pensamento. É verdade que a filosofia de Descartes mantém esse dualismo que vêm de Platão, mas isso não é questão relevante para Newton.

Alternativa b, falsa. O Renascimento ampliou o entendimento da natureza, na alternativa, afirma-se o contrário.

Alternativa c, falsa. O Renascimento não deu ênfase à perspectiva mitológica, antes enfatizou uma perspectiva materialista baseada na procura das causas dos fenômenos.

Alternativa d, verdadeira. Essa alternativa traz uma definição do que seria “humanismo renascentista”, o racionalismo baseado na valorização antropocêntrica.

Alternativa e, falsa.  O Renascimento provoca uma ruptura com os conhecimentos teológicos da Idade Média.

Gabarito: D

É isso, pessoal! Espero que tenham curtido a resolução da prova de Filosofia do vestibular UNESP 2020. Sigam-me nas redes sociais. Têm muitas dicas lá. Mande uma mensagem, caso tenha tido alguma dúvida. Qualquer dúvida, entre em contato conosco através do nosso Fórum de Dúvidas ou das redes sociais.

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