Última atualizaçao em: 05 de Novembro de 2020, ás 15:35

Filósofos como Platão acreditavam que as paixões (emoções e sensibilidade) eram como cavalos que, se deixados livres e desembestados, fariam grandes estragos, daí a necessidade do condutor, ou seja, da razão.

O homem, aprendendo a pensar segundo pressupostos racionais, chegaria a verdades tão claras que seria quase natural que ele deixasse de lado suas vontades e desejos para abraçar o melhor caminho.

Isso valeria para os indivíduos em particular e para a sociedade em geral. Essa visão otimista da razão vai reverberar por muito tempo no que se considera filosofia ocidental. Somente no século XIX, a razão começa a ser questionada seriamente.

Aliás, por conta dessa identidade entre Teoria do Conhecimento e História da Filosofia, essa área do conhecimento tornou-se basicamente sinônimo da discussão sobre a razão.

Então esse conhecimento tão reverenciado no mundo moderno foi inventado pelos gregos e desenvolvido pelos europeus? Seria esse tipo de conhecimento um sinal da superioridade dos europeus em relação ao resto do mundo?

Pensar dessa maneira significaria ter uma concepção eurocêntrica da realidade. A definição da Wikipédia é muito boa, segundo o site, “o eurocentrismo é uma visão de mundo que tende a colocar a Europa como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem.

Resumidamente, trata-se da ideia de que a Europa é o centro da cultura do mundo.” Qual é o problema dessa ideia? Pense um pouco na charge a seguir.

O tema principal da charge obviamente é educação. Mas há outro tema, o da concorrência. Nesse caso, percebe-se que há uma disputa absurda segundo critérios aos quais só um animal poderia atender.

Aplicando isso à nossa discussão, fica mais fácil entender por que o Eurocentrismo é complicado. Os europeus estenderam sua forma de vida para o planeta inteiro, estilo fundado nos parâmetros racionais de avaliação.

Pedir que se julguem as outras civilizações por essa régua, que é europeia, significa trapacear no jogo. A questão do eurocentrismo contamina a filosofia.

O que se estuda no ensino médio é a Filosofia ocidental, desprezando totalmente o pensamento desenvolvido por outras civilizações. Então, a Filosofia ocidental é melhor?

Que enrascada! Para entender melhor a questão, seria interessante entender os pressupostos de outras filosofias. Há duas grandes vertentes filosóficas na antiguidade: a indiana (Sidarta Gautama) e a chinesa (Tao de Lao-Tsé, as ideias de Confúcio).

Essas vertentes têm como ponto comum a preocupação ética ou política. As outras Filosofias da Antiguidade estão misturadas à Religião e subordinadas ao pensamento voltado para o sagrado.

É nesse ponto que a Filosofia grega se distancia de qualquer outra aventura do pensamento. Os gregos, inicialmente, ousaram questionar a Religião oficial; depois ousaram questionar tudo o que sabiam e cultuaram a dúvida acima de tudo.

Além disso, elaboraram toda uma discussão sobre o próprio conhecimento, que não encontramos paralelo em qualquer outra civilização ou filosofia.

O desenvolvimento da sociedade do conhecimento, assim como a proeminência de um estilo de vida baseado nesse pressuposto, leva-nos a considerar a Filosofia ocidental como o campo por excelência capaz de discutir os dilemas do mundo contemporâneo, pois é a própria régua criada pelo mundo contemporâneo.

Dentro da filosofia ocidental, cultua-se a dúvida, a separação entre a religião e a razão e a própria crítica da razão. Em outras palavras, ela não é melhor que as outras, mas é a mais adequada para esse mundo que está aí.

Abraços,

Prof. Fernando Andrade

Instagram: @filosofia.do.portuga

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