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Absolutismo e liberalismo: a treta que marcou o século XVIII

Data 02/12/2019

Postado por Prof. Alê Lopes

Se há uma palavra que sintetize o mundo do século XVIII é: contestação. Ao longo desse período, uma série de acontecimentos e experiências econômicas e políticas contestaram as bases do chamado “velho mundo”: o Antigo Regime, que existiu entre os séculos XVI e XVIII.

Os acontecimentos vividos na Inglaterra do final do século XVII, além dos que marcaram o século XVIII na França e nos Estados Unidos da América, tiveram grandes desdobramentos no campo das ideias, da política e da economia no século seguinte.

Você poderia argumentar comigo que todo acontecimento da história gera algum tipo de mudança. Contudo, não estou falando de fatores consequentes, simplesmente. Quero dizer que, ao longo desse tempo, convergiram ideias e processos que forjaram as bases para a criação de um “novo mundo”: o capitalismo!

Esse novo mundo, cujo nome veio bem depois das próprias ideias e experiências que lhe deram forma, desenvolveu-se e consolidou-se ao longo de todo o século XIX, mas teve suas sementes germinadas no final do século XVII e, sobretudo, no século XVIII.

E não tenha dúvidas: essas sementes foram de rupturas, muito mais que continuidades. Ou seja, esse novo mundo será estruturalmente diferente daquele que o precedeu.

Você se recorda de como era a Sociedade do Antigo Regime? Vejamos alguns pontos.

Em geral, a estrutura de uma sociedade é composta por elementos que a sustentam, sem os quais ela desmoronaria. Assim, nas Ciências Humanas, especialmente historiadores e cientistas sociais, afirma-se que são 4 os elementos estruturantes de uma sociedade.

Se liga na estrutura do Antigo Regime:

Dessa forma, podemos dizer que o mundo do Antigo Regime era estruturado por uma economia mercantilista, por uma política absolutista, por uma sociedade organizada em estamentos ou ordens, dominada pela nobreza e sem liberdade religiosa.

Contudo, o próprio desenvolvimento do mercantilismo, e desse poder absoluto dos reis, acabou por gerar entraves à continuidade de uma economia que, com o passar do tempo, demandou outros instrumentos diferentes daqueles usados até então para expandir o comércio mundial.

Veja a seguir o desenrolar desse processo.

Economia

O protecionismo e a opressão colonial – com a intensificação de pactos coloniais – não promoviam mais os ganhos que se esperava. Tornou-se urgente reinventar a economia, racionalizar o planejamento para atender às demandas crescentes. A experiência da Inglaterra e dos EUA são ótimos exemplos sobre esse assunto.

Nesses países, como havia um contexto de estímulo às invenções para potencializar a produção, a realidade demandava investigações e pesquisas para novas técnicas e tecnologias. Foi nesse cenário que diversas experiências científicas foram realizadas.

Quero destacar, na área da física, o exemplo da termodinâmica que foi fundamental no processo de Revolução industrial.

Política

Do ponto de vista da política, no Antigo Regime, o sangue dos reis e o desejo de Deus como as únicas formas de legitimar o poder absoluto de um governante – a teoria do direito divino do rei e a hereditariedade – também não respondiam mais à estrutura social e aos interesses políticos dos diversos grupos que se formavam entre os séculos XV e XVIII.

A burguesia, por exemplo, enriqueceu-se muito, era muito ativa intelectualmente, mas não tinha representação política, ou seja, naquela velha lógica nunca chegaria a compor o governo de um país.

Por isso, o bolo do poder precisava ser fatiado, pois a cereja já não era suficiente para saciar a fome de acumulação de uma rica e empreendedora burguesia. As lutas entre o parlamento e o rei na Inglaterra foram expressões dessas tensões entre distintos grupos!

Além disso, no cruzamento entre política e economia havia uma disfunção enorme entre riqueza/trabalho/representação política. De um lado, estava a nobreza que mandava em tudo e era cheia de privilégios e benefícios, sendo o principal deles a isenção fiscal.

Do outro lado, estavam a burguesia e os trabalhadores e, mesmo os burgueses sendo os responsáveis por financiar o Estado e os privilégios dos nobres, não tinham poder político correspondente ao seu trabalho, investimento e riqueza.

Ou seja, política e economia andavam divorciados e promoviam imensas desigualdades. As revoluções serão os choques de todas as contradições acumuladas em séculos!

Religião

Quanto à religião e às ideias, as intolerâncias cometidas em nome de Deus já haviam promovido muita violência – muito mais do que os cristãos podiam suportar com sua fé. Era preciso dar espaço para que as pessoas vivessem suas crenças sem serem mortas por isso.

Contudo, era importante também que a política e a ciência não respondessem ao papa ou ao pastor. No contexto da busca por liberdades, a religiosa será importantíssima.

Cuidado agora

Essa urgência de mudanças será ostensivamente combatida por amplos setores da Nobreza e da Igreja, afinal, o mundo estruturado tal como estava no Antigo Regime era o que legitimava e garantia que a nobreza e a Igreja Católica continuassem dominando as demais classes sociais, a economia, o pensamento, as crenças e tudo o mais que o rei imaginasse poder dominar.

Essa classe social, associada à Igreja Católica, lutou até suas últimas forças contra as mudanças que se avizinhavam no século XVIII e mesmo depois, durante todo o longo século XIX.

Diante dessas necessárias articulações, ao estudar história, você precisa estar atento para os processos que lançaram as sementes para um novo mundo, suas ideias e as primeiras manifestações dos efeitos delas. Nesse sentido, minha dica é que você se atente para os seguintes assuntos:

  • Revolução Puritana e Gloriosa na Inglaterra;
  • Desenvolvimento do Movimento Iluminista;
  • Independência dos Estados Unidos da América;
  • Revolução Industrial e revolução Francesa.

É isso queridas queridos Alunos!

Bons estudos, um beijo, tchau!

Profe Ale Lopes

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Prof. Alê Lopes

Prof. Alê Lopes

Professora de História formada pela Universidade de Campinas, a Unicamp. Mestre em Ciência Política pela mesma instituição, professora de História e Sociologia do Estratégia Vestibulares.

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