Há uma década, começavam os protestos do povo sírio contra a opressão do governo ditatorial da família Assad. Desde então, a região tem sofrido com conflitos que já fizeram milhares de refugiados. Quer saber as origens da Guerra Civil na Síria, quem está envolvido e as consequências? O Estratégia Vestibulares conta para você! 

Origem da Guerra Civil na Síria

A revolta que deu início à Guerra na Síria fazia parte do movimento que abalou o Oriente Médio e o Norte da África, conhecido como Primavera Árabe. No entanto, o sonho democrático dos revoltosos não se concretizou. As manifestações, que começaram na cidade de Deera no dia 15 de março de 2011, foram reprimidas violentamente pelo ditador Bashar al-Assad

Revoltados com a resposta do governo, cidades maiores como a capital Damasco e a cidade de Aleppo, também se juntaram ao movimento. Os grupos de resistência tornaram-se milícias armadas, formadas principalmente de desertores do exército sírio e por civis. A partir daí, a violência apenas aumentou a ponto de ser considerada uma Guerra Civil. 

Desde então, houveram várias tentativas de cessar-fogo, porém nenhuma obteve sucesso. Segundo o relatório do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), mais de 400 mil pessoas já foram mortas por causa da guerra. Além disso, vários episódios chamaram a atenção internacional ao longo dos anos de conflito, sendo um dos principais o uso de armas químicas nos civis

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Ataque à cidade síria de Kobani, em 2014

Guerra Civil na Síria – Combatentes

Um dos aspectos que dificulta a compreensão sobre a Guerra na Síria – e também seu fim – é a quantidade de agentes envolvidos no conflito. As milícias rebeldes não são unificadas e várias têm ideologias, e até aspectos religiosos, diferentes entre si. Além disso, grupos islâmicos radicais também aproveitaram-se do conflito para tomar regiões da Síria e oprimir a minoria curda no país

Confira abaixo algumas das principais frentes envolvidas na Guerra Civil da Síria.

República Árabe Síria

A família Assad pertence à minoria étnica alauíta e governa a Síria desde 1970, quando ascendeu ao poder por meio de um golpe de Estado. O atual ditador, Bashar al-Assad, está no poder desde os anos 2000. A atuação do governo e das Forças Armadas sob seu comando tem sido criticada pela violência e pelo uso de armas químicas no conflito. Um dos episódios mais conhecidos foi o ataque à população civil com gás sarin, em 2017.

Além de lidar com os exércitos da oposição, Assad também precisa combater o Estado Islâmico. Por outro lado, também recebe o apoio da Rússia – seu aliado histórico -, do Irã e do Iraque

Exército Síria Livre (ESL)

Trata-se de um dos principais exércitos populares envolvidos no conflito e é considerado a ala moderada dos rebeldes. Uma das características do ESL é que o grupo não segue nenhuma ideologia religiosa. Seu principal inimigo é o governo de Bashar al-Assad, e dentre seus aliados estão os EUA e a Arábia Saudita

Exército Curdo

Os curdos são o quarto maior grupo étnico do Oriente Médio e habitam uma região montanhosa espalhada ao longo de cinco países, sendo um deles a Síria. Há décadas, esse povo luta por um Estado próprio. Com a Guerra Civil na Síria, os curdos também foram envolvidos no conflito e sofreram com os ataques das forças de Assad e do Estado Islâmico. 

As tropas curdas ocupam o norte do país. Até 2019, também recebiam ajuda dos EUA no combate ao Estado Islâmico. Porém, após o ex-presidente Trump retirar as tropas da região, os curdos também foram atacados pelas forças turcas sob o comando do presidente Recep Erdogan. 

Estado Islâmico

Aproveitando-se da situação caótica da Síria, o grupo jihadista infiltrou-se no país em meados de 2013 e conquistou diversas cidades. A atuação do Estado Islâmico caracteriza-se pela perseguição à minoria religiosa xiita e aos curdos, além de severa imposição da sharia – Lei Islâmica baseada em uma interpretação do Alcorão. 

Atualmente, o grupo sofreu algumas derrotas e foi expulso de parte das cidades que tinha conquistado no início do conflito. 

Interferência Estrangeira 

A Guerra Civil da Síria recebeu intensa atenção internacional, por conta de alguns aspectos: 

  • Uso de armas químicas;
  • Quantidade de refugiados buscando auxílio de países vizinhos e até imigrando para a Europa; e
  • Presença do Estado Islâmico, grupo responsável pelo ataque às Torres Gêmeas em 2011.

Além disso, há quem diga que o conflito reviveu o espírito da Guerra Fria, uma vez que os EUA e a Rússia apoiam lados opostos nessa guerra. 

ONU

A Organização das Nações Unidas atua principalmente na defesa dos direitos humanos na Guerra Civil da Síria. Além disso, tenta criar um diálogo entre as partes envolvidas na busca por uma solução diplomática e negocia cessar-fogos para que a ajuda humanitária chegue aos civis afetados pelos conflitos. 

Propostas de intervenção já foram discutidas no Conselho de Segurança da ONU, porém o apoio da Rússia (um dos membros fixos de tal conselho) ao governo de Bashar al-Assad impediu que medidas concretas fossem tomadas.

EUA

O país norte-americano apoia e financia o Exército Síria Livre e é contra o governo de Assad. Além disso, também apoiou os curdos na luta contra o Estado Islâmico, porém retirou suas tropas de apoio na região em 2019. 

Uma das intervenções diretas dos EUA na Guerra Civil da Síria foi após o episódio com gás sarin, em 2017. Os norte-americanos atacaram uma base aérea do governo sírio, na cidade de Homs, em retaliação. As relações diplomáticas dos EUA com a Rússia passam por grandes momentos de tensão após esses eventos. 

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Cidade destruída de Homs

Rússia 

Assim como os EUA, a Rússia apoia financeira e militarmente seu aliado, o presidente Bashar al-Assad. Como um dos países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, consegue proteger o governo sírio de punições internacionais. 

A Síria é um importante comprador de armas da Rússia, além de uma das suas únicas saídas para o Mar Mediterrâneo. Fora isso, a participação russa no conflito aumenta sua influência no Oriente Médio e permite o combate ao terrorismo do Estado Islâmico. 

Turquia 

A Turquia é um país vizinho da Síria e apoia ativamente o Exército Síria Livre e os rebeldes. Além disso, é um dos principais destinos para os refugiados que fogem dos conflitos no país. Ao contrário dos EUA, porém, é inimigo do povo curdo, contra quem já dirigiu ataques após a retirada das tropas americanas em 2019. 

Guerra na Síria e crise de refugiados

Segundo o mais recente relatório da ONU sobre a Guerra na Síria, 5 milhões de pessoas – das 22 milhões que antes habitavam no país – se tornaram refugiadas por conta do conflito. Trata-se de uma das piores crises humanitárias desde a Segunda Guerra Mundial. 

Nos últimos anos, imagens sobre os conflitos e notícias sobre as perigosas travessias dos refugiados circularam na mídia ocidental. Discussões sobre xenofobia nos países europeus e sobre a política de acolhimento aos refugiados foram alguns dos assuntos mais relevantes dos últimos cinco anos. 

Um dos maiores símbolos da crise imigratória foi a foto do menino sírio Alan Kurdi, de três anos, morto em uma praia após a tentativa de travessia dos imigrantes para a Europa.

Guerra Civil na Síria – filmes e livros

Ao longo dos últimos dez anos, a situação da Síria foi retratada de diversas formas além das páginas dos jornais. Para entender além da situação histórica da Guerra Civil, você pode escutar as pessoas que vivenciaram em primeira mão os efeitos do conflito nos filmes e livros que listamos a seguir: 

  • Para Sama (2019, de Waadal-Kateab): este documentário premiado foi filmado pela cineasta síria durante cinco anos e mostra sua vida em meio aos conflitos na cidade de Aleppo. O filme é feito como um diário para sua filha, Sama, nascida no meio da guerra civil.  
  • Zaatari: Memórias do Labirinto (2019, de Paschoal Samora): O documentário retrata a vida no campo de refugiados na fronteira entre a Síria e a Jordânia, um dos maiores do mundo. Foi realizado em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). 
  • Diálogos de Samira, por dentro da guerra síria (por Marcia Camargos e Carla Caruso): o livro conta as conversas entre Samira e Karim, que estabelecem um diálogo por mensagens, mesmo que um esteja no Brasil e o outro no meio do conflito da Guerra Civil da Síria. 
  • Kobane Calling (por Zerocalcare): o livro conta por meio de histórias em quadrinhos, a viagem do cartunista Zerocalcare até um encontro do exército de mulheres curdas, que lutam contra o Estado Islâmico. 

Como cai no Vestibular?

A Guerra Civil na Síria é um tema que pode ser cobrado no seu vestibular, especialmente por conta da sua relevância geopolítica. Nos seus estudos, procure entender a importância que o conflito tem na relação entre os EUA e a Rússia e a influência do conflito nas crises de refugiados. 

Além disso, o tema pode ser abordado por você em temas de redação, especialmente aqueles relacionados aos direitos humanos. Gostou do nosso conteúdo? Então acompanhe o blog do Estratégia Vestibulares e conheça os nossos cursos preparatórios! Clique no banner e visite nosso site. 

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