Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 15:42

Olá, pessoal… Tudo bem? Sou o prof. Fernando Andrade, do Estratégia Vestibulares, e escrevo este artigo para lançar o Gabarito UEL 2020, da disciplina de Filosofia. Nesta página, você vai conferir a resolução comentada completa. Vamos nessa??

UEL 2020

Questão 3

Leia o texto a seguir.

A “Querela do luxo” foi um dos mais intensos debates do século XVIII na França e consistiu em defender o luxo como sinal do progresso da humanidade, ou em atacá-lo como signo de decadência. Rousseau, partidário da segunda via, num dos seus textos, afirma:

A vaidade e a ociosidade, que engendram nossas ciências, também engendram o luxo. […] Eis como o luxo, a dissolução e a escravidão foram[…] o castigo dos esforços orgulhosos que fizemos para sair da ignorância feliz na qual nos colocara a sabedoria eterna. […] Crêem embaçar-me terrivelmente perguntando-me até onde se deve limitar o luxo. Minha opinião é que absolutamente não se precisa dele. Para além da necessidade física, tudo é fonte de mal.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre as ciências e as artes. Trad. Lourdes Santos Machado, 3ª ed. São Paulo:Abril Cultural, 1983. p.395; 341; 410.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria política e antropológica de Rousseau e a compreensão do autor acerca das ciências, das artes e do luxo, considere as afirmativas a seguir.

I. A crítica de Rousseau às ciências e às artes e, por extensão, ao luxo, resulta da sua compreensão da natureza humana, na qual a necessidade física é o critério decisivo sobre o que é bom para a humanidade.

II. Em sua teoria política, Rousseau dirige a crítica às ciências, às artes e ao luxo, por identificar neles a vigência de um princípio que sacrifica a possibilidade da criação de uma sociedade minimamente justa.

III. A vaidade e a ociosidade, que engendram o luxo, são uma constante da natureza humana, razão pela qual também as ciências e as artes são expressões necessárias da natureza humana.

IV. A defesa da feliz ignorância, na qual nasce cada ser humano, leva Rousseau a legitimar formas de governo caracterizadas pelo sacrifício da inteligência e da crítica e pela obediência a um poder soberano.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Resolução Comentada

  • Afirmação I, correta. A ideia de que “a necessidade física é o critério decisivo sobre o que é bom para a humanidade” aparece no seguinte trecho da citação de Rousseau: “Para além da necessidade física, tudo é fonte de mal.”
  • Afirmação II,  correta.  Rousseau é conhecido pela sua reflexão sobre a desigualdade entre os homens, o que para ele é uma injustiça; o luxo torna mais aguda as desigualdades.
  • Afirmação III, falsa. Se Rousseau afirma que não precisamos do luxo, significa que ele não é necessário; logo, sendo a origem do luxo, a vaidade, ela também não é necessária.
  • Afirmação IV, falsa. Rousseau legitima formas de governo que devem obedecer à vontade e à liberdade coletivas, e não formas caracterizadas pela “obediência a um poder soberano.”

Gabarito: A

Questão 18

Leia o texto a seguir.

[…] a arte imita a natureza [. . . ] Em geral a arte perfaz certas coisas que a natureza é incapaz de elaborar e a imita. Assim, se as coisas que são conforme a arte são em vistas de algo, evidentemente também o são as coisas conforme à natureza.

ARISTÓTELES, Física I e II. 194 a20; 199 a13-18. Tradução adaptada de Lucas Angioni. Campinas: IFCH/UNICAMP, 1999. p.47; 58.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre mimesis (imitação) em Aristóteles, assinale a alternativa correta.

a) O artista deve copiar a natureza, retirando suas imperfeições ao imitá-la com base no modelo que nunca muda.

b) O procedimento do artista resulta em imitar a natureza de maneira realista, típica do naturalismo grego.

c) A arte, distinta da natureza, produz imitações desta, mas são criações sem finalidade ou utilidade.

d) A arte completa a natureza por ser a capacidade humana para criar e produzir o que a natureza não produz.

e) A arte produz o prazer em vista de um fim, e a natureza gera em vista do que é útil.

Resolução Comentada

  • Alternativa a, falsa. O texto não diz que as coisas que a “natureza é incapaz de elaborar” sejam imperfeições, portanto, Aristóteles não sugere que a arte deva ser o modelo perfeito do real.
  • Alternativa b, falsa. Se o interesse do artista fosse a realidade como ela é,  a arte não seria complementar à natureza como sugere o texto de apoio.
  • Alternativa c, falsa. O texto diz “as coisas que são conforme a arte são em vistas de algo”, ou seja, as coisas conforme a arte têm finalidade.
  • Alternativa d, verdadeira. No texto, Aristóteles afirma que “a arte perfaz certas coisas que a natureza é incapaz de elaborar e a imita”, ou seja, a arte cria algo que a natureza não consegue criar.
  • Alternativa e, falsa. A arte tem como fim o prazer, o prazer não é meio para um fim como se afirma na alternativa.

Gabarito: D

Questão 34

Leia o texto a seguir.

À medida que as obras de arte se emancipam do seu uso cultual, aumentam as ocasiões para que elas sejam expostas. A exponibilidade de um busto […] é maior que de uma estátua divina, que tem sua sede fixa no interior do templo. […] a preponderância absoluta conferida hoje a seu valor de exposição atribui-lhe funções inteiramente novas, entre as quais a “artística”, a única de que temos consciência, talvez se revele mais tarde como rudimentar.

BENJAMIN, Walter. “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica (Primeira versão)”. In: Obras escolhidas I. Trad. Sérgio Paulo Rouanet, 8ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2012. p. 187-188.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria benjaminiana da reprodutibilidade técnica e do valor cultual e de exposição da obra de arte, assinale a alternativa correta.

a) O valor de exposição da obra de arte reforça os laços sociais, na medida em que a exposição intensifica a coesão social, possibilitando, democraticamente, o acesso à obra.

b) A mudança do valor de culto para o valor da exposição da obra de arte revela transformações nas quais esta passa a ser concebida a partir da esfera pública.

c) O valor de culto da obra de arte expressa a gradativa desvinculação entre o humano e o sagrado, considerando que a obra substitui a relação direta do humano com o sagrado.

d) O valor material atribuído a uma obra de arte é constituído pela persistência de um valor de culto na exposição, evidenciado na “aura” que paira sobre as grandes obras, as chamadas obras clássicas.

e) O elemento comum entre o valor de culto e o valor de exposição da obra de arte é o reconhecimento de que a função “artística” é a sua dimensão mais importante.

Resolução Comentada

  • Alternativa a, falsa. No ensaio “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”, o filósofo analisa  o impacto da reprodutibilidade na própria arte e não em relação aos laços sociais.
  • Alternativa b, verdadeira. Logo no início do excerto o autor afirma “ À medida que as obras de arte se emancipam do seu uso cultual, aumentam as ocasiões para que elas sejam expostas”, ou seja, elas passam a circular na esfera pública.
  • Alternativa c, falsa. Essa a alternativa dá a entender que antes havia uma relação direta entre humano e o sagrado, ora isso nunca ocorreu, portanto, a arte não poderia substituir algo que nunca ocorreu.
  • Alternativa d, falsa. É verdade que as grandes obras são valorizadas materialmente pelo fato de que ainda persiste nelas um resquício da aura do passado, mas o excerto não destaca essa ideia, e sim a mudança espaço de circulação  da obra de arte quando ela perde seu caráter sagrado.
  • Alternativa e, falsa. A função artística é típica dessa arte de museus, a arte que deve ser apreciada como beleza;  antigamente, os objetos belos eram associados ao sagrado,  ou seja,  o elemento comum entre arte como culto e arte como objeto de apreciação assinalado no texto é falso.

Gabarito: B

Questão 49

Leia o texto a seguir.

Quando o artista [demiurgo] trabalha em sua obra, a vista dirigida para o que sempre se conserva igual a si mesmo, e lhe transmite a forma e a virtude desse modelo, é natural que seja belo tudo o que ele realiza. Porém, se ele se fixa no que devém e toma como modelo algo sujeito ao nascimento, nada belo poderá criar. [. . . ] Ora, se este mundo é belo e for bom seu construtor, sem dúvida nenhuma este fixará a vista no modelo eterno.

PLATÃO. Timeu. 28 a7-10; 29 a2-3. Trad. Carlos A. Nunes. Belém: UFPA, 1977. p. 46-47.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Platão, assinale a alternativa correta.

a) O mundo é belo porque imita os modelos sensíveis, nos quais o demiurgo se inspira ao gerar o mundo.

b) O sensível, ou o mundo que devém, é o modelo no qual o artista se inspira para criar o que permanece.

c) O artífice do mundo, por ser bom, cria uma obra plenamente bela, que é a realidade percebida pelos sentidos.

d) O olhar do demiurgo deve se dirigir ao que permanece, pois este é o modelo a ser inserido na realidade sensível.

e) O demiurgo deve observar as perfeições no mundo sensível para poder reproduzi-las em sua obra.

Resolução Comentada

O texto tem como base a teoria platônica que divide mundo em sensível e inteligível. O mundo sensível é o que se percebe pelos sentidos, e esse mundo é ilusório e imperfeito. O mundo das ideias, concebido abstraindo-se da sensibilidade,  tende a ser percebido  como modelar.  Todas as alternativas que associam a beleza ao sensível estão erradas, ou seja, as alternativas “a”, “b”, “c” e “e”. A alternativa “d” é a única que se refere ao mundo das ideias, pois diz que o demiurgo deve se dirigir ao que permanece.

Gabarito: D

Questão 56

Leia o texto a seguir.

Dever é a necessidade de uma ação por respeitoà lei. […] devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal.

KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos costumes. Trad. Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 208-209.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria kantiana do dever, assinale a alternativa correta.

a) A máxima de uma ação moral universalizável pode ter como fundamento os efeitos da ação, sendo considerada moralmente boa uma ação cujos efeitos causam o bem.

b) A obrigação incondicional que a lei moral impõe advém do reconhecimento da possibilidade de universalização das máximas da ação.

c) A mentira pode, em certas circunstâncias, ser legitimada moralmente quando dela resulta uma ação benéfica ou impede o prejuízo a outrem.

d) A máxima incondicional de uma ação moral pode ter como fundamento a experiência, pois os costumes fornecem elementos suficientes para ela.

e) O imperativo categórico, princípio dos imperativos do dever, escolhe, dentre os estímulos fornecidos à vontade, o que lhe é mais adequado.

Resolução Comentada

Uma das formulações da máxima moral de Kant é : “faze aquilo que pode ser considerado uma lei universal”. O pensador considera que essa é a essência moral  universal que está incrustrada em todo indivíduo racional. Logo, o indivíduo age moralmente bem quando segue esse máxima, pois ele pode escolher não agir segundo tal critério.

  • Alternativa a, falsa. Para Kant, o indivíduo deve agir pela moral em  si e não pelos efeitos que ela produz.
  • Alternativa b, verdadeira.  A universalização da máxima da ação é o principal pressuposto da teoria moral de Kant.
  • Alternativa c, falsa. A mentira não pode ser universalizada. Ela só funciona se alguém for sincero e outro mentiroso. Se todos forem mentirosos (universalização) a sociedade se torna impossível. Portanto, nunca se deve mentir.
  • Alternativa d, falsa. Para Kant, a moral está acima da experiência, pois o homem deve agir da melhor maneira possível independentemente das circunstâncias.
  • Alternativa e, falsa.  O imperativo categórico é associado à razão não à vontade.

Gabarito: B

Questão 57

Leia o texto a seguir.

Esta é uma concepção de ciência que considera a abordagem crítica sua característica mais importante. Para avaliar uma teoria o cientista deve indagar se pode ser criticada – se se expõe a críticas de todos os tipos e, em caso afirmativo, se resiste a essas críticas.

POPPER, Karl. Conjecturas e refutações. Trad. Sérgio Bath. Brasília: UnB, 1982. p. 284.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Popper, assinale a alternativa correta.

a) A concepção de ciência da qual fala Popper é aquela que possui o princípio de verificabilidade, com proposições rigorosas que procuram corrigir as teorias científicas.

b) A ciência busca alcançar o conhecimento de tipo essencial, pois ele garante a verdade de uma teoria científica, permitindo o desenvolvimento em direção à verdade objetiva visada pela ciência.

c) Uma teoria científica é verdadeira se suas proposições são empiricamente falsificáveis via testes, permitindo que sejam autocorrigidas e desenvolvidas na direção de uma verdade objetiva.

d) Os testes empíricos nas ciências humanas, tais como psicologia e sociologia, visam confirmar seu valor de cientificidade, pois suas teorias são falsificáveis.

e) A concepção de ciência que Popper sustenta é a passivista ou receptacular, na qual as teorias científicas são elaboradas por meio dos sentidos e o erro surge ao interferirmos nos dados obtidos da experiência.

Resolução Comentada

  • Alternativa a, falsa. O princípio defendido por Popper é o da falseabilidade, ou seja, uma teoria deve ser exposta a ideias e experiências que podem falseá-la, enquanto não se encontrar um princípio de falseabilidade pode-se confiar nela, mas isso é provisório.
  • Alternativa b, falsa. Não se pode ter certeza da essência das proposições da ciência, ela deve ser um sistema de aprimoramento constante.
  • Alternativa c, verdadeira.  Segundo o critério de falseabilidade, a ciência deve ser um sistema de autocorreção; o trabalho do cientista consiste em tentar falsear a teoria já estabelecida, para melhorá-la.
  • Alternativa d, falsa. Popper tem como objeto de sua teoria as ciências e não as ciências sociais e psicológicas, cuja metodologia difere daquela que se usa para as ciências naturais.
  • Alternativa e, falsa.  A ideia dessa alternativa expressa o empirismo radical típico dos séculos XVII e XVIII.

Gabarito: C.

É isso, pessoal! Espero que tenham curtido a resolução da prova de Filosofia do vestibular UEL 2020. Sigam-me nas redes sociais. Têm muitas dicas lá. Mande uma mensagem, caso tenha tido alguma dúvida. Qualquer dúvida, entre em contato conosco através do nosso Fórum de Dúvidas ou das redes sociais.

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