Você sabe o que é inflação? A importância? Como o assunto pode cair no seu vestibular? Pois bem, o assunto é importante para a economia e impacta diretamente na vida de todos os brasileiros.

O índice afeta o poder de compra dos cidadãos, fazendo pesar no bolso, suas variações, sejam elas positivas ou negativas. Confira abaixo um pouco mais sobre a inflação e suas características.

O que é inflação?

A inflação indica o aumento dos preços de bens e serviços, acarretando na diminuição do poder de compra de uma moeda. A medida é feita com base em índices de preços de determinados produtos. No Brasil é usado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O que é IPCA?

Criado em 1979, o IPCA mede a variação de preços de um conjunto de produtos e serviços. É medido no varejo, ou seja, quando chega ao consumidor amplo, ou, melhor dizendo, nas famílias brasileiras.

Seu objetivo é alcançar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas, e seu resultado mostra, de forma média, se os preços estão estáveis ou oscilando para uma alta ou queda no valor mês a mês.

Como a medida é mensal, os valores são coletados entre os dias 1º e 30 de cada mês em lojas distintas, além de serviços públicos e prestação de serviços. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo índice, ele é medido com nove grupos e com pesos distintos entre eles. Veja abaixo:

  • Transportes: 20,6%
  • Alimentação e bebidas: 19,3%
  • Habitação: 15,6%
  • Saúde e cuidados pessoais: 13,5%
  • Despesas pessoais: 10,7%
  • Educação: 6,1%
  • Comunicação: 5,7%
  • Vestuário: 4,6%
  • Artigos de residência: 3,8%

Como funciona a sua composição?

O IBGE faz uma espécie de acompanhamento dos produtos e serviços que são incluídos na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). O objetivo do levantamento é ter uma projeção próxima da realidade dos hábitos de consumo dos brasileiros, por isso cada grupo da lista apresenta um peso diferente.

A última atualização da lista foi feita em janeiro de 2020, e retirou da lista antiga — que vigorava há 20 anos — itens ultrapassados como aparelho de DVD, assinatura de jornal, máquina fotográfica, entre outros, para incluir produtos atuais como videogame, transporte por aplicativo, serviços de streaming e combo TV por assinatura, internet e telefonia. 

Ao todo, o preço de 377 itens são coletados mensalmente nas regiões metropolitanas de 16 capitais brasileiras. Como suas populações e impactos são distintos, também são atribuídos pesos para cada uma das cidades abordadas.

São Paulo, de maior impacto na lista, tem peso 32,3%, Belo Horizonte, segunda da lista, 9,7%, seguida de perto pelo Rio de Janeiro, com 9,4%. Fecham o top cinco Porto Alegre e Curitiba, com 8,6% e 8,1%, respectivamente.

Causas da inflação

Segundo o Banco Central do Brasil, são quatro principais causas da inflação: pressões de demanda, pressões de custos, inércia inflacionária e expectativas de inflação.

Pressões de demanda

Quando falamos em demanda, é possível citar a pandemia: se lembra da dificuldade em achar produtos como álcool gel ou máscaras de proteção no início das medidas de isolamento? Pois bem, o setor não estava preparado para suprir tal necessidade, o que gerou escassez e uma alta estratosférica nos preços.

Os meses de seca impactam na produção de uma série de alimentos, como o leite. As vacas produzem menos leite nos meses mais frios do ano, o que gera um aumento esperado no preço do produto durante o inverno. 

A seca também pode impactar na conta de luz, caso as chuvas da estação anterior não tenham abastecido os reservatórios das hidrelétricas. Esse, inclusive, é um dos motivos que explicam a atual crise hídrica.

Pressão de custo

A pressão de custo é gerada quando um, ou uma série de produtos tem aumento no preço e esse movimento acaba por afetar o produto final, mesmo que as fabricantes tentem segurar o aumento e perder margem de lucro em alguns casos. Um exemplo recente é a alta nos preços de fertilizantes, que pode impactar o valor dos alimentos em 2022.

Inércia inflacionária

Já a inércia inflacionária acontece quando um setor tem alta no seu preço e, no momento de baixa, mantém seu produto ou serviço no valor anterior, deixando de repassar a queda para o consumidor. Isso acontece por alguns motivos, e vão desde medo de uma nova alta, até mesmo aumentar a margem de lucro.

Expectativas de inflação

Todo ano o governo e outras instituições relacionadas divulgam expectativa de inflação do ano, fazendo projeções com o intuito de ser um suporte para decisões políticas e econômicas, sejam governamentais ou mesmo empresariais. 

A distorção desses dados pode provocar temores nos setores impactados, e suas reações atingem diretamente o índice, considerando que novas estratégias serão tomadas.

Como a inflação atinge o poder de compra?

Segundo o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, a previsão de inflação em 2021 é de 8,69%. Vale lembrar que a previsão está na sua 28ª alta consecutiva. Já a previsão do salário mínimo para 2022 está abaixo desse valor, o que indica uma perda no poder de compra do brasileiro.

Priscila Lima, professora de Geografia e Atualidades do Estratégia Vestibulares, explicou a relação entre o índice e o salário mínimo. “A inflação afeta o poder de compra das pessoas quando não há um acompanhamento do salário em relação à inflação”.

“Não houve equivalência quanto ao salário das pessoas, isso faz com que as coisas fiquem mais caras e se tenha a mesma quantidade de dinheiro. Se você tem um aumento da inflação e ele não é acompanhado pelo salário, consequentemente há uma redução no poder de compra, há uma redução na lógica de consumo e consequentemente pode atingir também a lógica de produção”, completa.

Como a pandemia afetou a inflação?

A redução no consumo em alguns serviços como turismo e eventos fez com que os preços baixassem em setores como transporte por aplicativo e companhias aéreas. Em contrapartida, muitos alimentos e contas básicas como luz, gás e combustíveis tiveram fortes altas, impactando negativamente no poder de compra do brasileiro.

Priscila analisa o momento. “Existem outros fatores que envolvem dinâmicas políticas, estrutura econômica brasileira, pautada em produtos primários, e consequentemente estamos exportando mais do que abastecendo o mercado interno”. 

“Isso (a alta nos preços) começou ano passado, com a alta do preço do arroz, que chamou muito a atenção, e isso está relacionado a esse processo de redução de consumo e redução de produção, mas ela (a pandemia) não é o único fator”.

Priscila também traçou um comparativo entre os países e suas inflações. “A pandemia é muito importante nesse contexto, ela foi fundamental no cenário mundial, mas ela não é o único motivo para que nós tenhamos uma elevada inflação no Brasil”.

“Se fosse assim, os países teriam o mesmo grau de inflação, ou então alguns países, dependendo do seu grau de produção, nós poderíamos elencar e até mesmo definir quais teriam uma alta maior do que outros”, avalia.

Como o tema pode aparecer nos vestibulares?

Priscila acredita que o tema pode ser relacionado a desigualdades regionais e sociais. “Algo interessante para se pensar é quem consegue continuar consumindo no Brasil, quem consegue continuar tendo uma alimentação minimamente aconselhada no Brasil, comer carne uma vez por semana. Isso vai desencadear em uma série de fatores: quem antes comia um bife, agora come salsicha”.

Além da alimentação, outros direitos são perdidos entre populações mais pobres. “Afeta no dia a dia de coisas mínimas, e alguns direitos deixam de ser abraçados, por exemplo, direitos como o lazer, não são necessários numa primeira ordem. Não é um direito que vai te manter vivo, mas a alimentação é algo que vai te manter vivo”, pontua.

“De maneira pontual, como os vestibulares podem usar esse tema para abordar relações socioeconômicas atuais? é mostrando que há um aumento nas desigualdades. 

A inflação sobe, ela vai crescendo, não há um acompanhamento no salário, mas nesse mesmo cenário temos um aumento dos enriquecidos no Brasil. Aqueles que eram mais ricos, concentraram mais riqueza. E, se aumenta a desigualdade, consequentemente afeta em fatores mínimos, desde alimentação até lazer”, finaliza.

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