No mês de abril, Raúl Castro, irmão do revolucionário Fidel Castro, anunciou sua saída da posição de Primeiro-Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Pela primeira vez, em mais de 60 anos, não há um Castro nos altos cargos do governo da ilha comunista, vizinha dos Estados Unidos. 

A relação entre os EUA e Cuba tem um longo histórico de tensões e conflitos – e a situação permanece sem uma perspectiva de aproximação, mesmo em meio à pandemia de Covid-19. O Estratégia Vestibulares traz para você um resumo da relação Cuba e Estados Unidos, além dos desdobramentos atuais e como eles podem ser cobrados no vestibular!  

Independência de Cuba

Cuba é um país formado por um arquipélago, que foi colonizado inicialmente pela Espanha. Os EUA tiveram interesses na região desde antes da independência cubana, de forma que até mesmo chegou a propor a compra da ilha, em 1852. 

No entanto, foi só depois da Guerra Hispano-Americana, em 1898, que Cuba se viu livre do domínio espanhol – para cair no controle dos EUA. Na elaboração de sua constituição, Cuba foi obrigada a incluir a Emenda Platt, que dava o controle militar e econômico para o vizinho norte-americano. 

A medida foi válida até 1933, quando Fulgêncio Batista liderou a Revolta dos Sargentos e assumiu o poder de Cuba. Apesar disso, os governos seguintes continuaram a favorecer os EUA nos acordos comerciais – especialmente em relação à exportação de açúcar e ao turismo – e a aceitar o intervencionismo

Fulgêncio Batista foi o presidente eleito de 1940 a 1944 e se candidatou mais uma vez em 1952. Dessa vez, porém, liderou um golpe de estado ao ver que não ganharia as eleições de forma democrática. Como consequência, iniciou-se uma ditadura com o apoio dos EUA. 

Revolução Cubana

Durante o regime, os EUA mantiveram a influência econômica sobre a ilha, com várias empresas e propriedades no local. Foi nesse cenário que surgiu a figura de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, que durou de 1953 a 1959

O governo de Batista e os rebeldes – que incluíam o irmão de Fidel, Raúl Castro, e Che Guevara – tiveram vários embates ao longo dos anos, com baixas de ambos os lados. Por fim, em 1959, Fulgêncio Batista fugiu do país e os revolucionários tomaram a capital, Havana. 

cuba e estados unidos

Vale destacar que, até esse momento, a Revolução Cubana não tinha caráter comunista. No entanto, as medidas tomadas por Fidel e seus aliados, como a reforma agrária e nacionalização das empresas americanas no país, desagradaram os EUA.

Em retaliação, o presidente da época, Dwight D. Eisenhower, propôs embargos econômicos sobre a ilha, principalmente sobre o açúcar exportado. Fidel, por sua vez, começou a estreitar laços com a União Soviética, que passou a comprar o produto cubano e a fornecer armas e petróleo a preços melhores que o dos EUA. 

Cuba e a Guerra Fria

A partir de então, o regime revolucionário cubano alinhou-se com as ideologias comunistas e continuou a ser apoiado pela URSS. Essa parceria resultou em alguns dos episódios mais emblemáticos da Guerra Fria, como a Crise dos Mísseis e a invasão à Baía dos Porcos. 

Um governo comunista tão próximo de seu território não era um cenário que os EUA iriam tolerar de boa vontade. Em 1961, o presidente John F. Kennedy organizou a fracassada operação da Baía dos Porcos para tentar derrubar Fidel Castro e seus revolucionários. A CIA treinou um grupo de mercenários para invadir a ilha, mas a oposição foi derrotada pelas forças de Fidel. 

No ano seguinte, aconteceu a famosa Crise dos Mísseis. Os EUA impuseram um bloqueio naval à ilha comunista após descobrir que a União Soviética tinha instalado mísseis no território cubano. Foram os 13 dias mais tensos da Guerra Fria – o mais próximo que chegamos de experimentar uma guerra mundial nuclear. 

A solução diplomática foi um acordo em que os EUA não iriam invadir a ilha e retirariam os mísseis da Turquia, enquanto a URSS retiraria as armas instaladas em território cubano. No entanto, os embargos econômicos continuaram, de forma que, à medida que a União Soviética declinava, Cuba também começou a experimentar uma retração econômica. 

cuba

Cuba e EUA – Reaproximação

Uma das primeiras tentativas de aproximação aconteceram durante o governo de Jimmy Carter, em 1977, que diminuiu as restrições de viagem para a ilha. Nessa mesma época, em 1980, também aconteceu um dos maiores episódios de emigração dos cubanos: o Êxodo de Mariel. Os imigrantes, fugindo das duras condições de vida e da repressão, atravessaram o mar até a Flórida, nos EUA.

Nos anos seguintes, as relações entre Cuba e os Estados Unidos esfriaram novamente e o embargo econômico permaneceu, enquanto a economia da ilha se deteriorava ainda mais. A fuga de imigrantes cubanos era comum e os EUA adotaram o que ficou conhecido como política “pé molhado, pé seco”. 

Em poucas palavras, essa política previa que quem conseguisse chegar aos EUA seria recebido no país; se fosse resgatado no mar, porém, seria devolvido à ilha de Cuba. A ONU chegou a votar o fim do embargo econômico duas vezes, mas sem que os EUA concordassem com o resultado. 

Em 2008, Fidel Castro passou o governo para seu irmão Raúl Castro. Raúl começou a implementar mudanças na economia cubana e a abrir o país para o turismo. Com a ascensão de Barack Obama ao poder dos EUA, houve uma esperança de reaproximação mais definitiva. Os dois dirigentes chegaram a encontrar-se em 2016, na cerimônia de reabertura da embaixada americana em Havana. 

Barack Obama vs.Trump

Dentre as ações tomadas por Obama para que a reaproximação fosse possível estavam a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo e o fim da política de “pé molhado, pé seco”. Além disso, o embargo econômico foi flexibilizado, mesmo que não eliminado completamente. 

No entanto, o otimismo da relação foi por terra com a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. A política externa com relação a Cuba foi completamente refeita e as medidas do embargo, endurecidas. Trump até mesmo chegou a recolocar o país na lista de patrocinadores do terrorismo – junto com Síria, Irã e Sudão

Além disso, o ex-presidente americano também cortou os canais de envio de remessas para a ilha e endureceu as restrições de viagens. No entanto, em seu discurso de saída do poder, Raúl Castro expressou a disposição da ilha de retomar o diálogo com Washington e o novo governante da Casa Branca, Joe Biden. 

Cuba e Estados Unidos: como cai no vestibular?

Com a entrada de Joe Biden na presidência dos EUA, há expectativa de que as relações com Cuba sejam retomadas – embora, até o momento, o governante não tenha expressado nenhum interesse nesse sentido. Além disso, com a pandemia de Covid-19, a economia de Cuba, que dependia principalmente do turismo, ficou seriamente abalada. 

Como resultado, há um grande movimento de emigração da ilha, que muitas vezes envolve travessias perigosas e ilegais pelo mar, com muitas vítimas. Por outro lado, Cuba também é um dos países no processo de desenvolver uma vacina própria contra o vírus e pode ser o primeiro da América Latina a conseguir o feito. 

Diante das situações mencionadas, mais a recente saída de Raúl Castro do poder, é muito provável que o tema da relação Cuba e Estados Unidos apareça no seu vestibular! Por isso, fique atento aos desdobramentos do caso e estude o histórico dos conflitos envolvendo a ilha comunista. 

Confira um exemplo de questão que pode cair no seu vestibular! 

questão fuvest cuba e estados unidos

(Fuvest – 2016) Tendo em vista o que a charge pretende expressar e a data de sua publicação, dentre as legendas propostas abaixo, a mais adequada para essa charge é:

A) Suspensão do embargo econômico a Cuba por parte dos EUA.
B) Devolução aos cubanos da área ocupada pelos EUA em Guantánamo.
C) Fim do embargo das exportações petrolíferas cubanas.
D) Retomada das relações diplomáticas entre os EUA e Cuba.
E) Transferência de todos os presos políticos de Guantánamo, para prisões norte-americanas.

Resposta: letra D.

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