Multidisciplinar, pontos de vista distintos e um problema que atinge a sociedade como um todo a nível nacional e mundial. Essas são algumas definições que passam pelo tema de mobilidade urbana.

Dentre os assuntos relacionados podemos citar sustentabilidade, bem-estar social, uso de transportes alternativos, urbanização… Para te ajudar com o assunto, conversamos com Priscila Lima e Wagner Santos, respectivamente professores de geografia e redação do Estratégia Vestibulares. Confira mais sobre o assunto abaixo.

O que é mobilidade urbana?

A mobilidade urbana é o modo que as pessoas transitam dentro das cidades. Isso pode ocorrer de maneira individual, coletiva, privada ou pública. O planejamento de toda e qualquer expansão ou reforma em espaços públicos passam pelo assunto.

Se uma cidade vai construir um bairro novo, por exemplo, é necessário entender suas características físicas, econômicas e políticas para traçar planos que integrem o espaço com bairros vizinhos e com o restante da cidade.

A mesma coisa pode ser dita quando falamos em reformas, como a construção de viadutos e túneis, de ciclofaixas ou até mesmo ampliação das faixas de uma avenida. O impacto do assunto atinge a todos os cidadãos, de uma forma ou de outra.

Como a população é atingida por problemas de mobilidade urbana?

São vários os problemas causados por uma mobilidade urbana deficitária: tempo gasto para se locomover, ausência de opções adequadas de transportes alternativos, poluição sonora e do ar e até mesmo gentrificação.

Priscila Lima, professora de geografia do Estratégia fala sobre como os planos de mobilidade urbana são pensados no país. “O tempo gasto com deslocamento no Brasil é altíssimo. A expansão de ônibus e trens em cidades grandes, como em São Paulo, está associada a fazer com que a população que trabalha nos centros, mas não pode morar ali, consiga chegar”.

Ao falarmos sobre a noção de tempo, a associação com as questões de classes sociais também nos alcançam: “o processo de periferização está associado às pessoas não terem condições de morar em ambientes mais caros, centrais. Nessa noção, a mobilidade é fundamental para reduzir o tempo gasto com o deslocamento”, complementa Priscila.

Mobilidade-Urbana
Colagem por Lucas Zanetti. Créditos: Unsplash

Macrocefalia urbana

A alta concentração de pessoas em um mesmo espaço geográfico gera um conceito chamado macrocefalia urbana. As cidades grandes concentram poder econômico, oportunidades de emprego e serviços, o que atraem pessoas para esses locais. Esse fluxo é mais presente em países subdesenvolvidos e megalópoles.

“Em uma cidade que cresceu muito rápido, o que chamamos de macrocefalia urbana, as pessoas vão morar em áreas mais distantes. E aí gastam mais tempo com deslocamento. O impacto é direto: se você está gastando tempo com deslocamento, você não está estudando ou gastando seu tempo com lazer, por exemplo, afirma Priscila.

O problema evidencia como a mobilidade urbana atinge populações periféricas e com opções reduzidas de transporte, como reitera Priscila. “A gente depende de ter esse tempo para ter acessos a direitos básicos. As cidades incharam em um ritmo em que a infraestrutura que temos hoje não é suficiente e as medidas que tomamos são superficiais”.

Medidas superficiais do presente para o futuro

Wagner Santos, professor de redação do Estratégia Vestibulares, fala sobre a superficialidade com que o poder público aborda o tema. “O que a gente vê é sempre um investimento muito pesado em pistas. E aí você tem a junção dessa ideia do sucesso social do carro com a possibilidade de colocar mais carro nas pistas”.

Wagner também avalia como o Brasil vê o tema. “O futuro está bem ameaçado em vários sentidos. O planejamento urbano se fundamenta na ideia do modal do carro, que tem um valor social dentro do Brasil. O carro não é um mero objeto de transporte, mas também um demarcador de posição e sucesso”.

Se atualmente as pessoas precisam ir para os centros urbanos para trabalhar ou frequentar espaços de lazer, no futuro isso pode ser diferente. Priscila aborda o assunto citando a descentralização urbana.

“Se a gente pensar realmente em uma estrutura para melhorar a mobilidade, temos que pensar em construir infraestruturas próximas a áreas periféricas. É preciso ter bons parques, hospitais, supermercados e toda essa rede de serviços próxima a bairros mais periféricos, porque aí as pessoas não precisam se deslocar até o centro nem para trabalhar”, afirma a professora.

Dia mundial sem carro: temos outras alternativas?

O Brasil tem uma estrutura voltada para os carros, mas não necessariamente a solução é abandoná-los, mas sim criar alternativas para que as pessoas consigam transitar com mais segurança e velocidade.

O Dia Mundial Sem Carro, celebrado no dia 22 de setembro, é uma data simbólica, criada na França, em 1997. A data conta com atividades na cidade de São Paulo desde 2003, e tem eventos relacionados em diversas capitais do Brasil, como pedaladas, protestos e demais atividades.

Wagner comenta sobre a data. “Como temos uma rede de transporte público deficitária, a ideia de um dia mundial sem carro no caso do Brasil acaba se perdendo, porque as pessoas não têm a possibilidade de usar um outro modal de forma eficiente. Mas não perde a sua importância como data simbólica”.

“Há uma necessidade de se repensar uma noção de transporte público que não seja poluente e que não agrida o meio ambiente”, afirma Wagner sobre outras opções de deslocamento mais sustentáveis que o uso do carro. 

Uma das alternativas mais citadas nos últimos anos é o uso de bicicletas para locomoção nas cidades. “Quando falamos sobre ter outras vias, como bicicletas, ainda estamos falando de soluções restritas. O deslocamento de bicicleta não é algo tão fácil de ser feito. A melhor situação possível é a intermodalidade”, explica Priscila.

Como a mobilidade urbana pode aparecer nos vestibulares

Na matéria “Redação Enem 2021: confira 5 temas que podem ser cobrados”, Wagner citou a mobilidade urbana como uma das opções. Ele explica alguns motivos que o levaram a mencionar o assunto. “É uma discussão antiga e bastante importante tanto no meio ambiente, como também na cidadania”.

“É um tema extremamente plural, que consegue perpassar uma série de componentes pedagógicos. O aluno tem que pensar de forma prática, analisar abrindo mão daquilo que ele pensa”, complementa.

Wagner também exemplifica como a interdisciplinaridade do assunto pode cair nas provas. “A ideia da urbanização que é cobrada dentro da geografia, a ideia da sustentabilidade que é geografia, química e biologia, a noção da sociologia com relação às populações periféricas, a noção filosófica e sociológica do bem-estar e da saúde mental”.

“Se a matéria está sendo cobrada em geografia, os alunos precisam analisar dentro de um processo de urbanização, de sustentabilidade, se está falando de bem-estar é analisada outra relação, ele precisa compartimentalizar as ideias. E na hora da redação, ele consegue analisar todos esses argumentos de forma eficiente”.

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